Metallica, Lady Gaga e o purismo musical

*Ouvindo Hardwired… to Self-Destruct, álbum novo do Metallica*

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Vou tirar uma fotinha na mesma posição e substituir a Gaga, foi mals aê

Domingo passado aconteceu a premiação do Grammy 2017. Não acompanhei a cerimônia, mas sabia de alguns dos indicados e depois li sobre os vencedores e as apresentações musicais. É claro que, dentro da minha bolha quase 100% roqueira no Facebook, o que mais apareceu foram comentários sobre a apresentação do Metallica com a Lady Gaga.

(Inclusive, na semana passada eu estava preocupada com o James. Parece que tiveram que cancelar uma apresentação porque ele estava com problemas de saúde, um lance na garganta. Parecia sério… E assistindo a apresentação deles no Grammy, fiquei ainda com mais pulgas atrás da orelha. Mas enfim…)

Então, vocês viram a apresentação? Não? Então peraí:

O que primeiro me preocupou foi o problema no microfone do James. Ele mexia os lábios e nenhum som saía. Primeiro eu lembrei do lance na garganta e imaginei que o problema fosse com ele; meio segundo depois descartei essa possibilidade, porque o Lars não ia ser maluco de concordar em se apresentar se alguém ali estivesse com a saúde debilitada (ou iria? Sei lá, é o Lars, né). Aí o James faz o mais óbvio: canta um pedaço junto com a Lady Gaga em outro microfone. Lá por 1:53 de apresentação, parece que consertam o problema no microfone. Mesmo assim, senti a voz do James bem mais baixa e às vezes meio fraca. Daí me voltou a paranoia do problema na garganta. O cara não devia estar 100% mesmo.

Pausa para apreciação do visual Steve Zissou do Lars.

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Juro que só me lembrava do Bill Murray e esse gorrinho

Visivelmente chateado no final, James derruba o pedestal do microfone e vai-se embora pro camarim. Ô dó!

*Mudando a música de fundo para Lady Gaga – Joanne*

Só quem é surdo não percebe o quanto a Lady Gaga é uma ótima cantora. Você pode não gostar do estilo musical, das peripécias no palco e da persona que ela criou para si, mas dizer que aquela mulher não sabe cantar, ah, isso não. Não sou fã de tudo o que ela faz, longe disso; mas eu consigo perceber que ela tem potência, afinação e sabe muito bem o que está fazendo. Ela tem formação musical e deve conseguir cantar praticamente qualquer coisa. E cara, que invejinha dela cantando com uma das minhas bandas favoritas…

Desde aquele fiasco que foi o Saint Anger (desculpe aí quem gosta, máximo respeito), o Metallica vem ora acertando, ora titubeando. Eu gosto muito do Death Magnetic (2008): tem pelo menos sete músicas ali que eu adoro. Esse álbum é bem mais pesado que os últimos, as letras são boas, o baixo tá delicioso (o James também, mas pra mim isso é sempre hehe). Sobre o novo trabalho, Hardwired… to Self-Destruct, tenho ainda minhas ressalvas. Acho que por ser grandioso demais ainda não consegui ouvi-lo inteiro – e isso pra mim é meio que um defeito. Mas eu sempre espero ouvir os mesmos caras tocando alguma coisa diferente, sabe? Não espero que um trabalho do Metallica seja igual ao anterior. Talvez por isso eu não me considero uma fã purista de música.

O purista é aquele cara que repete por aí que bom mesmo era o Kill ‘em All, o resto é tudo musiquinha pra dormir. É aquele cara que não permite uma firula diferente na apresentação ao vivo – tem que estar IGUAL ao álbum, tô aqui pra isso. É aquele serumaninho que desconsidera participação de outros artistas, PRINCIPALMENTE quando não são do mesmo estilo musical.

Eu acho que todo mundo pode ser feliz: basta o purista ficar só com os trabalhos “de raiz” e nem sequer dar uma chance ao que foge disso, enquanto o não-purista tem a experiência total e gosta – ou não. Também não precisa bater palma pra tudo.

