A Mão Boa

Começou como um incômodo. Um comichão, um belisco, uma dorzinha chata. Pensei que era só o excesso de trabalho, a pressão para que tudo fosse entregue no prazo, às pessoas certas, no momento certo. Não conseguia nem estalar os dedos da única mão boa – era assim que eu a chamava.

Sempre foi um amor agridoce aquele nosso. Eu adorava e detestava ser canhota. Só aprendi a usar um abridor de latas aos 13 anos, e mesmo assim, ainda hoje sofria às vezes. Ah, mas agora tem abridor pra canhoto também, alguns irão dizer. Mas a minha Mão Boa não ia se curvar a fazer tarefa tão ridícula. Isso ela deixava pra outra.

Pois aí está que a minha Mão Boa adoeceu. Doía, inflamava, não se dobrava o seu polegar. Não conseguia mais escrever, mal podia segurar. Fui ao doutor, dei-lhe os remédios, dei-lhe repouso. Melhorou, para depois piorar como se estivesse com a gripe espanhola – e agora está aqui toda enfaixada, engessada, dolorida.

Agora, é a Outra que tem que aprender a fazer tudo o que a Mão Boa fazia… Mas a Outra nunca me valeu de muita coisa. Está sendo difícil, mas estamos tentando nos dar bem, nós três. Vejamos até onde isso vai.

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