O filme do Azulão

AVISO: TÁ CHEIO DE SPOILERS. NÃO VIU O FILME, NÃO LEIA. OU LEIA, SEI LÁ.

Ontem fomos eu e meu sol e estrelas levar little sis ao cinema. O pedido: assistir a Man of Steel. Como a guria só tem 10 anos, assistimos ao filme dublado, sendo o time capitaneado pelo meu querido Guilherme Briggs.

Bem. Vamos começar do seguinte: eu não sou fã do Azulão. Nunca li uma HQ dele. Minha cultura veio exclusivamente dos filmes e do que fãs de HQ me contam – e daquele desenho antigo da Liga da Justiça. Lembro-me principalmente do Superman Bizarro, mas isso é assunto pra outro dia.

Fui ao cinema sem altas expectativas. É sempre melhor assim, pois temos menos decepções. Pelo título do filme – Man of Steel – eu sabia que não iria ver um filme do Superman cânone. Ele não seria ali o escoteiro, bom moço, salvador de gatinhos no alto de árvores ou senhorinhas fugindo de ladrões. Disso eu já sabia, e não me incomodava. Estava ali para assistir a um reboot na história do camarada.

Reboot este, na minha fecal opinião, feito de forma um tanto quanto irregular. Dá pra sentir a diferença de ritmo no filme. Antes da porradaria a nível divino começar (o que é totalmente justificável: afinal, kriptonianos são como deuses na Terra) eu estava aceitando tudo até que muito bem. Bons flashbacks (lembrei-me de Lost), ajudando a nos mostrar quem era o Clark Kent. Fiquei feliz em não ver o babacão que o Christopher Reeve representou. Pardon my french, mas o Clark do Reeve é um panaca… E a meu ver, o personagem precisava de uma roupagem nova.

Foi a primeira vez no cinema em que tivemos um vislumbre do que foi Kripton, tanto por meio da introdução do filme quanto pelas falas e atitudes do General Zod. Reconheço que continuo amando o General Zod do filme de 1978, representado pelo um tanto canastrão Terence Stamp. Mas aí entra a memória emocional, eu revendo sempre o filme na Sessão da Tarde, memorizando falas e tals.

Eu preciso dizer que gostei do Henry Cavill? Oks, deixando de lado a Lis menininha que achou o ator um gato, vamos aos fatos: é muito mais acertado apostar em um rosto novo do que procurar uma cópia do Reeve, como fizeram escolhendo o Brandon Routh no filme de 2006. Tanto que o guri cópia do Reeve não vingou no papel.

Os muitos paralelismos com a vida de Jesus Cristo ficaram bastante descarados. Não sei se gostei ou não, mas acho que um pouco mais de sutileza poderia ter ajudado.

Faora-Ul. Foda. Só isso que vou dizer.

Consigo entender que este não foi um filme do Superman. Estamos ainda vendo como ele vai formar seu caráter: isto leva tempo, e pudemos ver os alicerces nos quais ele irá se moldar.

Mas vamos ao que não gostei… O poder de teletransporte da Lois Lane. Toda vez que algo grandioso está acontecendo, ela está lá. Curioso que, no início do filme, ela se mostra realmente uma jornalista ganhadora do Pulitzer: dá pra crer nisso, ela é competente, decidida e intrometida, requisitos necessários para uma jornalista de sucesso. Mas daí a se materializar perto do Azulão a todo momento? Aí não dá.

A cena do beijo não coube. Não precisava ter, sinceramente. E não, não é invejinha: só senti que isso foi desnecessário no roteiro.

A cena do furacão. Pelamordedels, quem em sã consciência iria voltar pra salvar o cachorro? Eu sei, eu sei: nossa, que insensibilidade a minha… Mas ali, naquela situação, era o cão ou eu. Quer dizer, o cão ou o Kevin Costner.

Depois de ter assistido ao filme, ouvi dois podcasts sobre o dito cujo: o do Jovem Nerd e o do Cinema Com Rapadura. Senti-me em cima do muro, pois não consegui fazer parte nem dos que gostaram e muito menos dos que não gostaram da película. Mas percebi duas coisas nos comentários de quem achou o filme uma bosta: muita gente não prestou atenção.

A maioria das perguntas são respondidas nas falas dos personagens. E sinceramente, as que não são, não precisam ser respondidas ali, na sua cara. Use a imaginação. Conjecture sobre uma sociedade diferente da sua, com outros valores, outra forma de pensar. Tente se pôr no lugar dos outros, e mais difícil ainda, pensar como aquele outro pensa. Acho que estamos muito mal acostumados a assistir a filmes que nos dão tudo mastigadinho e separadinho.

E finalmente, o Azulão pôs a cueca do lado certo da roupa 🙂

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Autor: Lis

A wicked witch.

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