Meu amor por Machadão

Apaixonei-me por Machado de Assis ainda na pré-adolescência.

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Enquanto a maioria da turma achava a leitura um hábito sacal, eu e algumas poucas almas nos refugiávamos na biblioteca da escola, procurando por livros raros, cheirando as páginas dos recém-chegados volumes, pesquisando nas enciclopédias gigantes no tempo em que não havia Google.

Em uma dessas tardes, esbarrei em uma coletânea de contos de Machado de Assis. Ele ainda era só um nome na lista de leituras do semestre. Lembrei-me de quando acompanhei minha mãe à papelaria para comprar os materiais necessários para o ano letivo. Associei prontamente seu nome ao retrato daquele homem com óculos de aros finos e barba penteada, olhar distante e pele mulata que vi na capa de um dos livros comprados. Eu ainda não havia lido nada da história, apenas a contracapa na qual constava um breve resumo da trama e falava da importância do autor para a literatura brasileira.

No dia 21 de junho, comemorou-se os 178 anos de nascimento desse autor fenomenal. Totalmente a frente de seu tempo, com estilo único e incomparável, já traduzido para os mais diversos idiomas – sim, pode-se ler Machado de Assis até mesmo em japonês.

Já li crítico espanhol dizendo que Machado é maior até que Balzac ou Charles Dickens. Se fosse autor de origem francesa, inglesa ou americana, talvez fosse ainda mais reverenciado mundialmente. No meu coração, ele já o é ❤

Aproveito para compartilhar algumas citações do grande Bruxo do Cosme Velho.

“Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria.”
Em “Memórias Póstumas de Brás Cubas” (1881)

 

“Aos quinze anos, há até certa graça em ameaçar muito e não executar nada.”
Em “Dom Casmurro” (1899)

“Não há alegria pública que valha uma boa alegria particular.”
Em “Memorial de Aires” (1908)

“Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis…”
Em “Memórias Póstumas de Brás Cubas” (1881)

“Defeitos não fazem mal, quando há vontade e poder de os corrigir”
Em “Carta a Lucio de Mendonça” (24 de janeiro de 1872)

“Não é a ocasião que faz o ladrão, dizia ele a alguém; o provérbio está errado. A forma exata deve ser esta: ‘A ocasião faz o furto; o ladrão nasce feito.'”
Em “Esaú e Jacó” (1904)

“Quando estimo alguém, perdôo; quando não estimo, esqueço. Perdoar e esquecer é raro, mas não é possível; está nas tuas mãos.”
Em “Iaiá Garcia” (1878)

“–Que importa o tempo? Há amigos de oito dias e indiferentes de oito anos.”
Em “Ressurreição” (1872)

Fonte no site da Folha.

Mais

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Theda Bara. Fonte: http://www.boweryboyshistory.com

Era como se tivesse acordado de um torpor.

Sentia sede, sempre. A garganta seca, os lábios ávidos. Os olhos vidrados em busca de um cálice, um oásis, uma gota no deserto.

Ela sentia sede sempre. Não sabia o porquê. Naqueles últimos dias, sabia muito pouco sobre tudo: era uma criança desperta, neófita, sorvendo todo o tipo de conhecimento em que conseguia pôr as mãos.

Ela queria mais.


Talvez seja um argumento para uma história de vampiros. Talvez seja autobiográfico. Talvez não 😉

Morfina

Em 2011, quando me inscrevi no curso de Estrutura Literária ministrado pelo Eduardo Spohr, nunca poderia imaginar que dali surgiria uma confraria e uma coletânea de contos. Éramos onze pessoas empolgadas (eu de bendito fruto, única mulher no grupo): tudo era possível, enfrentaríamos os mares bravios, iríamos com tudo, go go team.

A primeira tarefa a ser vencida era, claro, escrever o bendito conto.

Lembro claramente da pressão que eu mesma joguei sobre os ombros. Sobre o que iria escrever? Vou montar o esquema que aprendi no curso, organizar tudinho e seguir à risca a jornada do herói? Ou vamos esperar a Musa tocar meu rosto e me empurrar no caminho certo?

