Diálogos com Clarisse: o retorno

Não li o horóscopo ontem, mas pela lua minguante e o período do mês, era certo que receberia a visita de Clarisse por esses dias.

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Fonte: http://www.ganhaquemperde.com.br

Senti isso na sexta-feira. Uma desconfiança no canto dos olhos, um ardor nos ouvidos, uma dorzinha chata debaixo das narinas. Ela ia chegar e meter os dois pés no meu peito, estapear minha autoestima e sentar sobre qualquer nesga de otimismo restante.

_ Que faça isso logo, então.

_ Mas eu já fiz – Clarisse acendeu outro cigarro.

(Eu sempre coloco a palavra “outro” nessa frase porque Clarisse está envolta em uma eterna nuvem de fumaça. Aquele nunca era o primeiro cigarro.)

_ Ah, não precisa fazer tanto drama. Você já teve crises piores.

Era verdade.

_ Eu não te forcei a beber. Não te forcei a ouvir aquelas músicas. Não te forcei a nada.

Isso também era verdade.

_ Não entendo porque não podemos ser amigas.

Eu queria arremessar o travesseiro naquela cara cínica. Queria afogá-la na piscina. Queria bater em sua cabeça com o martelo de amaciar carne. Mas não ia adiantar nada.

_Você me faz mal – disse, mais para dentro que para fora.

_ E eu sou ótima em fazer isso, vamos admitir – sorriu Clarisse.

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Autor: Lis

A wicked witch.

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