 

Hospício Nerd: os personagens mais insanos dos filmes (que eu já vi)

Desde janeiro passei a colaborar com uma página chamada Hospício Nerd que divulga notícias sobre filmes, séries e afins. Tem também o canal no Youtube com vídeos apresentados pelo Flávio, idealizador da página, no qual ele apresenta várias listas curiosas sobre personagens da ficção.

Inspirada pelo nome da página, eu resolvi fazer uma listinha dos

PERSONAGENS MAIS INSANOS DOS FILMES (QUE EU JÁ VI)!

E vai sem ordem mesmo, porque se é pra ser insano, vamos começar com o pé na porta:

+ Alex DeLarge
Filme: Laranja Mecânica (A Clockwork Orange), 1971
AtorMalcom McDowell
Sinopse: Em um futuro distópico, um delinquente juvenil muito carismático se diverte praticando crimes de ultraviolência com sua gangue. Infelizmente, ele é preso e participa de um experimento terapêutico de aversão à violência desenvolvido pelo governo para tentar resolver o problema da violência. Mas será que deu certo?

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E aí, droog! Vai leite?

Personagem: Admito que me apaixonei por Malcom McDowell neste filme e venho reiterando este amor platônico através dos anos. Aquele olhar alucinado, aquele jeito maroto travesso, os maneirismos, os neologismos, o visual… Tudo em Alex é supra na medida, sem ser exagerado. Eu consigo crer naquele jovem transviado andando por aí hoje em dia. O que me leva ao pensamento: será que já não estamos vivendo em um mundo distópico, cheio de ultraviolência e leite-com?

 

 

 

+ Hannibal Lecter
Filme: O Silêncio dos Inocentes (The Silence of the Lambs), 1991
AtorAnthony Hopkins
Sinopse: Jovem cadete do FBI precisa confiar no julgamento de um psicopata assassino manipulador que irá ajudá-la a prender outro serial killer que tira a pele de suas vítimas.

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*arrepio*

Personagem: Se você não conhece Hannibal “the Cannibal” Lecter, você não viu Anthony Hopkins em toda a sua glória. Eu sinto medo dele só de lembrar da primeira cena em que a jovem Clarice Starling se aproxima de sua cela. Era a primeira vez que eu via uma cela com paredes de vidro, porque o cara é tão sinistro que precisa ser encarcerado em uma prisão especial. O Doutor Lecter – sim, doutor em Psiquiatria – prova que brilhantes mentes são as mais próximas da insanidade.
Originalmente é um personagem criado por Thomas Harris, aparecendo primeiro no romance Dragão Vermelho (1981). Ao todo, o doutor Lecter aparece em cinco livros. Estão na minha lista de leitura!

 

+ Jack Torrance
Filme: O Iluminado (The Shining), 1980
Ator: Jack Nicholson
Sinopse: Uma família parte para um hotel isolado nas montanhas durante o inverno, onde uma presença espiritual maligna influencia o pai a se tornar violento. Enquanto isso, o filho observa cenas tenebrosas do passado do local – e também do futuro.
Personagem: All work and no play makes Jack a dull boy.

 

+ Stansfield
Filme: O Profissional (The Professional), 1994
AtorGary Oldman
Sinopse: Mathilda, uma menina de 12 anos, é meio que adotada por um assassino profissional, León, após o assassinato de sua família. Eles criam um relacionalmento diferente e Mathilda torna-se sua protegida enquanto aprende a arte do assassinato.
Personagem: Eu não vou dizer nada sobre o Stansfield. Acho melhor que ele fale por si próprio:

Eu gosto desses pequenos momentos de calmaria antes da tempestade. Fazem-me lembrar de Beethoven. Você consegue ouvir? É quando você coloca sua cabeça na grama e consegue ouví-la crescendo e consegue ouvir os insetos. Você gosta de Beethoven?

 

+ O Coringa
Filme: Batman: O Cavaleiro das Trevas (Dark Night Rises), 2008
AtorHeath Ledger
Sinopse: Quando o Coringa inicia sua onda de destruição e caos em Gotham, o justiceiro encapuzado vai precisar passar por um dos maiores testes psicológicos à sua habilidade de lutar contra as injustiças.

