A New Line morreu

… ou melhor, foi incorporada a Warner Bros. – o que significa muito provavelmente atrasos nas filmages de O Hobbit. Quê? Você não sabia que estão transformando a saidinha de tio Bilbo pela Terra-Média em filme? Então vai na Valinor e se intere sobre o assunto.

Recebo semanalmente um email do pessoal da Valinor com notícias referentes ao mundo de Tolkien, além de textos escritos por estudiosos de Literatura, Arte, jornalistas e fãs também. O que me chamou atenção neste último email recebido foi o texto “Dinheiro e Miséria“, escrito por Hal G. P. Colebatch (saúde!). Achei que coube com a nova catiguria que eu já prentendia estrear aqui, batizada de cão sem plumas. Este termo é usado por João Cabral de Melo Neto, um dos meus poetas favoritos, pra falar sobre a miséria e as condições de vida no nosso país; aqui, eu resolvi utilizar pra significar uma pobreza de espírito – no texto do tio Colebatch, a pobreza está estampada na avareza dos herdeiros de Tolkien. É um texto looongo, mas eu recomendo.

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Dinheiro e Miséria

Hal G. P. Colebatch, famoso advogado australiano, escreveu em sua coluna no The American Spectator sobre a confusão envolvendo os herdeiros de Tolkien e a New Line, com relação aos direitos sobre os filmes de O Senhor dos Anéis.


Muitos anos atrás parte das tarefas de meu pai em Londres era obter empréstimos para a Austrália Ocidental no mercado financeiro Internacional, e emprestar dinheiro que estivesse sobrando ao Governo da Austrália Ocidental. Isto o levou a encontrar muitos dos maiores financistas e endinheirados na Europa, e ele registrou em seu diário algo que o confundia: Por que eles pareciam mais miseráveis quanto mais dinheiro tinham? Ele concluiu, talvez se permitindo um toque de paradoxo retórico, que ele descobriu que a melhor maneira de ser feliz é não ter dinheiro e o gastá-lo livremente. (Ele possui, é verdade, um pequeno jornal, mas o deu a meus meio-irmãos décadas antes de eu ter nascido).

Sim, dinheiro… eu nunca fui, ou fui apenas durante um período bem curto por volta de 1969, um fã dos Beatles. Particularmente, eu nunca fui um fã de John Lennon, cantando canções contra o dinheiro e o capitalismo e pedindo às pessoas para “imaginar o mundo sem posses” com um apartamento especial em Nova Iorque única e simplesmente para manter as peles dele e de sua mulher. Sendo hipocrisia ou auto-engano, é de virar o estômago. De qualquer forma, olhando para o que eles eram e para o que são agora, como os tempos mudaram!

Eu não sei o que se passa com Ringo Starr atualmente, embora ele tenha feito um trabalho bom o suficiente narrando na televisão o personagem “Thomas the Tank Engine”. Embora descrito no passado como o mesmo habilidoso ou criativo dos Beatles, ele parece ser o único tanto vivo quanto feliz. Paul McCartney, preso em um divórcio amargo com milhões de dólares em disputa, parece um homem velho e triste, envelhecido prematuramente, apesar de que mesmo dando a Sra. McCartney tudo que ela razoavelmente espera, partindo e construindo uma vida, ele ainda seria rico. John Lennon, de uma certa forma, foi morto pela riqueza e celebridade.

Mas ainda mais triste, a meu ver, do que esta evidência do fato de que, como São Paulo disse, “Amor ao dinheiro é a raiz de todos os males” (não, por favor atente, que “dinheiro é a raiz de todos os males”) são as notícias de que os herdeiros de J. R. R. Tolkien estão processando o estúdio responsável pelas filmagens de O Senhor dos Anéis em U$ 150 milhões, afirmando que eles não receberam direitos autorais pelos filmes. Parece, pelas notícias na imprensa, que a disputa pode impedir a filmagem de O Hobbit.

De fato eu sou muito grato ao filho de Tolkien, Christopher Tolkien, por diligente e devotadamente editar e publicar as várias obras incompletas de seu pai, e os vários rascunhos e fragmentos sobre o mundo da Terra-média que de outra forma não seriam vistos. Além disso, como regra eu sou bastante relutante em dizer para outras pessoas como elas devem organizar suas vidas, mas eu realmente acho que ele e sua irmã, que encabeçam o Tolkien Trust o qual é dito ter entrado com a ação, poderiam deixar isso passar, seja lá quais foram os certos e errados na lei (sobre o que eu não expresso opinião). A venda dos livros trouxe a eles uma fortuna enorme, mais do que eles ou suas famílias poderiam viver para gastar, e os filmes de O Senhor dos Anéis, mesmo que eles não tenham recebido os direitos sobre eles, catapultado as vendas desses livros , e um filme sobre O Hobbit com certeza faria o mesmo. Se esta disputa de fato impedir O Hobbit de ser filmado, estarão cortando os próprios narizes. E Christopher Tolkien tem 83 anos de idade. Quantos milhões mais ele acha que precisa?

