A menina ostra e o mundo das palavras

(Nossa, acho que vou escrever um livro infanto-juvenil com esse título.)

– – –

Eu sou o tipo de pessoa que, quanto mais pensa, sente, imagina, mais se fecha. Dificilmente vou dizer ali, no momento, exatamente o que se passa na minha cabeça – ou no meu coração. Isso quer dizer que eu tenho um timing péssimo, sou rancorosa e me magôo fácil; também quer dizer que tenho uma bolsa de paciência beeeem grande, mas que, infelizmente, vive cheia (para certas coisas). Resumindo: eu tenho o perfil daquele tipinho sociopata que, um belo dia, vai implodir.

E o que alguém assim faz, amiguinhos? Procura válvulas de escape.

Desde os meus 12 anos a minha fuga favorita é a literatura. Eu escrevo, leio, escrevo, escrevo, apago, depois escrevo de novo; leio em voz alta quando estou sozinha, releio o que escrevi há séculos atrás, apago, reescrevo.

É mais seguro? Sim. É mais duradouro? Sim, porque eu posso reler o que senti naquele momento, posso remoer aquela dor, aquela lembrança. É mais doloroso? Possivelmente sim. Mas é o único modo que eu sei fazer.

Não que eu não tenha tentado o modo das pessoas “normais”. Já agi algumas vezes de forma impulsiva. Já pensei menos sobre o meu próximo passo: invariavelmente, me dei mal.

Outro dia me disseram que agir dessa forma – guardar os sentimentos, não agir de forma direta – é falsidade. Então, quando eu pego o que sinto e transformo em literatura, por exemplo, isso é falsidade?, perguntei. Sim, me responderam.

Daí, depois de VÁRIOS DIAS, aqui estou eu com a conclusão dessa história:

O melhor de tudo seria, então, simplesmente sentir. Apenas isso. Não dizer, não transformar em nada que não seja originalmente o sentimento. Porque quando você o toca, seja ao falar o que sente para alguém, seja ao escrever sobre o que se sente, o sentimento já deixou de ser o que era e passa a ser algo falso – só um simulacro do que um dia já foi.

Estou com vontade de queimar tudo o que já escrevi, deletar tudo, jogar corretivo por cima.

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Autor: Lis

A wicked witch.

3 comentários em “A menina ostra e o mundo das palavras”

  1. Olha você tem que parar de escrever posts fingindo que sou eu, eu vou acionar meus advogados. E como eu odeio advogados, eu vou ficar muito irritada.

    Isso dito, acho que sua conclusão não procede. Todo mundo vive em simulacro. Não existe gente “normal”. Gente é gente, não somos pré-fabricados.

    Você precisa de semótica na sua vida!

    Vamos pensar: você parece estar discutindo entre ser e parecer. Essência x aparência.

    Assim, o verdadeiro (parece e é), o mentiroso (parece mas não é), o falso (não parece e não é) e o segredo (não parece mas é).

    Ser falso é faltar em essência e aparência. Não dá pra ser falso se tem essência. Sua literatura não é falsa. Dan Brown é falso.

    Para ser verdadeira, parecer e ser, você precisa aprimorar sua técnica. Assim ela pode seguir a essência. Encontrar a estrutura literária que faça transparecer sua essência vai tornar uma obra verdadeira. Você só vai atingir isso trabalhando honestamente (para você e para seus objetivos, e não pra vender, tipo Dan Brown).

    Pior seria você ser mentirosa. Vir de essência e não deixar que ela transpareça na aparência.

    Acho que pra você, agora, sua escrita está no nível do segredo. É por isso que tudo parece elusivo.

    Pode queimar esse corretivo!!!

    1. Preciso de mais umas cinco cervejas pra chegar ao âmago do seu comentário, Babs. Mas pode deixar, não vou me desfazer dos meus escritos: eles são parte importante de quem sou hoje. Não tê-los mais seria como não mais me ter.

      Tiamu!!! ^___^

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