No fim das contas, eu estava com uma página em branco diante de mim. Dentro do ônibus, um calor infernal, as têmporas suando. Fim de mais um dia de trabalho. Eu ainda atravessaria a cidade para chegar em casa.

Então a Musa soprou alguma coisa nos meus ouvidos.

Daí me veio a lembrança desta música e eu comecei a escrever no caderno. A caneta escorregava entre os dedos, rápida, garranchos lindos. A mão tentava acompanhar o pensamento.

 

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Fonte: R7.com

Conheci o Morphine por volta de 1998 graças a um cd que veio junto em uma edição da revista Bizz. Nem sei se a revista ainda existe, provavelmente não. Mas ali tinha Morphine, Marianne Faithful e mais um monte de gente boa da qual não me lembro agora. Esse trio ganhou meu coração instantaneamente porque o contrabaixo domina.

 

 

E sim, a minha história acabou sendo um pouco baseada na letra desta música.

Quando desci do ônibus, a história estava praticamente terminada. Eu iria passar a limpo, revisar, inserir mais algumas cenas – mas o coração estava lá, pulsando. A minha pequena diabinha dançava ao som de Morphine, insinuante em seu vestido vermelho.

Ishtar

Ishtar
Fonte: goddess-ishtar.tumblr.com

Ishtar, deusa babilônica – ou Inanna, deusa dos sumérios. Ou ainda Astarte, no oriente médio. Deusas da Fertilidade.

Conforme a representação dos deuses nas religiões politeístas, Ishtar possui uma ambivalência. É ao mesmo tempo maternal e sensual; benevolente e maléfica; carinhosa e impiedosa. Enquanto criadora de todas as bênçãos terrenas, também sofria com as tristezas humanas. Protetora do casamento e da maternidade. Deusa do amor, da fertilidade, da sexualidade – mas também deusa da guerra e das tempestades.

Uma das histórias sobre Ishtar que me é mais querida é sobre a sua descida ao submundo.

Ishtar teve que passar por sete portas e remover um símbolo do seu poder – como uma peça de roupa ou um pedaço de joia – em cada um. No último portão, nua e privada de todos os seus poderes, a deusa conheceu sua irmã Ereshkigal, que anunciou que Ishtar deve morrer. Ela morreu imediatamente e seu corpo foi pendurado em uma estaca.
Enquanto isso, o deus Enki soube que Ishtar estava desaparecida, e enviou dois mensageis para lhe restaurar a vida. Porém, para deixar o submundo, Ishtar precisaria substituir seu corpo por outro. A deusa ofereceu então seu jovem marido, Tamuz, para tomar seu lugar.

Este conto claramente representa o eterno ciclo de vida, morte e renascimento pelo qual passamos.

Ishtar era celebrada no hemisfério norte próximo do equinócio de primavera – bem próximo das festividades de Páscoa… Que coincidência, não? Nesta época, as pessoas decoravam ovos – símbolos de fertilidade – e os escondiam pelos campos, participando de uma brincadeira para encontrá-los depois.

Fonte: http://portal-dos-mitos.blogspot.com.br/2013/03/ishtar.html


Bem, como eu sigo a roda do ano equivalente ao meu hemisfério, estou aqui me preparando pra o Samhain que está chegando. Boa Páscoa para quem é de Páscoa 😉

Casa

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This little light of mine

Eu não me apego a lugares.

Da minha primeira casa, não lembro de muita coisa. Eu era só um bebê, um ano, um ano e pouco. Tenho umas lembranças de chuva caindo depois de uma tarde quente, e o cheiro de jasmim na calçada.

Da casa onde morei por mais tempo me lembro de todos os detalhes. Inclusive, quando sonho que estou em casa, é sempre lá. O apartamento pequeno mas cheio de vida, as tardes de sábado fazendo faxina e escutando música; brigar com a irmã, fazer as pazes, fazer cócegas em mamãe até ela quase chorar. Encenar peças de teatro improvisadas para o Dia das Mães. Árvore de Natal de papel. Disputar a única televisão numa sexta-feira à noite. Ajudar minha avó a fazer bolo.