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Por que tão sério?

Personagem: Admito que a encarnação do Coringa pelo Heath Ledger não é a minha favorita. Desculpem-me, mas eu prefiro a versão do palhaço bufão feita por Jack Nicholson, ator fenomenal que praticamente interpreta a si mesmo e ganha prêmios por isso porque é foda. De qualquer forma, o Coringa que vimos em O Cavaleiro das Trevas é uma boa adaptação da faceta mais maquiavélica e psicótica do personagem que pudemos ver em A Piada Mortal, clássico dos quadrinhos escrito por Alan Moore e ilustrado por Brian Bolland. Ele não quer dinheiro, fama, prestígio, redenção. Ele só quer o caos.

 

+ Annie Wilkes
Filme: Louca Obsessão (Misery), 1990
AtrizKathy Bates 
Sinopse: Um famoso escritor é resgatado de um acidente de carro por uma grande fã de seus romances. Porém, ele percebe que os cuidados dessa fã são apenas o início de um pesadelo de abusos e restrições.

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Adoro Kathy Bates ❤

Personagem: Annie é uma fã totalmente obcecada pelas obras de seu autor favorito. Melhor dizendo, por uma determinada personagem a qual ela não quer que deixe de aparecer na série de romances do tal autor. Ela é tão, mas TÃO fanática que vai se dedicar a torturar física e psicologicamente o cara até que ele resolva escrever o novo livro conforme a sua vontade. Ser fã é legal, mas por favor, não seja a Annie. Sério. Não seja.
Baseada na obra Misery – Louca Obsessão, de Stephen King.

 

+ O Narrador/Tyler Durden
Filme
: O Clube da Luta (Fight Club), 1999
AtoresEdward Norton / Brad Pitt
Sinopse: Funcionário de firma com sérios problemas de insônia procura por um meio de mudar sua vida. Acaba se encontrando com um artesão de sabão porra-louca e os dois formam um clube de luta clandestino que na verdade está envolvido em algo muito maior.
Personagem: Lá se vão dezoito anos desde que conheci este cara que não é um, mas dois. Eu já gosto de praticamente qualquer coisa que o Edward Norton faça – principalmente quando é um personagem com o qual eu consiga me relacionar. No início do filme, conhecemos o Narrador num estado letárgico de praticamente sobrevivência, imerso num mundo de consumismo vazio, modismo, repetição e niilismo. No decorrer da história, vamos acompanhando enquanto ele se despe de amarras sociais, se libertando e destruindo ao mesmo tempo. É um filme para ver e rever periodicamente.
Baseado na obra O Clube da Luta, de Chuck Palahniuk.

 

+ Norman Bates
Filme: Psicose (Psycho), 1960
Ator: Anthony Perkins
Sinopse: Uma secretária de Phoenix passa a mão em 40 mil dólares de um cliente da empresa onde trabalha e foge com a grana. Acaba chegando a um hotel gerenciado por um jovem que é dominado pela mãe.
Personagem: Este trecho que encontrei sobre o Norman o resume bem:

Norman Bates vive uma psicose profunda, isso se pode observar através de seu olhar, gestos e principalmente pelas suas atitudes. A psiquiatria conceitua esse comportamento de dualidade como Despersonalização do Eu.

A autora do blog onde encontrei o perfil do Norman utiliza a psicologia freudiana para descrever sua personalidade, e fala justamente sobre o claro Complexo de Édipo que se faz soberano em tudo no filme. Recomendo a leitura 😉

 

+ Peyton Flanders
Filme: A Mão que Balança o Berço (The Hand that Rocks the Cradle), 1992
Atriz: Rebecca De Mornay
Sinopse: Após o suicídio de seu marido, a viúva amargurada acaba sofrendo um aborto. Ela inicia uma missão de vingança contra uma mulher e sua família.

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Meu bebê!

