Cena do cotidiano 4: paixão interditada

Dormira mal na noite passada. Achou que já tinha se acostumado ao novo trabalho, à nova rotina – e aí vieram dois dias de horários diferentes e o relógio biológico enlouqueceu. Até retomar o ritmo, sabia que levaria tempo.

Arrastava-se para fora do metrô, seguindo a turba. Não precisava sequer pensar em pôr um pé depois do outro: o corpo já sabia o caminho até o escritório. Ouvia música sem prestar atenção, enquanto os lábios se moviam cantando a letra de outra melodia. Será que hoje vai dar tudo certo? Será que vou conseguir chegar viva ao final do dia?

Será que vai chover? Bem que podia, está um calor…

Resolveu atravessar a rua transversal à estação. Era um caminho um pouco diferente do que sempre fazia, mas quis aproveitar o sinal fechado. Uma obra acontecia na fachada de um prédio residencial. Estava atrás de uma senhorinha de cabelos muito brancos, acompanhada por seu marido. Os dois passeavam como se estivessem na orla da praia em uma tarde de primavera.

Diminuiu os passos para não atrapalhar o passeio do casal.

Lá na frente, havia uma placa.

20160407_084420

_ Meu bem, não podemos ir por ali.

_ Por que?

_ Interditaram a paixão.

_ Ora, veja só!

 

Eles trocaram sorrisos e dobraram a esquina.

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Autor: Lis

A wicked witch.

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