Era o fim do mundo

Uma tempestade me acordou.

Ouvi o miado do gato, quase um general, ordenando-me a levantar, fechar as janelas, secar a água da chuva que molhava o chão.

Adormeci com o rádio ligado. Estava mal sintonizado, mas ainda conseguia ouvir a melodia.

Steal away in the morning
Love’s already history to you
It’s a habit you’re forming
This body’s desperate for something new
Just A Matter of Feeling
These moments of madness are sure to pass
And tears will dry as you’re leaving
Who knows, you might find something to last…

A janela do quarto parecia que ia se quebrar a cada rajada de vento. Fechei o basculante e travei os vidros. Corri para a sala, o gato nos meus calcanhares. Rápido, ele miava. Rápido, repetia.

O céu era um mar revolto em noite sem estrelas. Algumas vezes iluminava-se com raios. Eu podia sentir os trovões no meu estômago. No prédio da frente, as pessoas aglomeravam-se nas varandas. Gritavam, horrorizadas, apontando para baixo.

No lugar da rua, havia um rio. Os carros flutuavam. Tudo estava tomado pela água.

Fechei a janela da sala, rezando para que o vidro já trincado pudesse manter a tempestade lá fora.

Um trovão, e outro, e mais um. Um raio caiu no prédio da frente e pude ver uma grande rachadura no concreto. O que pensei serem trovões era, na verdade, o som do prédio ruindo. Pessoas caíam das varandas; algumas voavam por alguns metros antes de sumir na água lá em baixo.

Ajoelhei no chão. O gato sentou-se ao meu lado.

O que vamos fazer?, ele miou.

Então eu acordei.

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Autor: Lis

A wicked witch.

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