Personagem: Começamos a história sem saber quem é realmente a Peyton. Ela parece ser a babá perfeita: encantadora, prestativa, bondosa… Até ir mostrando sua real personalidade pouco a pouco. Ela não quer apenas se vingar da mulher que, a seu ver, lhe roubou sua própria vida: ela quer vê-la no fundo do poço e ainda ficar com tudo o que ela tinha – marido e filha inclusos. Peyton é obsessiva e é capaz de tudo para conseguir seu objetivo.

 

+ Nina Sayers
Filme
: Cisne Negro (The Black Swan), 2010
Atriz: Natalie Portman
Sinopse: Dançarina dedicada ganha o papel principal de Cisne Negro, de Tchaikovsky. Porém, ela irá sofrer para tentar manter sua sanidade.
Personagem: A Nina é tão infantilizada e frágil que chega ao ponto de ser irritante… Mas logo no início do filme vamos vendo as razões para ela ser como é: a pressão que sofre da mãe, as coceiras, as manias, a esquizofrenia. Natalie Portman dedicou-se a fundo neste papel e conseguiu representar o Cisne Branco e o Negro com maestria.

 

+ Norma Desmond
Filme
: Crepúsculo dos Deuses (Sunset Boulevard), 1950
Atriz: Gloria Swanson
Sinopse: Roteirista é contratado para trabalhar em um roteiro de uma antiga estrela do cinema mudo. Mas ele acaba desenvolvendo um perigoso relacionamento.
Personagem: Norma é o seu passado. Ela não quer se libertar da sombra que já foi e se recusa a admirar o futuro. Ela está envolvida demais com o seu próprio ego para enxergar um palmo diante do nariz. E a cena final é simplesmente divina.

 

+ Esther
Filme: A Órfã (The Orphan), 2009
Atriz: Isabelle Fuhrman
Sinopse: Casal perde filho biológico e após esse trauma, resolve adotar uma menina de nove anos de idade – mas ela não é bem o que parece.
Personagem: Não consigo explicar sobre a Esther. Ela é muito complexa. Uma personagem doente patologicamente, assassina, manipulativa, ciumenta, possessiva. Eu adoro esse filme.

Espelho

Clarisse está aqui me fazendo companhia. O cheiro de cigarro de canela envolve sua imagem enquanto ela se serve de mais uma xícara de café.

_ Você sabe o que devia estar fazendo, né.
_ Sim – respondo.
_ E mesmo assim não vai fazer?
_ Não tô com cabeça pra isso hoje.
_ É só colocar uma palavra depois da outra. Você sabe. É fácil.
_ Não é tão fácil quanto parece.
_ Ah, que nada! Aposto que eu consigo fazer.
_ … Você já fez, lembra?
_ Huum, é verdade! Viu só? Isso só prova que eu estou certa.
_ Mas não é assim. Eu não posso escrever qualquer coisa. Depois fico frustrada, achando que tudo o que eu faço é um grande pedaço de bosta.
_ Você é muito dramática.

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Ela vai até a varanda. Ela brinca com o gato. Ela belisca a própria perna para ter certeza que está viva. Ela acende mais um cigarro.

_ Vai ficar tudo bem.

Eu me surpreendo com aquelas palavras. É a primeira vez que Clarisse parece demonstrar alguma amizade.

Ou talvez seja eu mesma me olhando no espelho e repetindo essas palavras até que elas se tornem realidade.

Vizinhos

O único tipo de vida em sociedade que conheço é aquele que se passa dentro de condomínios.

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Prédio vizinho

Não tive a experiência de morar em uma casa independente, ter quintal, brincar com os amiguinhos na porta da rua. A gente brincava no parquinho dentro do condomínio, ou pedia pro porteiro interfonar pro 402, 707, 105 e ia juntando a criançada. Já ralei muito o dedão no estacionamento do prédio brincando de queimado. Também já fui preterida nas brincadeiras porque “você é filha de pais separados e eu não posso brincar com você”. Taí uma coisa dos anos 80 da qual não sinto saudades.

Agora que vivo no interior, percebo o quão fechado é o ambiente de um condomínio.É muito raro encontrar com alguém no elevador ou no corredor do prédio. Sei que convivemos por causa das vozes que vêm dos apartamentos vizinhos.

