Paganismo

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Fonte: KangTengri – DeviantArt

Quando eu não era bruxa
Eu não me era
Não me entendia, não me aceitava
Quando eu não era bruxa
Carregava mágoa, angústia, vingança
Eu me enterrava
Quando eu não era bruxa
Tinha medo do escuro, da noite, do vento
Tinha medo do que encontro no fundo dos meus olhos
Quando eu não era bruxa
Era apenas metade do que hoje sou.

Desde 2001 aprendendo, errando, acertando, me descobrindo. Desde 2001 celebrando o Sagrado Feminino, seguindo a Lei do Retorno, reconhecendo o poder do pensamento e o respeito à Natureza. Agradeço a todas as dádivas e aprendizados.

Feliz Beltane para quem é de Beltane,

Feliz Samhain para quem é de Samhain! Bons encontros e bons caminhos 😉

Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher
Sou minha mãe e minha filha,
Minha irmã, minha menina
Mas sou minha, só minha e não de quem quiser
Sou Deus, tua Deusa, meu amor

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Os Pilares da Terra

Este ano forçadamente sabático tem me aberto os horizontes sobre filmes, livros e séries.

O livro, edição do Círculo do Livro em dois volumes. É esta que eu tenho
O livro, edição do Círculo do Livro em dois volumes. É esta que eu tenho.

Depois de desistir de acompanhar Game of Thrones porque já não é mais adaptação, e sim deturpação – hey, minha opinião; eu fiz exatamente o que os incomodados fazem, reclamei e parei de assistir – comecei a procurar séries novas para preencher o vazio dos meus dias. Nisso conheci a adaptação de Os Pilares da Terra, livro de Ken Follett, romance sobre a construção de uma catedral e suas implicações. No pano de fundo maior temos o período conhecido como Anarquia durante o século XII, na Inglaterra, quando houve a disputa pelo trono. Há muita trama política entre pequena nobreza e clero, a questão da religiosidade medieval e o papel da mulher. A inspiração veio da real catedral de Salisbury.

A minissérie é de 2010 e tem oito capítulos de uma hora cada. Eu os devorei em dois dias. A principal responsável por isso é Aliena, representada pela Hayley Atwell. Ela é tudo o que você não espera de uma filha de conde: inteligente, orgulhosa sem ser pedante, e com um senso de responsabilidade muito forte. A história começa com Aliena se negando a um casamento arranjado com o jovem William Hamleigh, que é um vilão completo. O conde, pai de Aliena, havia lhe prometido que permitiria seu casamento apenas se ela concordasse. Esse é o estopim para o início da história. Além da minha querida Hayley (sou fã da Agente Carter ❤ ), também temos no elenco o Eddie Redmayne como Jack, um jovem que vive na floresta com sua mãe. Ele vem a se apaixonar por ela e… Bem, vá ver a série!

Catedral de Salisbury. Fonte: www.pbase.com
Catedral de Salisbury. Fonte: http://www.pbase.com

É importante repetir: vá ver a série. DEPOIS leia o livro. Fiquei muito grata por só ter lido o livro depois, porque de outra forma, não teria assistido – por mais que adore a Hayley e o Redmayne. O livro é muito, muito diferente. Eles condensaram muito a história, que segue ainda durante muitos anos até que a catedral esteja terminada e o grande mistério sobre quem é o pai de Jack se resolva. O tio Follett consegue nos prender em sua narrativa muito bem e eu só senti cansaço mesmo em uma parte do livro, logo no início. Cada capítulo é escrito pelo ponto de vista de um personagem, o que nos ajuda a entender as motivações e desejos de cada um. Porém, a minha única ressalva é sobre o uso desse recurso

Capa do dvd da série. Fonte: cinegarimpo.com.br
Capa do dvd da série.
Fonte: cinegarimpo.com.br

com relação às personagens femininas. Há apenas três personagens de destaque: Aliena, obviamente a heroína; a mãe de William, Regan Hamleigh; e Ellen, mãe de Jack. As três possuem personalidades completamente diferentes e são muito interessantes. Sobre Aliena já comentei mais acima. Regan Hamleigh, por exemplo, é a cabeça pensante de sua família: é ela quem cria as maquinações e tramas possíveis para tentar elevar a posição dos seus. Já Ellen é uma mulher livre, que vive na floresta e não depende de ninguém, despreza a fé cristã e só respeita suas próprias vontades, não se curvando aos homens. Apenas Aliena recebe capítulos próprios, enquanto as outras duas são meras coadjuvantes.