Depois, teve o meu primeiro cantinho. Era um apê tão pequeno que a geladeira ficava escondida em um vão entre o banheiro e o quarto. Eu tomava café na área, apoiando a perna no tanque enquanto via o mundo apressado lá embaixo. Tardes divertidas com amigas; o sofá-cama vermelho; a mesa redonda; a pilha de roupa suja. O fim e o recomeço.

Quando tive que abrir mão desse meu canto e voltar a morar com minha família, me senti um lixo. Derrotada, acabada. Que pessoa é essa que não consegue pagar as próprias contas aos vinte e tantos anos? Como pode isso? Eu me sentia uma estranha naquela nova casa – sim, a família também já havia se mudado. Houve mais lembranças tristes também naquela nova casa quando minha avó se foi. Era difícil não relembrar o quanto ela sofreu no fim da vida.

Então houve a mudança. Vamos todos para um apartamento maior. Um quarto imenso, para mim e minha irmã do meio. É temporário, eu disse a mim mesma. Logo, logo, eu vou ter um canto para chamar de meu novamente.

E assim foi. Eu percorri quilômetros, subi a serra, encontrei um canto meu. Um canto para dois. Um canto para dois e um gato – quem sabe, filhos? Mas o Destino não quis assim.

Depois de cinco anos neste canto, uma estranha em uma terra de estranhos, eu faço a viagem de volta ao ninho. Mais madura, muito mais consciente de mim mesma, do meu valor e da minha capacidade. Incapaz de me encolher dentro da jaula, eu voo na direção de casa feliz. Feliz por saber que terei a melhor acolhida, e por compreender que o Destino é inexorável.

Tudo será como deve ser.


Há alguns dias, estava conversando com uma grande amiga e ela me lembrou de uma passagem de O Senhor dos Anéis muito memorável, na qual Aragorn conversa com Éowyn:

— O que teme, senhora? — perguntou ele.

— Uma gaiola — disse ela. — Ficar atrás de grades, até que o hábito e a velhice as aceitem e todas as oportunidades de realizar grandes feitos estejam além de qualquer lembrança ou desejo.

O que terá acontecido a Baby Jane?

(Ou: aqui vai uma tentativa de romper o hiatus criativo que minha mente anda sofrendo)

Desde que fiquei sabendo sobre a nova série que irá contar a história da rivalidade entre Bette Davis e Joan Crawford, estabeleci a mim mesma que precisava ver (e rever, em alguns casos) os filmes dessas grandes estrelas de Hollywood.

A série que irá estrear este ano pelo canal FX chama-se Feud: Bette and Joan, e é do mesmo criador de American Horror Story, Ryan Murphy. No elenco teremos Jessica Lange como Joan Crawford e Susan Sarandon como Bette Davis.

Reconheço que assisti menos filmes em preto e branco americanos do que gostaria, mas dentre eles tem pelo menos dois estrelando Bette Davis. Eu já a adorava simplesmente por causa da música Bette Davis’ Eyes

Imagem relacionadaMas enfim, neste fim de semana assisti a O Que Terá Acontecido a Baby Jane? (What Ever Happened to Baby Jane), filme de 1962. Eu já havia assistido a algumas cenas, mas nunca ao filme todo. Minhas expectativas estavam altas e eu não me decepcionei.

Baby Jane Hudson (Bette Davis) é uma antiga estrela mirim de teatro vaudeville que, como costumava acontecer, perdeu sua fama conforme foi envelhecendo. Sua irmã Blanche (Joan Crawford) acaba crescendo e se tornando uma grande estrela de cinema. Porém, após um misterioso acidente de automóvel do qual Jane é tida como culpada, Blanche acaba ficando paraplégica e recolhe-se do mundo e passa a depender de sua irmã Jane para tudo. O trailer do filme é uma delícia.

Baby Jane é uma vilã formidável: alcoólatra, mentalmente desequilibrada, totalmente apegada à sua infância gloriosa, ela odeia a irmã e a maltrata física e psicologicamente sempre que pode. Todas as tentativas de Blanche para pedir ajuda são frustradas. Ela se encontra totalmente à mercê de sua irmã.

