Feud: Bette and Joan

Comentei sobre a série Feud do meu mais novo diretor adorado Ryan Murphy em um post anterior. Terminei toda a primeira temporada e já estou com saudades. Jessica Lange e Susan Sarandon simplesmente davam um show a cada episódio, era de assistir e chorar de tão lindo.

Daí encontrei no YouTube um vídeo feito por alguém abençoadamente paciente, no qual comparam as cenas dos filmes nos quais estrelaram as atrizes originais, Joan Crawford e Bette Davis respectivamente. Vale muito a pena ver.

 

E sobre Ryan Murphy: tô acendendo vela toda semana orando por essa mente brilhante. Que nos traga mais American Horror Story e Feud

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Slow like honey

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But my big secret
Gonna hover over your life
Gonna keep you reaching
When I’m gone like yesterday
When I’m high like heaven
When I’m strong like music
‘Cause I’m slow like honey, and
Heavy with mood


Na atual jornada de autoconhecimento, estou redescobrindo minha admiração por Fiona Apple. Umas letras tão boas que chegam a doer no coraçãozim.

 

Mais

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Theda Bara. Fonte: http://www.boweryboyshistory.com

Era como se tivesse acordado de um torpor.

Sentia sede, sempre. A garganta seca, os lábios ávidos. Os olhos vidrados em busca de um cálice, um oásis, uma gota no deserto.

Ela sentia sede sempre. Não sabia o porquê. Naqueles últimos dias, sabia muito pouco sobre tudo: era uma criança desperta, neófita, sorvendo todo o tipo de conhecimento em que conseguia pôr as mãos.

Ela queria mais.


Talvez seja um argumento para uma história de vampiros. Talvez seja autobiográfico. Talvez não 😉

Morfina

Em 2011, quando me inscrevi no curso de Estrutura Literária ministrado pelo Eduardo Spohr, nunca poderia imaginar que dali surgiria uma confraria e uma coletânea de contos. Éramos onze pessoas empolgadas (eu de bendito fruto, única mulher no grupo): tudo era possível, enfrentaríamos os mares bravios, iríamos com tudo, go go team.

A primeira tarefa a ser vencida era, claro, escrever o bendito conto.

Lembro claramente da pressão que eu mesma joguei sobre os ombros. Sobre o que iria escrever? Vou montar o esquema que aprendi no curso, organizar tudinho e seguir à risca a jornada do herói? Ou vamos esperar a Musa tocar meu rosto e me empurrar no caminho certo?

No fim das contas, eu estava com uma página em branco diante de mim. Dentro do ônibus, um calor infernal, as têmporas suando. Fim de mais um dia de trabalho. Eu ainda atravessaria a cidade para chegar em casa.

Então a Musa soprou alguma coisa nos meus ouvidos.

Daí me veio a lembrança desta música e eu comecei a escrever no caderno. A caneta escorregava entre os dedos, rápida, garranchos lindos. A mão tentava acompanhar o pensamento.

 

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Fonte: R7.com

Conheci o Morphine por volta de 1998 graças a um cd que veio junto em uma edição da revista Bizz. Nem sei se a revista ainda existe, provavelmente não. Mas ali tinha Morphine, Marianne Faithful e mais um monte de gente boa da qual não me lembro agora. Esse trio ganhou meu coração instantaneamente porque o contrabaixo domina.

 

 

E sim, a minha história acabou sendo um pouco baseada na letra desta música.

Quando desci do ônibus, a história estava praticamente terminada. Eu iria passar a limpo, revisar, inserir mais algumas cenas – mas o coração estava lá, pulsando. A minha pequena diabinha dançava ao som de Morphine, insinuante em seu vestido vermelho.

Ishtar

Ishtar
Fonte: goddess-ishtar.tumblr.com

Ishtar, deusa babilônica – ou Inanna, deusa dos sumérios. Ou ainda Astarte, no oriente médio. Deusas da Fertilidade.

Conforme a representação dos deuses nas religiões politeístas, Ishtar possui uma ambivalência. É ao mesmo tempo maternal e sensual; benevolente e maléfica; carinhosa e impiedosa. Enquanto criadora de todas as bênçãos terrenas, também sofria com as tristezas humanas. Protetora do casamento e da maternidade. Deusa do amor, da fertilidade, da sexualidade – mas também deusa da guerra e das tempestades.

Uma das histórias sobre Ishtar que me é mais querida é sobre a sua descida ao submundo.

