“Indy Girls” – personagens femininas na franquia Indiana Jones

Um dos meus sonhos de infância era ser arqueóloga – e a culpa é toda do Indiana Jones. Afinal, quem não quer viver aventuras por aí, descobrir relíquias históricas inestimáveis e dar aulas de arqueologia, atendendo em seu escritório na quarta, mas não na quinta?

Neste feriado prolongado, fizemos uma meia-maratona dos filmes do Indiana Jones. Digo meia porque paramos na segunda película. Eu já perdi a conta de quantas vezes já vi cada um deles – principalmente Indiana Jones e o Templo da Perdição, meu favorito. Eu tinha um pavor danado daquela seita doida e de ter meu coração arrancado do peito em sacrifício à Kali. Mas desta vez, eu foquei em algo que nunca me chamou a atenção: as personagens femininas. Eu nunca tinha percebido que há apenas uma, UMA personagem feminina em cada filme – isso antes do mais recente O Reino da Caveira de Cristal. Então eu queria dividir aqui algumas informações colhidas pelas interwebs e elucubrações minhas sobre cada uma das Indy Girls.

Os Caçadores da Arca Perdida: Marion Ravenwood

Ano: 1981

Atriz: Karen Allen

Fonte: www.sideshowcollectors.com
Fonte: http://www.sideshowcollectors.com

Filha de um famoso arqueólogo amigo e também mentor de Indiana Jones, Marion deixa claro logo no início do filme que já teve um envolvimento romântico com o protagonista. “Eu era uma criança e você sabia que era errado”, ela diz. Isso me faz pensar que ela era inexperiente e Indy, não. No oráculo da Wikipedia diz que há época do relacionamento, Marion possivelmente tinha 16 ou 17 anos, enquanto Indy tinha 27. Nosso protagonista vai até o Nepal em busca do pai de Marion, não necessariamente dela; ele precisava de uma peça específica para seguir em busca da Arca da Aliança. Marion é usada, então, como recurso de roteiro para que a história siga em frente.

Na primeira cena, Marion está disputando quem bebe mais em seu bar no Nepal. Suas roupas, modos e falas nos mostram que ela é uma mulher independente e que consegue se virar muito bem sozinha – isso até se envolver novamente com Indiana. Depois disso, ela passa a ser a donzela em perigo, precisando ser resgatada. Marion tenta enganar o arqueólogo francês estereotipado Belloq com a arma mais clássica: a sedução. Usa o vestido que ele lhe dá e tenta embebedá-lo, mas não consegue fugir. Na cena com os piratas, é tratada como possível escrava sexual e objeto – eu vou levar o que eu quiser, diz o malvado nazista para o pirata.

Eu mencionei que é a única personagem feminina no filme? Pois é.

Indiana Jones e o Templo da Perdição: Willie Scott

Ano: 1984

Atriz: Kate Capshaw

Fonte: indianajones.wikia.com
Fonte: indianajones.wikia.com

Talvez a mais irritante Indy Girl de todos os filmes, já que a principal característica de Willie é conseguir gritar. Ela é uma famosa cantora local em Xangai (e obviamente se envolvendo com as pessoas erradas) quando esbarra com Indiana. Retratada como uma mulher fútil, que odeia o ar livre e só pensa em diamantes. Era a garota de Lao Che, o gângster chinês malvadão.

O que eu consegui ver de forma positiva desta vez é que é necessária muita coragem para meter a mão naquele buraco na parede e puxar a alavanca que salva Indy e Short Round. Um zilhão de insetos nojentos e gosmentos naquela sala, pelo chão, caindo por cima dela, dentro do buraco na parede… Eu acho que não conseguiria. Duvido que muita gente conseguisse. Fora isso, Willie é o alívio cômico do filme, muito mais até que o Short Round. E por que ela teve de seguir com Indiana nessa aventura? Não sei. Acho que foi porque o roteirista disse. Não faz sentido ela fugir com Indy depois que eles saem do clube Obi Wan. Ele poderia ter pego o antídoto para o veneno que havia tomado e tchau, tchau, Willie.