Gostei muito da trilha sonora, é bem característica dos filmes da época, com temas de fundo grandiosos e em compasso com as cenas. Tem uma canção específica que está na minha cabeça até agora: I’ve written a letter to daddy, que é cantada várias vezes e tem um tema instrumental também. A minha cena favorita com esta canção é quando Baby Jane canta, já mais velha:

 

A Blanche interpretada por Joan Crawford é bastante introspectiva, acuada, medrosa, representando bem como alguém passa a se comportar ao sofrer abusos psicológicos. Reconheço que adoro todas as cenas em que Jane fala alguma coisa para ferir Blanche (eu tenho um fraco por vilãs). São duas grandes atrizes aproveitando suas contendas fora das telas para nos dar representações memoráveis. O filme recebeu cinco indicações ao Oscar, entre elas Melhor Atriz (Bette Davis) e Fotografia Preto e Branco e Figurino, ganhando apenas este último. Tanto Joan Crawford quanto Bette Davis foram indicadas ao BAFTA de Melhor Atriz Estrangeira.

Encontrei no Medium um texto (em inglês) muito interessante sobre o filme e o diretor Robert Aldrich. Vale a pena a leitura 😉

 

Atlas de Nuvens

Cartas escritas por um viajante percorrendo as ilhas do oceano pacífico,no meio do século XIX. O diário de um jovem músico brilhante e bon-vivant em sua estadia na Bélgica dos anos 1930. Um thriller de suspense e intrigas empresariais passado nos anos 70, tendo como cerne uma jornalista perspicaz. As peripécias de um senhor de quase setenta anos ao ser internado em um asilo na Inglaterra, por volta de 2010. A entrevista de uma clone que despertou de sua inércia em uma sociedade distópica na Coreia, em algum tempo no século XXII. Um velho conta a história de sua juventude a um grupo de jovens no que já foi a ilha do Havaí, alguns séculos adiante.

E de alguma forma sutil e verdadeira, tudo está intrinsecamente conectado.

Resultado de imagem para atlas de nuvensCloud Atlas – ou Atlas de Nuvens, na tradução para o português – é um livro de 2004 escrito por David Mitchell. Recebeu vários prêmios e foi adaptado para o cinema em 2012 contando com um elenco estelar: meu querido Tom Hanks, Hugo Weaving, Halle Berry, Hugh Grant. Foi dirigido pelas irmãs Wachowski (aquelas de Matrix). Aqui no Brasil, a adaptação recebeu o nome de A Viagem. Acho que pros noveleiros se lembrarem daquela novela que passou na Globo há uns anos e falava sobre reencarnação.

O meu primeiro contato com Cloud Atlas foi pela adaptação cinematográfica. Reconheço que faço parte do grupo de 14 pessoas que gostou da história. Não se pode sequer piscar durante o filme, se não você perde alguma informação importante, deixa de ver algo crucial para conectar todos os pontos, ou deixa de entender alguma pista. Assisti no cinema, e muitos anos depois vi novamente na televisão.

Quando descobri que não era roteiro original, saí em busca do livro. Eu precisava ler o original, porque sabia que não podia ter só aquilo que vi no cinema. Ganhei o bendito como presente de Natal ano passado e comecei a ler de imediato. Dito e feito: a experiência do livro é muito mais profunda e intensa. Foi um daqueles volumes que eu demorei a terminar quando cheguei perto do final, simplesmente porque não queria que terminasse.

A capacidade do David Mitchell em adaptar seu próprio modo de escrever a cada trecho da narrativa é impressionante. Parece que várias pessoas diferentes escreveram, mas ao mesmo tempo podemos perceber que foi uma única mente que amarrou tudo. A minha parte favorita é a que conta a história de Sonmi-451, uma clone criada para servir aos seres humanos possuidores de almas (obs: alma aqui tem outro sentido). Várias palavras foram adaptadas, criando novos significados. Eu conseguia visualizar muito bem a distopia proposta pelo autor. Uma passagem no final da entrevista de Sonmi-451 ao arquivista (ou carceceiro) explicita muito bem a linha narrativa do livro inteiro:

Você lamenta a vida que levou?

Como posso lamentar minha vida? Podemos lamentar uma ação escolhida livremente, porém errônea; mas o livre-arbítrio não desempenha nenhum papel na minha istória.

