_ Então: quando foi exatamente que você começou a sentir as náuseas, a falha de memória?…
_ Há mais ou menos uma semana, doutor. Eu não sei mais o que fazer: já tomei um monte de remédios, chás milagrosos, já fui benzido por uma preta-velha e por um pastor. Esta coisa não sai de mim.
_ Calma, rapaz. Eu preciso saber o que aconteceu um pouco antes dessas reações estranhas aparecerem. Precisamos refazer os seus passos até encontrarmos a origem disso tudo.
_ É difícil lembrar com detalhes… Lembro de uma sexta à noite. Lembro dos drinks, da aposta pra ir falar com a morena de vestido vermelho no bar; lembro de ir ao banheiro, meio tonto, e tinha esse velho careca logo ao meu lado.
_ Sim… E quem foi falar com a morena no bar?
_ Bem… Lembro do rosto dela entre os meus lençóis, já que o doutor quer saber.
_ Sei, sei. E do que mais você se lembra?
_ Lembro de que aos três anos, caí do triciclo e nunca mais fui na casa da minha tia-avó.
_ Sua memória parece estar desorganizada. Você consegue me dizer o que comeu ontem no café da manhã?
_ … Acho que não.
_ Vamos precisar de alguns exames. Enquanto isso, tome este remédio duas vezes ao dia. Marque sua próxima consulta para a semana que vem, no mesmo horário.
_ Sim, doutor. Obrigado.
- – -
Do lado de fora, seis pessoas esperavam pelo atendimento. Uma senhora gorda e muito maquiada; um menino esquálido, ouvindo som na última altura; um jovem de mais ou menos vinte e tantos, de terno e gravata; uma punk de cabelos verdes e calça mais verde ainda; uma senhora de uns cinquenta anos roendo as unhas; e um velho careca com um paletó surrado.
_ Você…
_ Cuidado. Eles podem te ouvir.
Publicado por baru em 17 Maio, 2009 às 12:30 am
_ Cuidado. Eles podem te ouvir.
Hum, and we don’t want THAT!