Dores, amores

O primeiro amor foi uma facada no peito Uma ferida aberta na água salgada A embriaguez etérea, a ressaca O retorno do boêmio ao bar Inefável, infalível pedestal E quando acabou, tu juravas que morreria Que não haveria outro dia - Mas o dia veio. O segundo amor foi um estilhaço de vidro Curando aquela … Continue lendo Dores, amores

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A roda

Na roda do tempo roda o rodamoinho da vida a borda vivida se desfaz lívida entorna no entorno adorno torto que se transborda e roda, rodopia dentro de si, de mim, de nós a roda do tempo revolve retorna ao início do fim do início e enfim cai dentro da redoma de vidro envidraçada pelos … Continue lendo A roda

Bem-vinda

A casa minha a me saudar Em toda sua simples desordem Diz-me "Bem-vinda, viajante! Até o dia em que o vento cortante lhe fizer Descer a serra - e que breve seja a despedida E longa a tua vinda" Bem-vinda O gato a me desconfiar Deita-se em meu colo - e o meu consolo É … Continue lendo Bem-vinda

Clarisse compõe

Eu tinha me enganado. Pensei que ela já tivesse ido embora, sorrateira como sempre, deixando os cacos de minha consciência pelo chão. Ela sempre pisa nos menores, e o doce rastro de sangue acompanha seus passos como um véu de noiva. Não, ela não tinha ido embora. Clarisse ainda estava ali, me espreitando com seus … Continue lendo Clarisse compõe

Casmurra

Há noites em que o manto da Insegurança me cobre as espáduas E não mais vejo teu rosto sob a luz do sol Teus castanhos olhos me parecem enviesados - oblíquos, desgarrados Aperta-me o peito a bigorna da incerteza Mas és tão feliz! Sabes que isto é fruto de tua fértil imaginação - diz-me a … Continue lendo Casmurra

Trinta e quatro

Entre as rugas e cabelos brancos Quilos ganhos, chances perdidas Entre os dias a se acumular no calendário e algumas despedidas O renovado desejo de seguir em frente: Com amores, amigos, falhas e acertos Aceitando-me com todos os meus defeitos Aprendendo quem sou eu a cada esquina.