Também me senti incomodada com as cenas de estupro, presentes e sugeridas bem mais de uma vez no decorrer do livro. Compreendo que é um traço de vilania do principal antagonista, William, e sua corja, mas enquanto mulher, qualquer violência desse tipo irá me incomodar.

Aliena e Jack <3 Nunca torci tanto pra um casal na literatura! Fonte: ritalovestowrite.com
Aliena e Jack Fonte: ritalovestowrite.com

Segui adiante com o texto mesmo sem saber o que esperar, já que o desenlace da série é completamente diferente. E foi uma das poucas vezes em que fui feliz em ter feito o caminho inverso – geralmente leio os livros antes de assistir às adaptações para tv e/ou cinematográficas.  Também é interessante comparar a visão do medievo que ele nos apresenta com os fatos. É claro que haverá diferenças, mas acredito que por ser um romance histórico, é importante que o autor mantenha sua liberdade imaginativa e tente conciliá-la com a acurácia histórica.

Fiquei tão empolgada que pretendo ler mais coisas do autor. Tio Follett é chegado em escrever tijolões e eu não tenho medo de livro grande.

Saída para uma alternativa de sociedade: a algumas porradas de quilômetros

As últimas notícias têm me deixado um pouco ansiosa pelo grande meteoro que um dia virá nos dizimar.

Meninas são torturadas e estupradas no Piauí; uma delas faleceu. Menina de 11 anos, praticante de Candomblé, foi vítima de intolerância religiosa. Médium do Centro Espírita Frei Luiz é morto. Menino branco entra em uma igreja nos Estados Unidos e mata nove pessoas negras – e tem quem diga que não se pode considerar como ato de racismo/terrorismo.

É curioso perceber que quanto mais acesso à informação e à troca de experiências com pessoas de todas as origens, com as mais variadas experiências, mais nossas mentes parecem se fechar. Não aceitamos o diferente; nós o condenamos.

Ontem, em uma discussão acalorada com meu namorado, ele me perguntou o que é religião para mim. Eu aproveitei um verso de um dos seus artistas favoritos e respondi que, na minha opinião, as religiões são instrumentos, dogmas, premissas que fazem com que possamos nos religar com a divindade. E podemos fazer tudo, pois é tudo da Lei: a lei do tríplice retorno, para mim.

_ Todo mundo costuma interpretar esse verso de forma errada – ele me respondeu. – Você deve arcar com as consequências dos seus atos. Raul disse isso como forma de aviso.

Pois estamos todos avisados. Eu já estou pensando em me mudar para o meio do mato e morar numa sociedade alternativa.

Curso gratuito de mitologia Afro-brasileira

Divulgando! Ótima oportunidade para conhecer sobre mitologia afro-brasileira.

Candomblé

Curso de MITOLOGIA Afro-brasileira

A RoundTable Mitológica Rio de Janeiro, segmento da Joseph Campbell Foundation, através do SESC-RAMOS (RJ) administrará um curso GRATUITO sobre mitologia afro-brasileira, que serão realizados em 4 encontros, começando pelo dia 17/03.

Caso queiram participar, entrem em contato com o SESC Ramos-RJ em horário comercial no número 2290 2305.

Apresentação da Oficina
Mitos são histórias sobre o passado ancestral humano. O fenômeno mitológico é encontrado em cada povo, cultura e nação do planeta, e consiste na dramatização em linguagem lúdica e ficcional dos dramas e condições a que a natureza está submetida. Não é diferente na Ásia, Europa, Oceania, Américas ou África. Cada continente, e cada povo habitante desse continente, possui seu conjunto de mitos e crenças; estas histórias são responsáveis por fundamentar a consciência comunitária, e estabelecer e fomentar entre os indivíduos as suas relações sociais, psicológicas, religiosas, políticas.
Vamos aproximar o tema de outras…

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Credo in unum Deum x Credo in plures deos

Admitia que lhe dissessem “vá com Deus”, mas negava-se a aceitar um “eparrei“.

Achava linda a Missa do Galo, o incensório na frente da procissão, as velas iluminando os santos; mas não podia conceber que oferecessem comida aos deuses.

– – –

Tememos aquilo que não conhecemos. Porém, em uma era na qual temos acesso a tanta informação, como pode haver ainda tanta gente desinformada e mal informada? Como podemos ainda viver na ignorância (o não-conhecer) e no preconceito (o muito-penso-que-sei) de que aquele que crê em algo diferente da minha crença só pode estar errado?

Como pode haver apenas uma única e verdadeira verdade – e é sempre a minha?

Quando foi que ficamos tão prepotentes?

Não é preciso crer no mesmo que o seu vizinho; só faz-se necessário respeitar a crença do outro.