Ishtar teve que passar por sete portas e remover um símbolo do seu poder – como uma peça de roupa ou um pedaço de joia – em cada um. No último portão, nua e privada de todos os seus poderes, a deusa conheceu sua irmã Ereshkigal, que anunciou que Ishtar deve morrer. Ela morreu imediatamente e seu corpo foi pendurado em uma estaca.
Enquanto isso, o deus Enki soube que Ishtar estava desaparecida, e enviou dois mensageis para lhe restaurar a vida. Porém, para deixar o submundo, Ishtar precisaria substituir seu corpo por outro. A deusa ofereceu então seu jovem marido, Tamuz, para tomar seu lugar.

Este conto claramente representa o eterno ciclo de vida, morte e renascimento pelo qual passamos.

Ishtar era celebrada no hemisfério norte próximo do equinócio de primavera – bem próximo das festividades de Páscoa… Que coincidência, não? Nesta época, as pessoas decoravam ovos – símbolos de fertilidade – e os escondiam pelos campos, participando de uma brincadeira para encontrá-los depois.

Fonte: http://portal-dos-mitos.blogspot.com.br/2013/03/ishtar.html


Bem, como eu sigo a roda do ano equivalente ao meu hemisfério, estou aqui me preparando pra o Samhain que está chegando. Boa Páscoa para quem é de Páscoa 😉

Você não sabe amar

Você não sabe amar, meu bem
Não sabe o que é o amor
Nunca viveu, nunca sofreu,
E quer saber mais que eu

O nosso amor parou aqui
E foi melhor assim
Você esperava e eu também
Que esse fosse seu fim

O nosso amor não teve ferida
As coisas boas da vida
E foi melhor para você
E foi também melhor pra mim.


Gostei da versão com o Chico Buarque por motivos óbvios, mas quis compartilhar essa da Nana Caymmi – por razões óbvias também.

Casa

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This little light of mine

Eu não me apego a lugares.

Da minha primeira casa, não lembro de muita coisa. Eu era só um bebê, um ano, um ano e pouco. Tenho umas lembranças de chuva caindo depois de uma tarde quente, e o cheiro de jasmim na calçada.

Da casa onde morei por mais tempo me lembro de todos os detalhes. Inclusive, quando sonho que estou em casa, é sempre lá. O apartamento pequeno mas cheio de vida, as tardes de sábado fazendo faxina e escutando música; brigar com a irmã, fazer as pazes, fazer cócegas em mamãe até ela quase chorar. Encenar peças de teatro improvisadas para o Dia das Mães. Árvore de Natal de papel. Disputar a única televisão numa sexta-feira à noite. Ajudar minha avó a fazer bolo.

Depois, teve o meu primeiro cantinho. Era um apê tão pequeno que a geladeira ficava escondida em um vão entre o banheiro e o quarto. Eu tomava café na área, apoiando a perna no tanque enquanto via o mundo apressado lá embaixo. Tardes divertidas com amigas; o sofá-cama vermelho; a mesa redonda; a pilha de roupa suja. O fim e o recomeço.

Quando tive que abrir mão desse meu canto e voltar a morar com minha família, me senti um lixo. Derrotada, acabada. Que pessoa é essa que não consegue pagar as próprias contas aos vinte e tantos anos? Como pode isso? Eu me sentia uma estranha naquela nova casa – sim, a família também já havia se mudado. Houve mais lembranças tristes também naquela nova casa quando minha avó se foi. Era difícil não relembrar o quanto ela sofreu no fim da vida.

Então houve a mudança. Vamos todos para um apartamento maior. Um quarto imenso, para mim e minha irmã do meio. É temporário, eu disse a mim mesma. Logo, logo, eu vou ter um canto para chamar de meu novamente.

E assim foi. Eu percorri quilômetros, subi a serra, encontrei um canto meu. Um canto para dois. Um canto para dois e um gato – quem sabe, filhos? Mas o Destino não quis assim.

Depois de cinco anos neste canto, uma estranha em uma terra de estranhos, eu faço a viagem de volta ao ninho. Mais madura, muito mais consciente de mim mesma, do meu valor e da minha capacidade. Incapaz de me encolher dentro da jaula, eu voo na direção de casa feliz. Feliz por saber que terei a melhor acolhida, e por compreender que o Destino é inexorável.

Tudo será como deve ser.


Há alguns dias, estava conversando com uma grande amiga e ela me lembrou de uma passagem de O Senhor dos Anéis muito memorável, na qual Aragorn conversa com Éowyn:

— O que teme, senhora? — perguntou ele.

— Uma gaiola — disse ela. — Ficar atrás de grades, até que o hábito e a velhice as aceitem e todas as oportunidades de realizar grandes feitos estejam além de qualquer lembrança ou desejo.