Álbuns que formaram o meu caráter (em ordem aleatória) – Parte VIII

O primeiro cd que eu comprei na vida foi da Madonna.

Eu tinha acho que uns doze anos quando entrei na loja de música (cada vez mais raras hoje em dia) e comprei o Immaculate Collection, que não era lançamento e por isso estava em promoção. Ouvi assim que cheguei do colégio; ouvi acho que umas três vezes seguidas.

Meu amor por Madonna não se desfaz e só fortalece, apesar de eu dar muito mais valor a certas músicas obscuras e em sua maioria já antigas. Sei das limitações de voz que ela tem – ela mesma já admitiu isso – e dou muito valor às benditas aulas de canto para o papel de Evita Perón naquele filme arrastado. Mas o que me atrai sempre na Madonna é a capacidade de reinvenção e, principalmente, o quão visionária ela costuma ser em suas melhores produções.

Como, por exemplo, nesta obra pouco valorizada de música pop que veremos abaixo.

madonna_bedtimestoriesO álbum: Bedtime Stories (1994)

Pesquisando rapidamente sobre os lançamentos musicais POP do mesmo ano, encontrei: aquele álbum do Seal que tem a única música que todo mundo já ouviu dele; aquele álbum da Des’ree com aquela única música que todo mundo conhece; CrazySexyCool, do TLC, que a gente pode jogar todo pra R&B (ou seja, estou mencionando de bônus); duas coletâneas, uma da Cyndi Lauper e outra dos Pet Shop Boys; e é basicamente isso aí.

Sabe quem estava quebrando a cabecinha, imaginando algo diferente mas dançante, rebuscado, charmoso e que fosse render bons clipes pra MTV? Ela mesma, a Madonna. Produzida pelo Babyface, que era O CARA naquela época – mal comparando, teve o Timbaland no início dos anos 2000 – Bedtime Stories tem arranjos muito bem feitos, músicas gostosas de se ouvir, algumas dançantes, outras sacolejantes, duas romantiquinhas e uma porrada aos haters. Vamolá:

As faixas:

01 – Survival (3:31)

Essa é uma das músicas que me põe pra cima quando estou meio deprê. Há anos não ouvia; quando resolvi tirar a poeira do cd, fiquei surpresa de ainda me lembrar da letra e do sentimento que ela me despertou.

I’ll never be an angel
I’ll never be a saint it’s true
I’m too busy surviving
Whether it’s heaven or hell
I’m gonna be living to tell

E realmente, eu ando muito ocupada sobrevivendo.

02 – Secret (5:05)

Adoro videclipes em sépia ou preto e branco. Esse aqui é um deleite. A força do contraste das imagens e as cenas nas ruas são muito bonitas. Dá pra tocar música da Madonna no violão, gente! E esses versos aqui falam de autoestima e companheirismo de uma forma maravilhosa:

You gave me back the paradise
That I thought I lost for good
You helped me find the reasons why
It took me by surprise that you understood
You knew all along
What I never wanted to say
Until I learned to love myself
I was never ever lovin’ anybody else

06 – Human Nature (4:54)

A polêmica do álbum é sem dúvidas esta música aqui. Vou deixar só o pedaço do refrão no qual era murmura entre os versos para a gente ter ideia da mensagem:

And I’m not sorry (I’m not apologizing)
It’s human nature (Would it sound better if I were a man?)
And I’m not sorry (You’re the one with the problem)
I’m not your bitch don’t hang your shit on me (Why don’t you just deal with it)

‘Cause I’m not sorry (Would you like me better if I was?)
It’s human nature (We all feel the same way)
And I’m not sorry (I have no regrets)
I’m not your bitch don’t hang your shit on me (Just look in the mirror)

And I’m not sorry (I don’t have to justify anything)
It’s human nature (I’m just like you)
And I’m not sorry (Why should I be?)
I’m not your bitch don’t hang your shit on me (Deal with it)

O que faz pensar: se fosse um homem se posicionando da forma que ela fez no álbum anterior (Erotica), como teria sido a recepção da crítica e do público? Ou um homem tão assertivo e aberto sobre sua sensualidade e poder, seria visto como algo ruim, como muitas vezes foi dito sobre a Madonna? Recomendo deliberar sobre essas questões tomando um cafezinho.

10 – Bedtime Story (4:53)

Já tá alegrinho de café, coca-cola, cerveja, vinho ou o que seja? Porque pra assistir a esse clipe, tem que estar. Afinal de contas, quem escreveu a letra foi a Björk.

Let’s get unconscious, honey 😉

Isso foi feito mil anos luz antes de muita gente boa que veio depois, sabe. Tem gente que não vê o quão avant-garde essa mulher é.

11 – Take a Bow (5:21)

All the world is a stage
And everyone has their part
But how was I to know which way the story’d go
How was I to know you’d break
You’d break my heart

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Autor: Lis

A wicked witch.

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