Eu mencionei que é a única personagem feminina no filme? Pois é.

Indiana Jones e a Última Cruzada: Dr. Elsa Schneider

Ano: 1989

Atriz: Alison Doody

Fonte: cinema.theiapolis.com
Fonte: cinema.theiapolis.com

FINALMENTE, UMA MULHER ARQUEÓLOGA! Nossa, que alegria. Olha só, ela tem doutorado!

… Mas aí a alegria dura pouco, pois Elsa nos é descrita como ambiciosa, e no mau sentido: ela está mancomunada com os nazistas para obter o Santo Graal a qualquer custo. Além disso, temos o julgamento de valor subentendido quando descobrimos que ela já teve um caso com o Dr. Henry Jones, pai de Indy, e agora seduziu o próprio Indy. Poxa, ela é ambiciosa mesmo, né! Eu não a culpo, porque até eu queria o Sean Connery e o Harrison Ford.

No final, pela sua cega busca ao Graal, Elsa recebe a justa punição: morre. Peraí, será que é justo mesmo? Ela não poderia ter encontrado a redenção ali, e aprendido no final a valorizar sua vida? Bem, o roteirista não pensou assim.

Eu mencionei que é a única personagem feminina no filme? Pois é.

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal: Irina Spalko e Marion Ravenwood

Ano: 2008

Atrizes: Cate Blanchett e Karen Allen

Fonte: indianajones.wikia.com
Fonte: indianajones.wikia.com

Irina Spalko é uma agente russa e a principal antagonista nesta história, e sua caracterização foi inspirada em Marlene Dietrich. Exímia esgrimista e aficionada por ocultismo.

Aqui sinceramente eu vou ficar devendo mais comentários, pois só fiz uma meia-maratona dos filmes e acabei não revendo este. O que tenho na memória é que Irina foi muito estereotipada: os maneirismos, a fala, a caracterização toda. Também aqui meio que se repete a questão da mulher ambiciosa. E eu não sou russa e a dona Blanchett também não, e só posso imaginar como foi a recepção do filme lá na Mãe Rússia. Será que dá pra comparar isso com aquelas black faces de antigamente? Não sei, conjecturas.

Fonte: indianajones.wikia.com
Fonte: indianajones.wikia.com

Ah, a Marion volta porque o filho dela com o Indy aparece. Não me lembro aqui da motivação dela ser outra, acho que era só para ir atrás do filho mesmo, né? Ah, claro: de todas as Indy Girls que já haviam aparecido, Marion era a mais desenvolvida na história. Claro que Elsa não poderia voltar, porque morta; e ninguém gostou da Willie.

DUAS personagens femininas em um mesmo filme de aventura. Nossa! Que recorde!

Pesquisando sobre as Indy Girls, encontrei no blog As Little As Possible um estudo mais detalhado sobre cada uma delas: pontos positivos, negativos, representação de gênero nas personagens e afins (em inglês). Não digo que passei a desgostar da franquia ou do gênero de aventura, mas estar consciente sobre a mensagem do roteiro e as representações dos personagens me fez despertar para as minhas escolhas cinematográficas atuais. Agora, estamos muito longe de dizer Anything Goes para qualquer filme (pun intended).

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Autor: Lis

A wicked witch.

Uma consideração sobre ““Indy Girls” – personagens femininas na franquia Indiana Jones”

  1. Só uns detalhes meio que fora do tema principal: O Templo da Perdição sempre foi o meu favorito, embora eu não ache que ele seja o melhor. Mas foi o primeiro Indy que vi, dentro de um mix tape do meu primo.
    Jamais faria a cena dos insetos. Jamais. A própria Kate Capeshaw teve que fazer, pois ela pediu pra usar uma dublê na cena da cobra e o Spielberg só aceitou com a condição de que ela fizesse a cena dos insetos. Achei um péssimo negócio.
    Que bom que as coisas estão avançando, temos Mad Max, por exemplo, e outras mulheres protagonizando filmes de ação (e arrasando nas bilheterias). Mas mais que no cinema, as mulheres estão chegando com tudo mesmo é na tv.

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