Feeds:
Posts
Comentários

A máscara

Ela estava acostumada a ser a malvada. A culpa era sempre sua – de tudo e de nada. Pedia desculpas antecipadamente por ter a certeza de que, ao fim, as primeiras palavras que sairiam de seus lábios seriam exatamente essas: me desculpe.

Por hábito, talvez, tornou-se cada vez mais fácil vestir aquela máscara e tornar-se a Malvada, como era esperado que o fizesse. E quando mais uma vez seu coração se quebrava, perguntavam a ela o que havia feito de errado – o que ela havia feito de errado.

Mesmo que ela não houvesse feito absolutamente nada.

A máscara tornava-se mais pesada a cada dia. Seus olhos gritavam, mas de sua garganta não mais saíam os seus pensamentos. Eles se fechavam sobre si mesmos transformando-se em labirintos, caracóis, porcos-espinhos. Ai de quem tentasse tocá-los.

Por muito tempo ela pensou que sua máscara fosse a de um palhaço – aquele que faz os outros rirem para esconder sua sempre presente tristeza. Percebeu por fim que, na verdade, a máscara que a cobria era a de um carrasco.

Que seja, façamos nosso trabalho, então.

Restos de Natal.

Dias chuvosos.

Cerveja na porta da geladeira.

Lavar louça.

Ouvir música.

Teatro no computador.

Olhares sem palavras.

O cheiro do quarto.

Dormir, acordar, dormir.

Sabonete nas costas.

Macarrão com frango ao curry.

Um telefonema de madrugada.

Acordar às quatro da manhã.

Poesias no domingo.

 

- – -

É, eu ando totalmente relapsa com este meu pequeno pedaço de paraíso. Continuo viva em tuíter, tumblr e facebooks da vida, caso alguém se interesse. Oh, sim: tomando vergonha na cara e começando a ler Game of Thrones (o primeiro livro ainda!).

Espera

E eu aqui,

Desesperada e louca à tua espera.

Sentindo o teu cheiro ainda em minha pele,

E o teu toque,

E o hálito quente de tua boca,

As mordidas dos teus dentes em meu pescoço,

E tudo isso, e tudo o que ainda não senti,

E ainda assim eu espero… Espero, enfim,

Pelo abraço que me dá todas as manhãs

E pelo beijo que me toca os lábios nas horas mais vãs.

Consultório 2

_ Eu devo tomar todos os dias, doutor?

_ Sempre que sentir essa pontada de dor. Sempre.

 

You may not believe it
But I don’t believe in miracles anymore
And when I think about it
I don’t believe I ever did for sure
All the things I’ve said in songs
All the purple prose you bought from me
Reality’s just black and white
The sentimental things I’d write
Never meant that much to me

I used to be the main express
All steam and whistles heading west
Picking up my pain from door to door
Riding on the storyline
Furnace burning overtime
But this train don’t stop,
This train don’t stop,
This train don’t stop there anymore

You don’t need to hear it
But I’m dried up and sick to death of love
If you need to know it
I never really understood that stuff
All the stars and bleeding hearts
All the tears that welled up in my eyes
Never meant a thing to me
Read ‘em as they say and weep
I’ve never felt enough to cry

I used to be the main express
All steam and whistles heading west
Picking up my pain from door to door
Riding on the storyline
Furnace burning overtime
But this train don’t stop,
This train don’t stop,
This train don’t stop there anymore

When I said that I don’t care
It really means my engine’s breaking down
The chisel chips my heart again
The granite cracks beneath my skin
I crumble into pieces on the ground

I used to be the main express
All steam and whistles heading west
Picking up my pain from door to door
Riding on the storyline
Furnace burning overtime
But this train don’t stop,
This train don’t stop,
This train don’t stop there anymore

- – -

My engine is breaking down. The chisel chips my heart again, the granite cracks beneath my skin. I crumble into pieces on the ground.

 

Eu não teria conseguido pôr de uma forma melhor que essa. Elton disse tudo por mim.

Passou

Foi-se a crise.

