Clarisse, a Terrível

_ É como se eu sentisse o cheiro da tempestade vindo, sabe? _ Sei. _ Não, cara. Eu tô falando sério. Clarisse me encarou com aqueles olhos embotados. Soltou a fumaça do cigarro pelas narinas - um dragão de impaciência e cinismo -, foi até a geladeira e abriu outra cerveja. As próximas palavras foram … Continue lendo Clarisse, a Terrível

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Diálogos com Clarisse: o retorno

Não li o horóscopo ontem, mas pela lua minguante e o período do mês, era certo que receberia a visita de Clarisse por esses dias. Senti isso na sexta-feira. Uma desconfiança no canto dos olhos, um ardor nos ouvidos, uma dorzinha chata debaixo das narinas. Ela ia chegar e meter os dois pés no meu … Continue lendo Diálogos com Clarisse: o retorno

Espelho

Clarisse está aqui me fazendo companhia. O cheiro de cigarro de canela envolve sua imagem enquanto ela se serve de mais uma xícara de café. _ Você sabe o que devia estar fazendo, né. _ Sim - respondo. _ E mesmo assim não vai fazer? _ Não tô com cabeça pra isso hoje. _ É … Continue lendo Espelho

Spleen

Naqueles cinzentos dias de inverno carioca, Clarisse era onipresente. Era a senhora soberana em meus domínios, a deusa onisciente; o gélido ar que me doía nos pulmões, a macia colcha que me envolvia à noite; a culpa, o corpo, a alma. Entre uma baforada e outra de seu cigarro, Clarisse declamava-me poemas cheios de spleen. Porias … Continue lendo Spleen

Clarisse compõe

Eu tinha me enganado. Pensei que ela já tivesse ido embora, sorrateira como sempre, deixando os cacos de minha consciência pelo chão. Ela sempre pisa nos menores, e o doce rastro de sangue acompanha seus passos como um véu de noiva. Não, ela não tinha ido embora. Clarisse ainda estava ali, me espreitando com seus … Continue lendo Clarisse compõe

Terror noturno

Acordei no meio da madrugada sentindo uma dor intensa no peito. Tateei em busca do telefone celular, imaginando que horas deveriam ser. Semicerrei os olhos, sensíveis por causa da fria luz do aparelho. Cinco e meia da manhã, murmurei. Soltei o celular novamente à cabeceira. Deitei-me de costas, pondo a mão direita no peito. Era … Continue lendo Terror noturno

Bugs

Eu via formigas andando pela cozinha. Pela sala. Pelo meu corpo. Se tem uma coisa que aprendi com filmes do Chan-wook Park é que ver formigas é um mal sinal - principalmente quando as outras pessoas não veem. _ Café, finalmente! - Clarisse encheu uma caneca com o líquido fumegante. Não entendia porque ela ainda … Continue lendo Bugs