 

Vai logo alugar na locadora do Paulo Coelho!

Atlas de Nuvens é um daqueles raros casos em que eu recomendo assistir a adaptação primeiro e depois ler o livro. Acho que assim a frustração é menor. Acredito que a experiência cinematográfica ficou limitada justamente por causa do tempo de tela: no livro tem história para pelo menos uma minissérie. E eu já falei da trilha sonora?

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Eu ando muito atrasada em tudo: nas minhas leituras (de livros e quadrinhos), nos meus escritos, na minha volta aos exercícios físicos, nas minhas séries e filmes… Daí semana passada dei um pause na maratona de Absolutely Fabulous  e resolvi ver um filminho de terror. Só pra relaxar, sabe.

O Babadook é um filme australiano de 2014, muito bem dirigido e com um roteiro bem amarrado. Acompanhamos a vida de uma mulher, viúva e com um filho prestes a fazer sete anos. Ela vive sob o trauma da morte do marido: ele morreu em um acidente de automóvel enquanto os dois seguiam para a maternidade. O relacionamento dela com o filho é conturbado, e o guri está naquela idade de ver monstros embaixo da cama, dentro do armário, nos cantos escuros do quarto…

À noite, quando ela vai pôr o filho para dormir, ele pede que ela leia uma história. Ela encontra na estante do quarto um livro de capa vermelha e uma figura sinistra desenhada. O título do livro: O Babadook.

If it’s in a word, or if it’s in a book
you can’t get rid of the Babadook
If you’re a really clever one
You’ll know just what to see
And you can be friends with a special one
A friend of you and me
His name is Mister Babadook
And this is his book
A rumbling sound then 3 sharp knocks
Ba BA-ba dook, dook, DOOK

Se está numa palavra, ou se está num livro
Você não pode se livrar do Babadook
Se você for esperto
Vai saber o que ver
E você pode ser amigo de alguém especial
Um amigo meu e seu
Seu nome é Senhor Babadook
E este é o seu livro
Um som estrondoso, e depois 3 batidas fortes
Ba BA-ba dook, dook, DOOK

 

Medo, angústia, depressão pós-trauma, solidão… Tem tudo isso neste filme. O melhor de tudo é ver o uso maravilhoso de som e sugestão do terror. Ótima pedida para quem gosta do gênero. Recomendo também o vídeo do canal Entre Planos sobre o filme – mas cuidado, tem spoilers:

Metallica, Lady Gaga e o purismo musical

*Ouvindo Hardwired… to Self-Destruct, álbum novo do Metallica*

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Vou tirar uma fotinha na mesma posição e substituir a Gaga, foi mals aê

Domingo passado aconteceu a premiação do Grammy 2017. Não acompanhei a cerimônia, mas sabia de alguns dos indicados e depois li sobre os vencedores e as apresentações musicais. É claro que, dentro da minha bolha quase 100% roqueira no Facebook, o que mais apareceu foram comentários sobre a apresentação do Metallica com a Lady Gaga.

(Inclusive, na semana passada eu estava preocupada com o James. Parece que tiveram que cancelar uma apresentação porque ele estava com problemas de saúde, um lance na garganta. Parecia sério… E assistindo a apresentação deles no Grammy, fiquei ainda com mais pulgas atrás da orelha. Mas enfim…)

Então, vocês viram a apresentação? Não? Então peraí:

O que primeiro me preocupou foi o problema no microfone do James. Ele mexia os lábios e nenhum som saía. Primeiro eu lembrei do lance na garganta e imaginei que o problema fosse com ele; meio segundo depois descartei essa possibilidade, porque o Lars não ia ser maluco de concordar em se apresentar se alguém ali estivesse com a saúde debilitada (ou iria? Sei lá, é o Lars, né). Aí o James faz o mais óbvio: canta um pedaço junto com a Lady Gaga em outro microfone. Lá por 1:53 de apresentação, parece que consertam o problema no microfone. Mesmo assim, senti a voz do James bem mais baixa e às vezes meio fraca. Daí me voltou a paranoia do problema na garganta. O cara não devia estar 100% mesmo.

Pausa para apreciação do visual Steve Zissou do Lars.