Há quatro dias do aniversário e eu me sinto plenamente bem. Espero que a mágica não se desfaça depois de sete dias :)

No Japão, diz-se que aos trinta anos a vida muda completamente. Passamos a caminhar uma outra estrada: o modo de pensar, o corpo, a mente, a alma – tudo se modifica.

Espero que essa nova estrada que se inicia seja repleta de novos e melhores desafios. Kakattekoi yo!

Interlúdio

E ela sonhou, e foi como se mais uma vez fosse criança e imaginasse como seria quando adulta.

Percebeu naquele único sonho que, na verdade, muito do que imaginara havia realmente acontecido: os problemas, os amores, as desilusões; as noites de festa e as de horror; brigas, risos, testes, aprovações e desastres. Estava tudo ali, sim. Mas não conseguia saborear a parte mais doce.

Respirou profundamente. Rezou mais uma vez para que o medo passasse por ela e que, no final, ela pudesse voltar os olhos para dentro de si mesma e ver que ela ainda ali permanecia.

Prelúdio

E ela sentiu, a apenas poucos dias de se tornar uma mulher de Balzac, que seu corpo não mais lhe pertencia.

O sono ia e vinha como bem entendesse: às vezes sentia seus olhos se fecharem pesadamente de tarde, logo após tomar um café. As mãos, dormentes sobre o peito, deixavam cair o livro que se forçava a ler. Os pés formigavam, a boca ressecava e a voz não queria sair – e quando a ouvia, se perguntava quem era aquela que dizia tais absurdos.

No trabalho, sentia-se planando fora do corpo. Não era como uma marionete – não tinha as cordas que a controlavam nas mãos. Pelo contrário, talvez fosse um pião. Um pião já sem corda. Sorrir para os colegas lhe era custoso; sentar-se à mesa, fazer anotações, dar bom dia e boa tarde e até logo tão vazios mas socialmente necessários. Para que tudo isso, pensava, se vamos todos morrer de qualquer jeito… E nem sabemos quando, nem como?

Lembrava-se constantemente dos seus 15 anos. Lembrava-se do que havia imaginado para si quando fosse adulta. Nada daquilo havia se tornado realidade.

Olhou no calendário e pensou no que há para comemorar. Não conseguiu responder a pergunta.

L’Arc~en~Ciel – In the air

Estudar Direito que é bão, nada…

Então, mais uma tradução do L’Arc~en~Ciel. Enjoy! Versão romanizada aqui.

- – -

目を閉じた君は
背に刺さったナイフを羽に似せ
今、大地を蹴る
空は果てしなく澄みきった青をたたえる
果てしなく。。。果てしなく

君を何度もひざまずかせた
この大地に口づけして
ざわめきに塞いだ耳をすませば
解るだろう すべての物の呼吸が
空は果てしなく澄みきった青をたたえる
果てしなく。。。果てしなく

You fly over the earth
それをただ見つめてる
You fly over the earth
Can’t you see I am tied to the ground
空へ落ちて行く
底無しの空へと深く落ちて行く
そして雲を君は掴む。。。掴む!

You fly over the earth
それをただ見つめてる
You fly over the earth
Can’t you see I am tied to the ground
You fly over the earth
やがて空に溶けてく
You’re floating in the air

僕はそれをただ見つめたまま
立ちつくしている

 

- – -

 
De olhos fechados, você
Faz das facas em suas costas asas
E agora, chuta a Terra
O céu, repleto de um límpido azul sem fim
Sem fim… Sem fim

Fizeram-te se ajoelhar inúmeras vezes
E beijou esta Terra
E se apurar seus ouvidos obstruídos pela algazarra
Deve entender – a respiração de todas as coisas
O céu, repleto de um límpido azul sem fim
Sem fim… Sem fim

You fly over the earth
E apenas a observa
You fly over the earth
Can’t you see I am tied to the ground
Caindo em direção ao céu
Caindo em direção ao profundo céu sem fundo
E as nuvens… Você as agarra – Agarra

You fly over the earth
E apenas a observa
You fly over the earth
Can’t you see I am tied to the ground
You fly over the earth
E por fim, se desfaz pelo céu
You’re floating in the air

E eu, apenas observo isso
De pé, sem me mover

Posts mais antigos »

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 173 other followers