Deixe O Hobbit seguir em frente, Christopher, eu sugiro. Fique com os direitos adicionais – que provavelmente serão muito milhões de qualquer forma – que serão trazidos pelas vendas extras de livros impulsionadas pelo filme. Deixe a grande obra de seu pai alcançar mais alguns milhões de pessoas na tela grande. Ele, afinal, não escreveu e publicou os livros para fazer uma vasta fortuna, mas sim para despertar as pessoas para as maravilhas e excepcionalidades do mundo de faerie.

E lembre-se do principal assunto do Hobbit: pessoas que acabam entrando em conflito pelo tesouro de um dragão, o qual foi extremamente avarento. Antes que o ataque dos goblins os unisse, os lados bons foram levados às raias de uma guerra entre si porque, embora nenhum estivesse exatamente errado e houvesse tesouro suficiente para ser dividido entre todos, cada um – particularmente o Senhor dos Anões Thorin Escudo-de-Carvalho – insistia no que considerava seu direito legal estrito. Quando a Bilbo Bolseiro, o herói, é dado uma parte no final, a experiência o leva a pegar apenas uma parte modesta do que lhe é oferecido, dizendo que ele não sabia como gerenciar um tesouro tão grande “sem guerra e assassinato por toda parte”. E lembre-se também, talvez, das palavras do arrependido Thorin Escudo-de-Carvalho em seu leito de morte, após a batalha pelo tesouro: “se déssemos mais importância à comida, à diversão e canções do que a juntar tesouros, seria um mundo mais feliz”.

Hal G. P. Colebatch, advogado e autor, ensinou Direito e Relações Internacionais na Notre Dame University e na Edith Cowan University, na Austrália Ocidental e trabalhou como parte do gabinete de dois Ministros da Austrália.

The Police – Don’t stand so close to me

Eu posso contar nos dedos de uma só mão as músicas que gosto do The Police. Talvez apenas dois dedos bastem. Anyway, como eu estou muito ocupada – demais, até – pra escrever algo decente, aqui vai o clipe da minha versão favorita (a mais nova e, ironicamente, a que levou à despedida da banda). E vamos à letra!!

Young teacher, the subject
Of schoolgirl fantasy
She wants him so badly
Knows what she wants to be
Inside her there’s longing
This girl’s an open page
Book marking – she’s so close now
This girl is half his age

Don’t stand, don’t stand so
Don’t stand so close to me
Don’t stand, don’t stand so
Don’t stand so close to me

Her friends are so jealous
You know how bad girls get
Sometimes it’s not so easy
To be the teacher’s pet
Temptation, frustration
So bad it makes him cry
Wet bus stop, she’s waiting
His car is warm and dry

Loose talk in the classroom
To hurt they try and try
Strong words in the staffroom
The accusations fly
It’s no use, he sees her
He starts to shake and cough
Just like the old man in
That book by Nabokov

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Recomendo NÃO assistir ao clipe; só ouvir a música basta, acompanha a letra que é melhor. O clipe sucks big time.

E vamos aos por quês…. Afinal de contas, por que essa música?

  1. Eu gosto da letra.
  2. Ele cita Vladmir Nabokov, aquele grande depravado autor de um dos meus livros favoritos, Lolita.
  3. O Sting era gateenho.
  4. Eu sou professora p*rraaaaaaaaaaaa, e agora devidamente licenciada.

Complexo de Peter Pan

Desde os meus quinze anos tenho a firme certeza de que não há vida melhor que o Jardim de Infância. Imagine só passar o resto da sua vida se pintando com tinta guache, fazendo presentinhos de palitos de picolé pra sua mãe e canecas de papel machê pro papai – e todo mundo achar lindo quando você fala cola-cola ao invés do nome certo daquela bebida horrorosa. Imagine ganhar brinquedos todo Natal. Imagine fazer beicinho e receber o que tanto quer. Good times.

E aqui estou eu na casa da mamãe. Devo admitir: estou tendo muito mais dificuldade em me adaptar à nova vida de gente grande que minha irmã do meio. Bem, vamos ver: ela realmente não é “adulta” ainda – não na concepção “eu pago as contas” do termo – mas é ela quem vai às reuniões de condomínio; é ela quem escolhe os móveis novos; e é ela quem tem mais desenvoltura pra explicar porque está saindo água pelo ralo da área. Digamos que eu seja a faz-tudo da casa: problemas com a antena? A corda de roupas arrebentou? Alguém tem que lavar o banheiro? Deixa pra Eri aqui.