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Juro que só me lembrava do Bill Murray e esse gorrinho

Visivelmente chateado no final, James derruba o pedestal do microfone e vai-se embora pro camarim. Ô dó!

*Mudando a música de fundo para Lady Gaga – Joanne*

Só quem é surdo não percebe o quanto a Lady Gaga é uma ótima cantora. Você pode não gostar do estilo musical, das peripécias no palco e da persona que ela criou para si, mas dizer que aquela mulher não sabe cantar, ah, isso não. Não sou fã de tudo o que ela faz, longe disso; mas eu consigo perceber que ela tem potência, afinação e sabe muito bem o que está fazendo. Ela tem formação musical e deve conseguir cantar praticamente qualquer coisa. E cara, que invejinha dela cantando com uma das minhas bandas favoritas…

Desde aquele fiasco que foi o Saint Anger (desculpe aí quem gosta, máximo respeito), o Metallica vem ora acertando, ora titubeando. Eu gosto muito do Death Magnetic (2008): tem pelo menos sete músicas ali que eu adoro. Esse álbum é bem mais pesado que os últimos, as letras são boas, o baixo tá delicioso (o James também, mas pra mim isso é sempre hehe). Sobre o novo trabalho, Hardwired… to Self-Destruct, tenho ainda minhas ressalvas. Acho que por ser grandioso demais ainda não consegui ouvi-lo inteiro – e isso pra mim é meio que um defeito. Mas eu sempre espero ouvir os mesmos caras tocando alguma coisa diferente, sabe? Não espero que um trabalho do Metallica seja igual ao anterior. Talvez por isso eu não me considero uma fã purista de música.

O purista é aquele cara que repete por aí que bom mesmo era o Kill ‘em All, o resto é tudo musiquinha pra dormir. É aquele cara que não permite uma firula diferente na apresentação ao vivo – tem que estar IGUAL ao álbum, tô aqui pra isso. É aquele serumaninho que desconsidera participação de outros artistas, PRINCIPALMENTE quando não são do mesmo estilo musical.

Eu acho que todo mundo pode ser feliz: basta o purista ficar só com os trabalhos “de raiz” e nem sequer dar uma chance ao que foge disso, enquanto o não-purista tem a experiência total e gosta – ou não. Também não precisa bater palma pra tudo.

 

Hospício Nerd: os personagens mais insanos dos filmes (que eu já vi)

Desde janeiro passei a colaborar com uma página chamada Hospício Nerd que divulga notícias sobre filmes, séries e afins. Tem também o canal no Youtube com vídeos apresentados pelo Flávio, idealizador da página, no qual ele apresenta várias listas curiosas sobre personagens da ficção.

Inspirada pelo nome da página, eu resolvi fazer uma listinha dos

PERSONAGENS MAIS INSANOS DOS FILMES (QUE EU JÁ VI)!

E vai sem ordem mesmo, porque se é pra ser insano, vamos começar com o pé na porta:

+ Alex DeLarge
Filme: Laranja Mecânica (A Clockwork Orange), 1971
AtorMalcom McDowell
Sinopse: Em um futuro distópico, um delinquente juvenil muito carismático se diverte praticando crimes de ultraviolência com sua gangue. Infelizmente, ele é preso e participa de um experimento terapêutico de aversão à violência desenvolvido pelo governo para tentar resolver o problema da violência. Mas será que deu certo?

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E aí, droog! Vai leite?

Personagem: Admito que me apaixonei por Malcom McDowell neste filme e venho reiterando este amor platônico através dos anos. Aquele olhar alucinado, aquele jeito maroto travesso, os maneirismos, os neologismos, o visual… Tudo em Alex é supra na medida, sem ser exagerado. Eu consigo crer naquele jovem transviado andando por aí hoje em dia. O que me leva ao pensamento: será que já não estamos vivendo em um mundo distópico, cheio de ultraviolência e leite-com?

 

 

 

+ Hannibal Lecter
Filme: O Silêncio dos Inocentes (The Silence of the Lambs), 1991
AtorAnthony Hopkins
Sinopse: Jovem cadete do FBI precisa confiar no julgamento de um psicopata assassino manipulador que irá ajudá-la a prender outro serial killer que tira a pele de suas vítimas.