No andar de baixo tem um cara que adora cantar. Geralmente são músicas gospel, mas vez ou outra ele solta alguma do Seu Jorge, ou até algumas de charme em inglês, ou Mariah Carey. Eu estava até pensando em tocar a campainha e oferecer umas aulinhas pra melhorar a pronúncia, mas acho que ia parecer pedante, já que nunca fomos apresentados. Além do mais, não sei em qual apartamento ele mora.

Também tem a mãe da L. A L. é uma menina de uns cinco anos que vira e mexe faz alguma coisa que não deve e leva bronca da mãe. No início, quando eu a ouvia gritar com a filha e menina chorava, pensava mal da mãe da L. e dizia a mim mesma: eu nunca vou gritar com os meus futuros filhos. Só que percebi que eu não estou na pele da mãe da L. para saber o quão difícil foi o seu dia, ou que ela deve estar fazendo o seu melhor e mesmo assim não parece suficiente. Parei de julgar a mãe da L. e comecei a desejar que ela conseguisse respirar fundo, se olhar no espelho e dizer a si própria que ela se basta, que ela está indo bem. A mãe da L. me parece precisar de uma semana em um spa, longe de tudo, sendo paparicada. Sair pra dançar e tomar uns drinques cairia bem. Ser mãe e dona de casa 24 horas por dia deve ser realmente desgastante.

A minha vizinha mais misteriosa é uma senhora de idade que nunca vi. Vamos chamá-la de Dona E. Ela praticamente já estava aqui quando a primeira parede foi erigida. Não raro, tocam o meu interfone achando que é o apartamento da Dona E. Pelo pouco que sei, ela não pode sair de casa desacompanhada – acredito que pela idade avançada ou algum motivo de saúde – e sempre tem uma enfermeira ou acompanhante.

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Corredor do meu prédio

Na véspera de Ano Novo aconteceu de tocarem o meu interfone procurando pela Dona E. Na verdade, não foi bem assim: estavam tocando vários interfones, pedindo a alguma alma caridosa que pudesse descer para abrir o portão. Eram parentes da Dona E., e me explicaram que ela estava sozinha em casa e não conseguia se levantar para atender o interfone, e muito menos descer e abrir o portão. Dei um jeito no cabelo, calcei os chinelos e desci para fazer minha última boa ação do ano.
Fui recepcionada por um casal por volta dos seus cinquenta anos, cada um carregando alguma coisa para a ceia de Ano Novo.

_ Minha filha, muito obrigada mesmo! A Dona E. está sozinha, veja você. E é uma senhorinha de muita idade, é difícil para ela fazer qualquer coisa sem ajuda… E nós viemos pra fazer companhia.

Fico imaginando se eu deveria fazer um bolo e ir lá visitar a Dona E. Mas daí eu lembro que sou tímida e me fecho no meu casulo, protegida dos vizinhos pelas paredes e unida a eles pelas janelas.

As grandes aberturas de animes de todos os tempos (da minha memória)- parte 2

Nestes últimos dias estava ocupada fazendo manutenção do meu maravilhoso bronzeado… Demorei, mas hoje finalmente vou continuar a singela lista sobre as minhas músicas de abertura de anime favoritas. Vamos lá!

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Quem canta zentradi espanta

05) The Sore Feet Song – Mushishi
Artista: Ally Kerr
Ano: 2005

Esta deliciosa música foi meu toque de celular durante uns bons dois anos. É calma e me faz lembrar muito Belle & Sebastian: meio melancólica, meio alegrinha, deliciosa para se ouvir caminhando por aí, admirando as árvores. Mushishi se passa em um passado situado antes da abertura dos portos do Japão. Acompanhamos Ginko em sua busca para ajudar pessoas que sofrem sob a influência dos mushi, que são uma espécie de criaturas sobrenaturais que têm certo poder sobre os humanos. Teve inclusive filme live action (que eu ainda não vi)…

04) Hohoemi no Bakudan – Yu Yu Hakusho
Artista: Matsuko Mawatari
Ano: 1992

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Vê se não parece foto de boyband

Meu sonho era cantar essa música no karaokê… E em 2005 eu consegui 🙂
Eu gosto muito da letra, porque faz pensar sobre nossas relações pessoais, como queremos agir e o quanto às vezes é doloroso fazer certas escolhas. Acho o “muito obrigado” no final do refrão é MUITO esquisito, mas relevo.