Além de todas as regalias que existem na casa de mammy – comida saudável, sucos de vários sabores, tv a cabo, cerveja de graça – eu ainda tenho minha mãe e minha irmã mais nova, sendo esta última o meu ideal utópico (eita redundância) da boa vida. Ah, eu quero ter quatro anos e meio para sempre.

セロリ~serori~c’est loli

Eu nasci no país errado, no continente errado, na época errada. Eu poderia ter vivido na época Vitoriana, mas nãããão, nasci em oitenteum e no Brasil, esta pocilga tropical onde não se pode sequer colocar o mínimo de reboco na cara sem derreter. Eu poderia ter nascido no Japão também. Por que? Ora, simples:

Olha esse vestido. Olha o sapato. As luvas, PELOS DEUSES, as luvas. Onde mais alguém poderia se vestir assim e não ganhar uma chuva de ovos e tomates podres?

Eu simplesmente não SUPORTO estampas, mas usaria esse vestido de bolinhas. Sim, pra mim bolinha é estampa. E chapéu, então? No meu cabelo leonino, chapéu é quase suicídio; mas eu me arriscaria num desse tipo aí. E AS MEIAS FIO 80??? No Rio, imagina? Só se for estilo pós-apocalíptico, as geleiras vindo parar na praia de Ipanema.

E o meu favorito…

PQP, olha só essas meias. Olha a camisa. Esqueça a cara de idiota da tia e suas orelhas de abano; estamos falando de estilo aqui.

No Japão o movimento Gothic Lolita é só mais um a se juntar a tantos outros. A diferença desses lances féshon no Japão é que as pessoas respeitam. Algumas podem não aceitar, mas ninguém sai por aí tacando pedra em neguinho que usa delineador e pó de arroz.

Fotos chupinhadas e babadas do Avant Gauche.

Sleepless beauty

Acho que esse lance de férias sem férias não funciona muito bem comigo. Há SEMANAS não sei o que é dormir num horário decente e de maneira normal – o clássico bateu na cama, dormiu. Programo o meu dia pra terminar no máximo meia-noite e, quando vejo, são três da madruga e ainda estou acordada.

Horário de professora é a coisa mais lowca do mundo, ainda mais de professora de “cursinho”: é uma turma de manhã, outra de tarde, alunos particulares espalhados por todos os dias da semana – cada um com o seu horário – e geralmente um dia sem nada pra fazer. Eu disse geralmente, né? Bem, esse ano eu só terei oficialmente livre os domingos. Agora durante as férias estou no curso intensivo de verão: são duas horas por dia de segunda a quinta, num horário ma-ra-vi-lho-sa-men-te ideal pra quem odeia acordar cedo como eu.

O pior é tentar explicar essas coisas pra quem não tem esse tipo de vida. Mammy, por exemplo. Ontem combinei de ir pra casa dela pela manhã, almoçarmos juntas, e aí eu ficava fazendo hora até ir pro trabalho. Tá que hoje de manhã ela me liga trocentas vezes e eu não tinha forças sequer pra atender e dizer: “helloooow, estou morta. Ligue em horário decente.” Aí ela passou aqui e, num plano maquiavélico juntamente com minha irmã, resolveram me acordar. Resultado: Eri de mau humor e com olheiras maiores que o normal.

James Blunt – The Same Mistake

Eu ia colocar um link pro videoclip da música do tio Blunt, mas mudei de idéia. O clipe sucks. Eu odeio esse lance de colocar uma câmera amarrada no camarada enquanto ele caminha pela rua. É bobo e me dá náuseas.

Anyways, eu continuo sendo uma pessoa sem mp3 player; tudo o que me resta, então, tenho que ouvir o que passa no rádio – melhor dizendo, eu troco de estação a todo momento. Entre uma música antiga e a pegajosa it’s-britney-bitch, eis que ouço The Same Mistake do tio Blunt. Eu ODEIO aquela maldita You’re Beautiful, mas dessa aqui… bem, dessa aqui eu gostei.

So while I’m turning in my sheets
And once again I cannot sleep
Walk out the door and up the street
Look at the stars beneath my feet
Remember rights that I did wrong
So here I go

There is no place I cannot go
My mind is muddy but
My heart is heavy does it show
I lose the track that loses me
So here I go

And so I sent some men to fight
And one came back at dead of night
Said he’d seen my enemy
Said he looked just like me
So I set out to cut myself
And here I go


I’m not calling for a second chance
I’m screaming at the top of my voice
Give me reason, but don’t give me choice
Cause I’ll just make the same mistake again

And maybe someday we will meet
And maybe talk but not just speak
Dont buy the promises cause
There are no promises I keep
And my reflection troubles me
So here I go

I’m not calling for a second chance
I’m screaming at the top of my voice
Give me reason, but don’t give me choice
Cause I’ll just make the same mistake

So while I’m turning in my sheets
And once again I cannot sleep
Walk out the door and up the street
Look at the stars
Look at the stars falling down
And I wonder where
Did I go wrong?