Um brinde ao velho safado

Em 2004 conheci um gaúcho chamado André: cabeludo, loiro, jeito de maluco, louco por jazz e samba antigo, e fã de Frank Herbert e Tolkien. E de Charles Bukowski também.

Eu nunca tinha ouvido falar em Bukowski. Minto: um primo meu, praticamente uma traça em forma de gente, uma vez me perguntou se eu já tinha me aventurado num Bukowski. Eu tinha uns 18 anos e estava lendo Tolkien, e não me entusiasmei quando ele me fez um resumo das obras dele – ele estava muito envergonhado; na época ainda era um cara “religioso”.

Aí, André entrou na minha vida: noites insones no Japão acompanhadas de muito vinho tinto, nós discutindo sobre ficção-científica, o quanto Arquivo X era bom nas primeiras temporadas, as coisas estranhas que víamos no Japão, e afinal, balrogs tinham asas? E aí ele me falava sobre Bukowski.

_ Guria, tu tem que ler alguma coisa do velho! Se eu achar um livro dele por aí, te compro de presente!

Bem, ele encontrou – mas estava em japonês e, segundo ele, a tradução era uma bosta. Tiraram toda a parte safada do velho. Sacrilégio.

Algum tempo depois, eu já de volta ao Brasil, conheci Rafael. Trocamos telefone, saímos pra ver Old Boy e tudo começou. Nosso primeiro beijo foi numa sessão de cinema de um filme coreano cheio de sangue, armas e vingança, que lindo. Eu enchi a cabeça dele de Clive Barker, ele me encheu de Neil Gaiman, e eu mencionei os autores que ainda não havia lido, mas gostaria de ler. Bukowski era um deles.

Enfim, algo despertou em Rafael e, um belo dia, ele me disse que precisava comprar um livro do velho. Precisava ler Misto-Quente. Tá, compra, então. Acabei achando o livro primeiro e, como ele havia me pedido, comprei. Isso foi na terça-feira. Já estou nas dez páginas finais.

Charles Bukowski escreve de uma forma tão sincera, real e crua que você consegue ver as cenas na sua frente. Sem rodeios, sem floreios, sem os barroquismos que eu tanto gosto. Mas, what the hell, o velho escreve muito bem. Em alguns momentos senti pena de seus personagens; em outros, raiva. Costumo ser muito emotiva com livros: sempre choro quando Gandalf morre, sempre sinto nojo lendo Livros de Sangue – mas nunca os deixo de reler.

Que venha a próxima rodada de Bukowski.

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Autor: Lis

A wicked witch.

3 comentários em “Um brinde ao velho safado”

  1. Eri, a senhora é uma garota safada hem….. rs nossa cada aventura, Rafael, André…. meus parabéns…..rs
    Bom, parabéns também pelo grande gosto pop culturaç Nell Gaiman, Arquivo X, Tolkien, Bukowski, e é claro,hehehee, jpop. Ganhou mais pontos por ser tão eclática. Não sei se percebeu lendo o meu blog (danielmiyagi.blogspot.com) também gosto de falar de várias coisas, se num post falo de algo sério, outro talvez seja triveial, se num é de dorama japonês, no outro pode ser de novela brasileira, etc
    E por fim, também não sei se percebeu, o seu serori, junto com outros, acabou sendo um vício gostoso, que preciso ler e comentar…..
    Ah, obrigado pelo comentario
    bjs

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