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*arrepio*

Personagem: Se você não conhece Hannibal “the Cannibal” Lecter, você não viu Anthony Hopkins em toda a sua glória. Eu sinto medo dele só de lembrar da primeira cena em que a jovem Clarice Starling se aproxima de sua cela. Era a primeira vez que eu via uma cela com paredes de vidro, porque o cara é tão sinistro que precisa ser encarcerado em uma prisão especial. O Doutor Lecter – sim, doutor em Psiquiatria – prova que brilhantes mentes são as mais próximas da insanidade.
Originalmente é um personagem criado por Thomas Harris, aparecendo primeiro no romance Dragão Vermelho (1981). Ao todo, o doutor Lecter aparece em cinco livros. Estão na minha lista de leitura!

 

+ Jack Torrance
Filme: O Iluminado (The Shining), 1980
Ator: Jack Nicholson
Sinopse: Uma família parte para um hotel isolado nas montanhas durante o inverno, onde uma presença espiritual maligna influencia o pai a se tornar violento. Enquanto isso, o filho observa cenas tenebrosas do passado do local – e também do futuro.
Personagem: All work and no play makes Jack a dull boy.

 

+ Stansfield
Filme: O Profissional (The Professional), 1994
AtorGary Oldman
Sinopse: Mathilda, uma menina de 12 anos, é meio que adotada por um assassino profissional, León, após o assassinato de sua família. Eles criam um relacionalmento diferente e Mathilda torna-se sua protegida enquanto aprende a arte do assassinato.
Personagem: Eu não vou dizer nada sobre o Stansfield. Acho melhor que ele fale por si próprio:

Eu gosto desses pequenos momentos de calmaria antes da tempestade. Fazem-me lembrar de Beethoven. Você consegue ouvir? É quando você coloca sua cabeça na grama e consegue ouví-la crescendo e consegue ouvir os insetos. Você gosta de Beethoven?

 

+ O Coringa
Filme: Batman: O Cavaleiro das Trevas (Dark Night Rises), 2008
AtorHeath Ledger
Sinopse: Quando o Coringa inicia sua onda de destruição e caos em Gotham, o justiceiro encapuzado vai precisar passar por um dos maiores testes psicológicos à sua habilidade de lutar contra as injustiças.

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Por que tão sério?

Personagem: Admito que a encarnação do Coringa pelo Heath Ledger não é a minha favorita. Desculpem-me, mas eu prefiro a versão do palhaço bufão feita por Jack Nicholson, ator fenomenal que praticamente interpreta a si mesmo e ganha prêmios por isso porque é foda. De qualquer forma, o Coringa que vimos em O Cavaleiro das Trevas é uma boa adaptação da faceta mais maquiavélica e psicótica do personagem que pudemos ver em A Piada Mortal, clássico dos quadrinhos escrito por Alan Moore e ilustrado por Brian Bolland. Ele não quer dinheiro, fama, prestígio, redenção. Ele só quer o caos.

 

+ Annie Wilkes
Filme: Louca Obsessão (Misery), 1990
AtrizKathy Bates 
Sinopse: Um famoso escritor é resgatado de um acidente de carro por uma grande fã de seus romances. Porém, ele percebe que os cuidados dessa fã são apenas o início de um pesadelo de abusos e restrições.

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Adoro Kathy Bates ❤

Personagem: Annie é uma fã totalmente obcecada pelas obras de seu autor favorito. Melhor dizendo, por uma determinada personagem a qual ela não quer que deixe de aparecer na série de romances do tal autor. Ela é tão, mas TÃO fanática que vai se dedicar a torturar física e psicologicamente o cara até que ele resolva escrever o novo livro conforme a sua vontade. Ser fã é legal, mas por favor, não seja a Annie. Sério. Não seja.
Baseada na obra Misery – Louca Obsessão, de Stephen King.