Yu Yu Hakusho é um dos melhores animes shonen que eu já vi. Logo no primeiro episódio o personagem principal morre! O legal de Yu Yu é que podemos ter um primeiro contato com crenças e mitos do xintoísmo, uma religião original japonesa e que é muito rica e muito diferente da nossa visão ocidental. Tem uns campeonatos aqui, uns caras doidos que querem encher um guri de 16 anos de porrada ali, mas o melhor são os personagens muito marcantes e cativantes.

03) Pegasus Fantasy – Saint Seiya
Artista: MAKE-UP
Ano: 1986

Libere seu cosmo neste delicioso clássico do cancioneiro glam-rock animezístico. Esta é uma ótima oportunidade para pegar a escova ou o controle remoto e fingir que é vocalista de alguma banda de rock dos anos 80, ou fazer air guitar – ou tocar vassoura como se fosse um baixo, sei lá. E Saint Seiya, como você sabe, é aquele anime que foi feito pra vender boneco da BANDAI 🙂

02) Blurry Eyes – DNA^2
Artista: L’Arc~en~Ciel
Ano: 1994

Segunda música do L’Arc~en~Ciel nessa listinha! Ah, quando eles ainda eram bons… Crianças, há muitos invernos atrás, não tinha essa de assistir anime na tv, no computador, no smartphone. A gente se reunia mensalmente para ver as fitas VHS que vinham a muito custo de São Paulo, que por sua vez recebia a muamba do Japão ou dos Estados Unidos. E aí a gente via um ou dois epis em um domingo e depois tinha que esperar pra ver a continuação… Imaginem que tortura!
Se você não conhece L’Arc~en~Ciel, esta é a melhor música para conhecer. Tem outras boas também, mas essa aqui mostra a banda de raiz, antes até de irem pro mainstream. É bem melódica e colorida – é uma das poucas bandas que me fazem sentir sinestésica.

01) Get Along – Slayers
Artista: Megumi Hayashibara e Masami Okui
Ano: 1995

Megumi Hayashibara é uma deusa, ponto. Essa música está no meu pódio porque além de ter Megumi-sama cantando, ainda tem a Masami Okui, que é deusa também. As duas juntas já devem ter cantado mais de mil músicas de anime. Neste caso, elas intepretam duas personagens na música de abertura – respectivamente, Lina Inverse e Naga, as melhores pessoas nessa história. Slayers é um ótimo anime se você curte RPG estilo medieval e é uma pessoa bem humorada. Vai lá ver!

Tá tudo bem

O telefone toca.

_ Oi, fulana!
_ Oi, há quanto tempo! Tudo bem?

Em um milésimo de segundo, o silêncio. Passa um filme longo dentro da mente. A falta de perspectiva diante da atual situação financeira. As notícias de assassinato porque algum homem não aceitou fim de namoro. Olhar-se no espelho e não sentir alegria. O presidente dos EUA que acabou de tomar posse. Contar as moedas para comprar pão. O legado dos Jogos Olímpicos, já palpável pelo abandono do Maracanã. Procurar emprego e não achar. Carnaval chegando.

Enfim, você respira fundo e responde, num meio sorriso:

_ Tá tudo bem.

