Terror noturno

Acordei no meio da madrugada sentindo uma dor intensa no peito. Tateei em busca do telefone celular, imaginando que horas deveriam ser. Semicerrei os olhos, sensíveis por causa da fria luz do aparelho.

Cinco e meia da manhã, murmurei. Soltei o celular novamente à cabeceira.

Deitei-me de costas, pondo a mão direita no peito. Era muito jovem para ter qualquer doença coronária, e não me lembrava de ninguém sofrer disso na família.

Mas também não conheço todo mundo, pensei.

Tentei me lembrar dos seriados de tevê sobre medicina e fiz um autoexame mentalmente.

Não sinto dor no braço esquerdo. Ou era no direito que se via isso?
Não tenho comido nada gorduroso. Não fumo. Não acabei de subir trinta lances de escada. Até deveria, mas…
Não estou com taquicardia, mas não sinto palpitação.

Levantei-me de súbito, os olhos arregalados na escuridão.

Não sinto palpitação!

Meu lado hipocondríaco acordou na mesma hora. Devo chamar uma ambulância? Devo chamar por socorro? Devo chamar minha mãe? E se eu morrer aqui, nesse quarto, e ninguém perceber? E se eu desmaiar?

_ E se não for nada e você só dormiu de mau jeito?

Era Clarisse do outro lado da janela. O zumbido do ar condicionado deixava sua voz distante e abafada, mas ainda perceptível. Ela jogou uma baforada de cigarro no vidro.

_ Há quanto tempo – sorriu. Uma linha tênue de fumaça saía pelo canto de sua boca.

E eu achando que tinha me dado férias permanentes dessa diabinha.

Anúncios

Autor: Lis

A wicked witch.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s