Muito prazer, Tenossinovite

No início de Dezembro de 2014, comecei a sentir muitas dores na mão esquerda. No Monte de Vênus, próximo à base do polegar. A dor às vezes subia até o cotovelo, às vezes não. Depois de dois dias com a dorzinha incômoda, fui ao ortopedista. Receitaram-me analgésico e repouso – caso ainda sinta dor na semana que vem, retorne aqui, o médico disse. Era uma sexta-feira e na semana seguinte eu entraria de férias. Eu só tinha mais dois dias de trabalho – trabalho intenso e incessante. A japonesa dentro de mim falou mais alto e eu me enchi do espírito de gaman (我慢 – perseverança, paciência, tolerância, abnegação). Suportei esses dias bravamente, munida do meu velho amigo analgésico.

Quando não pude mais suportar e meu braço esquerdo já tinha quase o dobro do tamanho, fui ao ortopedista novamente. Deram-me injeção, receitaram-me anti-inflamatório e mais alguns outros remédios – use esta tala durante no mínimo 15 dias, o médico disse. O diagnóstico seria tenossinovite, mas como eu estava em uma emergência e fora da minha cidade, o médico recomendou continuar o tratamento em uma clínica perto de minha casa.

sinoviteResumindo a novela: veio 2015, fui ao médico de novo. Ah, você está bem, já pode retornar ao trabalho. Faça 10 sessões de fisioterapia, o médico disse. No segundo dia de trabalho, meu braço voltou a inflar. Meus dedos pareciam linguiças. De lá para cá, foram duas talas de gesso, muitas idas a vários médicos, exames e afins. Depois de vários diagnósticos possíveis, sabem o que eu tenho? Tenossinovite – inflamação do revestimento do tendão – devido a lesão por esforço repetitivo.

Hoje completei metade das sessões de fisioterapia. Estou me recuperando, e não sei se ainda teria minha sanidade mental se não fosse pela minha família, alguns bons amigos, minha fisioterapeuta e meu namorado, que tem me aturado pessoalmente aqui. Calculem o grau de neurose em que eu devo me encontrar…

Estou afastada do trabalho desde Fevereiro. Nunca fiquei sem trabalhar na vida, sem ter o compromisso com horários, prazos. Estou segurando as pontas, aprendendo a me virar com a mão direita. É uma vitória comer, cortar alguma coisa; estender a roupa no varal, me vestir. Ainda não consigo escrever com a mão esquerda, e isso me faz sentir muito inútil. Para digitar, estou usando sete dedos: cinco da mão direita e o mindinho e anelar da esquerda. Curioso perceber o quanto somos dependentes de um único membro de nosso corpo.

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Autor: Lis

A wicked witch.

2 comentários em “Muito prazer, Tenossinovite”

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