Tem certas coisas que eu não sei dizer

Na semana passada recebi um telefonema inesperado. Era o meu pai.

Depois de meses sem nos falarmos, o conteúdo da conversa foi: como você está? quais as novidades? e o trabalho, os estudos? me conta da família… e você vai tentar ir pro Japão de novo mesmo, filha? nossa, que orgulho… você já morando sozinha! e trabalhando, se esforçando… você sabe que eu tenho um orgulho muito grande de você, filha. e você sabe que, mesmo desse meu jeito torto, eu te amo muito, muito mesmo.

Eu sei, pai.

Eu sei porque sou igual, em várias sentidos que, durante muito e muito tempo, me fizeram acreditar que eu não deveria ser. Sempre tive em mente que o jeito “certo” de ser é demonstrar o que sentimos da forma mais direta. Quando eu tinha – ou tenho – um problema, eu me fecho sobre ele, divago, sofro com ele… Invariavelmente eu tento me aproximar de alguém para conversar, mas é muito difícil. As minhas maiores dores eu transformei em poesia ruim.

Mas é a minha saída. O meu escape. A minha solução, e a minha droga. É como eu sou, damned.

Certas coisas mudam. Nós mudamos quando queremos mudar. E eu acabo de perceber que não quero mudar isso em mim. Eu não preciso telefonar pra alguém e dizer “eu te amo” a todo momento. Tenho certeza que todos aqueles que me amam sabem que eu os amo também.

E viva a diferença.

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Autor: Lis

A wicked witch.

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