Diálogos com Clarisse

Terminada a primeira das vinte (novas) sessões de fisioterapia, ponho a tala  no braço doente. Volto direto para a caverna ou vou passear um pouco pelas redondezas?

_ Vamos andar – diz Clarisse. – Não aguento mais ficar enfurnada naquela casa, olhando pras paredes e pro gato.

_ Mas com essa cara? Com essa roupa?

_ Quem se importa? Não são eles que pagam as suas contas.

_ … E pelo andar da carruagem, daqui a pouco nem eu mesma vou pagar – digo, baixinho.

Entro nas lojinhas de quinquilharias, passando os olhos por coisas que não quero lembrar. Vou até a loja de eletrodomésticos, pesquisar preços de batedeiras.

_ Onde você está com a cabeça, sua doida? – ela me repreende. – Tem que economizar. Isso daí agora é luxo.

_ É, eu sei… Só estou olhando.

_ Você é mesmo muito masoquista.

_ E você nunca tem uma palavra gentil para mim, né.

_ Nah, também não é assim.

Escondida, conto os dias até a partida de Clarisse. Sei que ela virá novamente mês que vem, com suas cobranças, temperamento instável e humor efêmero. É um mal necessário, tento me dizer.

Mas é um mal.

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Autor: Lis

A wicked witch.

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