 

+ O Narrador/Tyler Durden
Filme
: O Clube da Luta (Fight Club), 1999
AtoresEdward Norton / Brad Pitt
Sinopse: Funcionário de firma com sérios problemas de insônia procura por um meio de mudar sua vida. Acaba se encontrando com um artesão de sabão porra-louca e os dois formam um clube de luta clandestino que na verdade está envolvido em algo muito maior.
Personagem: Lá se vão dezoito anos desde que conheci este cara que não é um, mas dois. Eu já gosto de praticamente qualquer coisa que o Edward Norton faça – principalmente quando é um personagem com o qual eu consiga me relacionar. No início do filme, conhecemos o Narrador num estado letárgico de praticamente sobrevivência, imerso num mundo de consumismo vazio, modismo, repetição e niilismo. No decorrer da história, vamos acompanhando enquanto ele se despe de amarras sociais, se libertando e destruindo ao mesmo tempo. É um filme para ver e rever periodicamente.
Baseado na obra O Clube da Luta, de Chuck Palahniuk.

 

+ Norman Bates
Filme: Psicose (Psycho), 1960
Ator: Anthony Perkins
Sinopse: Uma secretária de Phoenix passa a mão em 40 mil dólares de um cliente da empresa onde trabalha e foge com a grana. Acaba chegando a um hotel gerenciado por um jovem que é dominado pela mãe.
Personagem: Este trecho que encontrei sobre o Norman o resume bem:

Norman Bates vive uma psicose profunda, isso se pode observar através de seu olhar, gestos e principalmente pelas suas atitudes. A psiquiatria conceitua esse comportamento de dualidade como Despersonalização do Eu.

A autora do blog onde encontrei o perfil do Norman utiliza a psicologia freudiana para descrever sua personalidade, e fala justamente sobre o claro Complexo de Édipo que se faz soberano em tudo no filme. Recomendo a leitura 😉

 

+ Peyton Flanders
Filme: A Mão que Balança o Berço (The Hand that Rocks the Cradle), 1992
Atriz: Rebecca De Mornay
Sinopse: Após o suicídio de seu marido, a viúva amargurada acaba sofrendo um aborto. Ela inicia uma missão de vingança contra uma mulher e sua família.

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Meu bebê!

Personagem: Começamos a história sem saber quem é realmente a Peyton. Ela parece ser a babá perfeita: encantadora, prestativa, bondosa… Até ir mostrando sua real personalidade pouco a pouco. Ela não quer apenas se vingar da mulher que, a seu ver, lhe roubou sua própria vida: ela quer vê-la no fundo do poço e ainda ficar com tudo o que ela tinha – marido e filha inclusos. Peyton é obsessiva e é capaz de tudo para conseguir seu objetivo.

 

+ Nina Sayers
Filme
: Cisne Negro (The Black Swan), 2010
Atriz: Natalie Portman
Sinopse: Dançarina dedicada ganha o papel principal de Cisne Negro, de Tchaikovsky. Porém, ela irá sofrer para tentar manter sua sanidade.
Personagem: A Nina é tão infantilizada e frágil que chega ao ponto de ser irritante… Mas logo no início do filme vamos vendo as razões para ela ser como é: a pressão que sofre da mãe, as coceiras, as manias, a esquizofrenia. Natalie Portman dedicou-se a fundo neste papel e conseguiu representar o Cisne Branco e o Negro com maestria.

 

+ Norma Desmond
Filme
: Crepúsculo dos Deuses (Sunset Boulevard), 1950
Atriz: Gloria Swanson
Sinopse: Roteirista é contratado para trabalhar em um roteiro de uma antiga estrela do cinema mudo. Mas ele acaba desenvolvendo um perigoso relacionamento.
Personagem: Norma é o seu passado. Ela não quer se libertar da sombra que já foi e se recusa a admirar o futuro. Ela está envolvida demais com o seu próprio ego para enxergar um palmo diante do nariz. E a cena final é simplesmente divina.

 

+ Esther
Filme: A Órfã (The Orphan), 2009
Atriz: Isabelle Fuhrman
Sinopse: Casal perde filho biológico e após esse trauma, resolve adotar uma menina de nove anos de idade – mas ela não é bem o que parece.
Personagem: Não consigo explicar sobre a Esther. Ela é muito complexa. Uma personagem doente patologicamente, assassina, manipulativa, ciumenta, possessiva. Eu adoro esse filme.