Complexo de Peter Pan

Desde os meus quinze anos tenho a firme certeza de que não há vida melhor que o Jardim de Infância. Imagine só passar o resto da sua vida se pintando com tinta guache, fazendo presentinhos de palitos de picolé pra sua mãe e canecas de papel machê pro papai – e todo mundo achar lindo quando você fala cola-cola ao invés do nome certo daquela bebida horrorosa. Imagine ganhar brinquedos todo Natal. Imagine fazer beicinho e receber o que tanto quer. Good times.

E aqui estou eu na casa da mamãe. Devo admitir: estou tendo muito mais dificuldade em me adaptar à nova vida de gente grande que minha irmã do meio. Bem, vamos ver: ela realmente não é “adulta” ainda – não na concepção “eu pago as contas” do termo – mas é ela quem vai às reuniões de condomínio; é ela quem escolhe os móveis novos; e é ela quem tem mais desenvoltura pra explicar porque está saindo água pelo ralo da área. Digamos que eu seja a faz-tudo da casa: problemas com a antena? A corda de roupas arrebentou? Alguém tem que lavar o banheiro? Deixa pra Eri aqui.

Além de todas as regalias que existem na casa de mammy – comida saudável, sucos de vários sabores, tv a cabo, cerveja de graça – eu ainda tenho minha mãe e minha irmã mais nova, sendo esta última o meu ideal utópico (eita redundância) da boa vida. Ah, eu quero ter quatro anos e meio para sempre.

Uma resposta to this post.

  1. Publicado por baru em 29 Fevereiro, 2008 às 12:32 pm

    Haha, eu sempre tenho a impressão que não lavam a confeitaria direito. Mas acho que é porque ela é meio escura!

    Porque todo mundo fala de comida da mãe :( Mesmo quando eu era tiança, ela só fazia em ocasiões especiais. A gente cresceu com meu irmão fazendo o arroz, e as comidas congeladas todas – compradas no supermercado ou encomendadas para cozinheiras, e as vezes da mami, vá lá. Hoje em dia aqui cada um faz o seu – como há anos – e quem cobiça comida de alguém é minha mãe, que já me encomenda o jantar pelo telefone antes de chegar!

    Responder

Responder a esta postagem