As grandes aberturas de animes de todos os tempos (da minha memória)

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Shake your money maker

Ah, o ócio.
Bem, eu estou tentando produzir qualquer coisa – QUALQUER COISA – durante esse período “entre projetos” (que é um belo eufemismo para desemprego). Daí que neste último domingo chuvoso me peguei pensando em animes. Mais precisamente, nas músicas de abertura de animes que eu acho maravilhosas. Então resolvi fazer uma pequena lista. Aqui vai a primeira parte:

10) Bari Bari Saikyou No. 1 – Jigoku Sensei NUUBEE
Artista: FEEL SO BAD
Ano: 1996

Esta comédia conta a história de um professor novato que exorciza demônios com sua mão endemoniada. É pra rir, se divertir e relaxar. A abertura é fenomenal por causa da letra, que te deixa pra cima; uma verdadeira ode ao amor próprio:

A partir de hoje eu vou ser o mais forte / Aí vai o cara mais fenomenal / A partir de hoje eu sou o número 1 / Eu sou demais

09) Moonlight Densetsu – Sailor Moon
Artista: DALI
Ano: 1992

Confesso que resisti até me entregar à Sailor Moon. Sempre fui de gostar mais de shonen e todo aquele amorzinho e romance das Sailors me deixavam enjoada… Então, eu ligava a tv para dar audiência até que começassem os desenhos que eu realmente queria ver. Só que aí eu fui parar para assistir alguns episódios e acabei gostando, vejam vocês. A abertura me dá uma sensação de nostalgia muito boa, de tempos mais simples… E eu acabei memorizando a letra (em japonês e português) e até hoje vivo cantarolando por aí.

08) Duvet – Serial Experiments Lain
Artista: Bôa
Ano: 1998

Triste, meio soturna meio alegre; dor, decepção, desentendimento. E tá tudo cantadinho em inglês, uma raridade. Serial Experiments Lain é uma série com pano de fundo bastante filosófico e existencialista, abordando temas como tecnologia e comunicação e seus deméritos (isso só para dar uma pincelada, como diriam meus professores de Literatura da faculdade).
OBS: recomendo que assista à Lain apenas se estiver de MUITO bom humor. É um soco no estômago e chute nas bolas em qualquer um.

I am falling / I am fading / I am drowning / Help me to breathe
I am hurting / I have lost it all / I am losing / Help me to breathe

07) Tank! – Cowboy Bebop
Artista: The Seatbelts
Ano: 1998

Essa é a abertura de um dos meus animes favoritos. Cowboy Bebop é tipo um western espacial, com muito jazz, blues e solidão – mas sempre com aquela pitada de humor. A trilha sonora é da grande Yoko Kanno, responsável por inúmeras composições de sucesso nesse mundinho anime: Lodoss War, Macross Plus, Escaflowne, Ghost in the Shell (Stand Alone Complex), entre outros.

06) Ready, Steady, Go! – Fullmetal Alchemist
Artista: L’Arc~en~Ciel
Ano: 2004

Ah, L’Arc~en~Ciel. Meu primeiro amor musical da terra do sol nascente. Sou suspeita para falar deles porque sou fã – melhor dizer que era fã, porque só curto as coisas mais antigas – mas esta música está aqui principalmente por me trazer lembranças do Japão. Eu estava lá em 2004-2005, fui ao show da banda e assisti a alguns episódios de Fullmetal. Óbvio que iria gostar, né. Neste anime, acompanhamos dois irmãos em busca da Pedra Filosofal em um ambiente bem steampunk e retrofuturista. Ainda tenho que terminar de assistir a série, mas o início é muito bom.

Eu, essencialmente cigarra

essencial
adjetivo de dois gêneros
  1. 1.
    que é inerente a algo ou alguém.
    “a magnanimidade é sua qualidade essencial.”
  2. 2.
    que constitui o mais básico ou o mais importante em algo; fundamental.
    “as questões essenciais de uma situação”
supérfluo
adjetivo substantivo masculino
  1. 1.
    que ou o que ultrapassa a necessidade, que é mais do que se necessita.
    “riqueza supérflua”
  2. 2.
    p.ext. que ou o que é redundante; desnecessário.
    “palavras supérfluas”

Ultimamente, venho pensando muito sobre o significado dessas duas palavras. Claro que a atual situação financeira me obriga a isso também, mas o antagonismo desses termos vem e volta já há algum tempo para mim. Lembro-me daquela frase d’O Pequeno Príncipe: o essencial é invisível aos olhos.

