O leque japonês

Em 2015, participei do curso online totalmente gratuito How Writers Write Fiction, que se propõe a criar exercícios de escrita para quem gosta de expôr suas ideias em palavras. Infelizmente desanimei no meio do curso e não concluí - é, mais um projeto interrompido. Hoje, revendo alguns arquivos aqui no meu computador, encontrei o texto … Continue lendo O leque japonês

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Vermelho

O batom que desenha a minha boca Unhas carmesim na ponta dos meus dedos Bandeiras e longas noites A porta que se quer pintar de preto A dama Ela sonha em cores, ela sonha em vermelho Uma casa branca em uma praça vermelha A foice e o martelo A revolução O não.

Dores, amores

O primeiro amor foi uma facada no peito Uma ferida aberta na água salgada A embriaguez etérea, a ressaca O retorno do boêmio ao bar Inefável, infalível pedestal E quando acabou, tu juravas que morreria Que não haveria outro dia - Mas o dia veio. O segundo amor foi um estilhaço de vidro Curando aquela … Continue lendo Dores, amores

A mosca

Repousa o ventre sobre puído lençol - Nas pernas vermelhas, os beijos De juras apertadas por cinto de couro – Ela arfa, ronrona – sorri ao rouxinol Cantante em sua mente adormecida. Sozinha no quarto, a amante tão bela Repousa seus castanhos cachos sobre o travesseiro; No quarto, perdura o insistente cheiro Do profundo êxtase … Continue lendo A mosca

Céu de maio

Quando eu era feliz Não havia rancor Não havia sombra alguma da dor Que um dia me abraçar viria Quando eu era feliz Apenas torpor havia - Enroscado entre as pernas debaixo de suado lençol - A promessa desfeita não havia Se aberto como ferida pútrida em carmesim Quando eu era feliz Não havia o fogo … Continue lendo Céu de maio

Mais

Era como se tivesse acordado de um torpor. Sentia sede, sempre. A garganta seca, os lábios ávidos. Os olhos vidrados em busca de um cálice, um oásis, uma gota no deserto. Ela sentia sede sempre. Não sabia o porquê. Naqueles últimos dias, sabia muito pouco sobre tudo: era uma criança desperta, neófita, sorvendo todo o … Continue lendo Mais

A roda

Na roda do tempo roda o rodamoinho da vida a borda vivida se desfaz lívida entorna no entorno adorno torto que se transborda e roda, rodopia dentro de si, de mim, de nós a roda do tempo revolve retorna ao início do fim do início e enfim cai dentro da redoma de vidro envidraçada pelos … Continue lendo A roda