Os Pilares da Terra

Este ano forçadamente sabático tem me aberto os horizontes sobre filmes, livros e séries.

O livro, edição do Círculo do Livro em dois volumes. É esta que eu tenho
O livro, edição do Círculo do Livro em dois volumes. É esta que eu tenho.

Depois de desistir de acompanhar Game of Thrones porque já não é mais adaptação, e sim deturpação – hey, minha opinião; eu fiz exatamente o que os incomodados fazem, reclamei e parei de assistir – comecei a procurar séries novas para preencher o vazio dos meus dias. Nisso conheci a adaptação de Os Pilares da Terra, livro de Ken Follett, romance sobre a construção de uma catedral e suas implicações. No pano de fundo maior temos o período conhecido como Anarquia durante o século XII, na Inglaterra, quando houve a disputa pelo trono. Há muita trama política entre pequena nobreza e clero, a questão da religiosidade medieval e o papel da mulher. A inspiração veio da real catedral de Salisbury.

A minissérie é de 2010 e tem oito capítulos de uma hora cada. Eu os devorei em dois dias. A principal responsável por isso é Aliena, representada pela Hayley Atwell. Ela é tudo o que você não espera de uma filha de conde: inteligente, orgulhosa sem ser pedante, e com um senso de responsabilidade muito forte. A história começa com Aliena se negando a um casamento arranjado com o jovem William Hamleigh, que é um vilão completo. O conde, pai de Aliena, havia lhe prometido que permitiria seu casamento apenas se ela concordasse. Esse é o estopim para o início da história. Além da minha querida Hayley (sou fã da Agente Carter ❤ ), também temos no elenco o Eddie Redmayne como Jack, um jovem que vive na floresta com sua mãe. Ele vem a se apaixonar por ela e… Bem, vá ver a série!

Catedral de Salisbury. Fonte: www.pbase.com
Catedral de Salisbury. Fonte: http://www.pbase.com

É importante repetir: vá ver a série. DEPOIS leia o livro. Fiquei muito grata por só ter lido o livro depois, porque de outra forma, não teria assistido – por mais que adore a Hayley e o Redmayne. O livro é muito, muito diferente. Eles condensaram muito a história, que segue ainda durante muitos anos até que a catedral esteja terminada e o grande mistério sobre quem é o pai de Jack se resolva. O tio Follett consegue nos prender em sua narrativa muito bem e eu só senti cansaço mesmo em uma parte do livro, logo no início. Cada capítulo é escrito pelo ponto de vista de um personagem, o que nos ajuda a entender as motivações e desejos de cada um. Porém, a minha única ressalva é sobre o uso desse recurso

Capa do dvd da série. Fonte: cinegarimpo.com.br
Capa do dvd da série.
Fonte: cinegarimpo.com.br

com relação às personagens femininas. Há apenas três personagens de destaque: Aliena, obviamente a heroína; a mãe de William, Regan Hamleigh; e Ellen, mãe de Jack. As três possuem personalidades completamente diferentes e são muito interessantes. Sobre Aliena já comentei mais acima. Regan Hamleigh, por exemplo, é a cabeça pensante de sua família: é ela quem cria as maquinações e tramas possíveis para tentar elevar a posição dos seus. Já Ellen é uma mulher livre, que vive na floresta e não depende de ninguém, despreza a fé cristã e só respeita suas próprias vontades, não se curvando aos homens. Apenas Aliena recebe capítulos próprios, enquanto as outras duas são meras coadjuvantes.

Também me senti incomodada com as cenas de estupro, presentes e sugeridas bem mais de uma vez no decorrer do livro. Compreendo que é um traço de vilania do principal antagonista, William, e sua corja, mas enquanto mulher, qualquer violência desse tipo irá me incomodar.

Aliena e Jack <3 Nunca torci tanto pra um casal na literatura! Fonte: ritalovestowrite.com
Aliena e Jack Fonte: ritalovestowrite.com

Segui adiante com o texto mesmo sem saber o que esperar, já que o desenlace da série é completamente diferente. E foi uma das poucas vezes em que fui feliz em ter feito o caminho inverso – geralmente leio os livros antes de assistir às adaptações para tv e/ou cinematográficas.  Também é interessante comparar a visão do medievo que ele nos apresenta com os fatos. É claro que haverá diferenças, mas acredito que por ser um romance histórico, é importante que o autor mantenha sua liberdade imaginativa e tente conciliá-la com a acurácia histórica.

Fiquei tão empolgada que pretendo ler mais coisas do autor. Tio Follett é chegado em escrever tijolões e eu não tenho medo de livro grande.

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Autor: Lis

A wicked witch.

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