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Fonte: Níquel Nausea

Faz lembrar também aquela fábula da cigarra e da formiga, do Esopo. A cigarra só queria tocar seu violão, curtir o solzinho e farrear por aí. Enquanto isso, a formiga trabalhava dia e noite, diligentemente, preparando-se para o inverno que iria vir. Acabou que a cigarra vida-boa foi bater à porta da formiga, implorando por comida e abrigo durante o inverno. O final da história varia de acordo com cada autor. Na versão que li quando criança, a formiga ajuda a cigarra e esta promete trabalhar com afinco quando chegar a primavera. Em outras versões, mais antigas à essa e provavelmente mais fiéis, a formiga dá-lhe com a porta na cara e manda um “você que se vire, quem mandou ser vagabunda” na cara da cigarra.

Imagem relacionadaPois bem, eu sempre fui essencialmente (significado primeiro acima) uma cigarra. Não sei economizar. Não sei planejar. Não sei medir. Não sei prever o futuro. Um raio pode cair na minha cabeça; posso ser atropelada por um ônibus; ou vai vir o tão sonhado meteoro/planeta gigante que vai colidir com a Terra e nos livrar de toda a nossa comiseração. Então, eu vivo o carpe diem. Sempre vivi e nunca me arrependi disso.

Isso até sair de casa e ir morar sozinha. Daí eu comecei a ter de escolher entre o que é essencial e o que é supérfluo – mas entenda, isso varia de pessoa para pessoa. Eu costumava sair para dançar todo final de semana, religiosamente. Para mim, isso era essencial. Confesso que sinto falta dessa época, porque além do exercício aeróbico, era também catártico e funcionava como uma bela terapia. Considerava aquelas horas como válvula de escape para exorcizar os demônios da semana e limpar o corpo para os desafios seguintes.

Voltando à fabula: já pararam pra pensar que, de repente, as formigas conseguiram trabalhar melhor porque a cigarra estava lá, cantando e tocando seu violão, para alegrar o dia?

Agora, neste período de vacas magras, eu preciso medir, planejar, economizar. Não vou mentir: é muito difícil. Eu tento encontrar abrigo no que considero essencial: família, poucos amigos, meu companheiro, meu gato. Nos livros, filmes e séries que me servem de companhia. Nas histórias que brotam da minha cabeça. Nas músicas que ouço e fazem com que eu me sinta viva.

O essencial é invisível aos olhos, mas às vezes se materializa em alguma forma surpreendente.

Pensamento positivo

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Elvis, meu urso gigante de pelúcia, sempre pronto para pensar positivo (y)

O pensamento positivo é algo curioso.

No meu caso, funciona muito bem quando me refiro aos outros. Sempre confio que tudo vai dar certo para os meus amigos. Calma, é só uma fase, tudo vai melhorar; você é linda, não tem porquê se sentir insegura; tenha paciência e confie em si mesmo, você vai ver que vai dar tudo certo.

O problema é quando eu viro o espelho para mim. Ah, aí é que tudo vai por água abaixo. Isso se dá graças à autoestima flutuante. Há dias em que tudo é muito belo; mas há aqueles dias em que nada pode dar certo. Eu olho para a bagunça aos meus pés e não consigo ver saída, não tem como me esgueirar pela borda e sair de fininho, fingindo que tudo está bem.

Provavelmente, todo mundo se sente assim. Alguns mais do que outros. Então, nesses dias, eu faço uma lista das coisas positivas (e simples) pelas quais devo esperar:

 

Ah, eu falei de Trainspotting e deu saudades.

Blue monday

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No hemisfério norte, a terceira segunda-feira de janeiro é considerada a data mais triste do calendário. Deve ser por causa do inverno – o frio, a vontade de não sair de casa, não fazer nada, esperar o dia terminar.
Tem até nome para a data: blue monday. Em inglês, o azul é a cor da tristeza. Faz sentido, principalmente se você ouve um blues numa segunda-feira triste.

Não sei se foi a lua cheia, invisível no céu nublado; ou a melancolia de verão; ou a saudade dos dias na praia, de sentir que a água salgada me ajudava a purificar a alma. Sei que ontem a segunda-feira estava bem azul. Azul escuro, petróleo, profundo, índigo. Íntimo.