O que terá acontecido a Baby Jane?

(Ou: aqui vai uma tentativa de romper o hiatus criativo que minha mente anda sofrendo)

Desde que fiquei sabendo sobre a nova série que irá contar a história da rivalidade entre Bette Davis e Joan Crawford, estabeleci a mim mesma que precisava ver (e rever, em alguns casos) os filmes dessas grandes estrelas de Hollywood.

A série que irá estrear este ano pelo canal FX chama-se Feud: Bette and Joan, e é do mesmo criador de American Horror Story, Ryan Murphy. No elenco teremos Jessica Lange como Joan Crawford e Susan Sarandon como Bette Davis.

Reconheço que assisti menos filmes em preto e branco americanos do que gostaria, mas dentre eles tem pelo menos dois estrelando Bette Davis. Eu já a adorava simplesmente por causa da música Bette Davis’ Eyes

Imagem relacionadaMas enfim, neste fim de semana assisti a O Que Terá Acontecido a Baby Jane? (What Ever Happened to Baby Jane), filme de 1962. Eu já havia assistido a algumas cenas, mas nunca ao filme todo. Minhas expectativas estavam altas e eu não me decepcionei.

Baby Jane Hudson (Bette Davis) é uma antiga estrela mirim de teatro vaudeville que, como costumava acontecer, perdeu sua fama conforme foi envelhecendo. Sua irmã Blanche (Joan Crawford) acaba crescendo e se tornando uma grande estrela de cinema. Porém, após um misterioso acidente de automóvel do qual Jane é tida como culpada, Blanche acaba ficando paraplégica e recolhe-se do mundo e passa a depender de sua irmã Jane para tudo. O trailer do filme é uma delícia.

Baby Jane é uma vilã formidável: alcoólatra, mentalmente desequilibrada, totalmente apegada à sua infância gloriosa, ela odeia a irmã e a maltrata física e psicologicamente sempre que pode. Todas as tentativas de Blanche para pedir ajuda são frustradas. Ela se encontra totalmente à mercê de sua irmã.

Gostei muito da trilha sonora, é bem característica dos filmes da época, com temas de fundo grandiosos e em compasso com as cenas. Tem uma canção específica que está na minha cabeça até agora: I’ve written a letter to daddy, que é cantada várias vezes e tem um tema instrumental também. A minha cena favorita com esta canção é quando Baby Jane canta, já mais velha:

 

A Blanche interpretada por Joan Crawford é bastante introspectiva, acuada, medrosa, representando bem como alguém passa a se comportar ao sofrer abusos psicológicos. Reconheço que adoro todas as cenas em que Jane fala alguma coisa para ferir Blanche (eu tenho um fraco por vilãs). São duas grandes atrizes aproveitando suas contendas fora das telas para nos dar representações memoráveis. O filme recebeu cinco indicações ao Oscar, entre elas Melhor Atriz (Bette Davis) e Fotografia Preto e Branco e Figurino, ganhando apenas este último. Tanto Joan Crawford quanto Bette Davis foram indicadas ao BAFTA de Melhor Atriz Estrangeira.

Encontrei no Medium um texto (em inglês) muito interessante sobre o filme e o diretor Robert Aldrich. Vale a pena a leitura 😉

 

Atlas de Nuvens

Cartas escritas por um viajante percorrendo as ilhas do oceano pacífico,no meio do século XIX. O diário de um jovem músico brilhante e bon-vivant em sua estadia na Bélgica dos anos 1930. Um thriller de suspense e intrigas empresariais passado nos anos 70, tendo como cerne uma jornalista perspicaz. As peripécias de um senhor de quase setenta anos ao ser internado em um asilo na Inglaterra, por volta de 2010. A entrevista de uma clone que despertou de sua inércia em uma sociedade distópica na Coreia, em algum tempo no século XXII. Um velho conta a história de sua juventude a um grupo de jovens no que já foi a ilha do Havaí, alguns séculos adiante.

E de alguma forma sutil e verdadeira, tudo está intrinsecamente conectado.

Resultado de imagem para atlas de nuvensCloud Atlas – ou Atlas de Nuvens, na tradução para o português – é um livro de 2004 escrito por David Mitchell. Recebeu vários prêmios e foi adaptado para o cinema em 2012 contando com um elenco estelar: meu querido Tom Hanks, Hugo Weaving, Halle Berry, Hugh Grant. Foi dirigido pelas irmãs Wachowski (aquelas de Matrix). Aqui no Brasil, a adaptação recebeu o nome de A Viagem. Acho que pros noveleiros se lembrarem daquela novela que passou na Globo há uns anos e falava sobre reencarnação.

O meu primeiro contato com Cloud Atlas foi pela adaptação cinematográfica. Reconheço que faço parte do grupo de 14 pessoas que gostou da história. Não se pode sequer piscar durante o filme, se não você perde alguma informação importante, deixa de ver algo crucial para conectar todos os pontos, ou deixa de entender alguma pista. Assisti no cinema, e muitos anos depois vi novamente na televisão.

Quando descobri que não era roteiro original, saí em busca do livro. Eu precisava ler o original, porque sabia que não podia ter só aquilo que vi no cinema. Ganhei o bendito como presente de Natal ano passado e comecei a ler de imediato. Dito e feito: a experiência do livro é muito mais profunda e intensa. Foi um daqueles volumes que eu demorei a terminar quando cheguei perto do final, simplesmente porque não queria que terminasse.

A capacidade do David Mitchell em adaptar seu próprio modo de escrever a cada trecho da narrativa é impressionante. Parece que várias pessoas diferentes escreveram, mas ao mesmo tempo podemos perceber que foi uma única mente que amarrou tudo. A minha parte favorita é a que conta a história de Sonmi-451, uma clone criada para servir aos seres humanos possuidores de almas (obs: alma aqui tem outro sentido). Várias palavras foram adaptadas, criando novos significados. Eu conseguia visualizar muito bem a distopia proposta pelo autor. Uma passagem no final da entrevista de Sonmi-451 ao arquivista (ou carceceiro) explicita muito bem a linha narrativa do livro inteiro:

Você lamenta a vida que levou?

Como posso lamentar minha vida? Podemos lamentar uma ação escolhida livremente, porém errônea; mas o livre-arbítrio não desempenha nenhum papel na minha istória.

 

Vai logo alugar na locadora do Paulo Coelho!

Atlas de Nuvens é um daqueles raros casos em que eu recomendo assistir a adaptação primeiro e depois ler o livro. Acho que assim a frustração é menor. Acredito que a experiência cinematográfica ficou limitada justamente por causa do tempo de tela: no livro tem história para pelo menos uma minissérie. E eu já falei da trilha sonora?

Ba-ba-dook-dook-dook

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Eu ando muito atrasada em tudo: nas minhas leituras (de livros e quadrinhos), nos meus escritos, na minha volta aos exercícios físicos, nas minhas séries e filmes… Daí semana passada dei um pause na maratona de Absolutely Fabulous  e resolvi ver um filminho de terror. Só pra relaxar, sabe.

O Babadook é um filme australiano de 2014, muito bem dirigido e com um roteiro bem amarrado. Acompanhamos a vida de uma mulher, viúva e com um filho prestes a fazer sete anos. Ela vive sob o trauma da morte do marido: ele morreu em um acidente de automóvel enquanto os dois seguiam para a maternidade. O relacionamento dela com o filho é conturbado, e o guri está naquela idade de ver monstros embaixo da cama, dentro do armário, nos cantos escuros do quarto…

À noite, quando ela vai pôr o filho para dormir, ele pede que ela leia uma história. Ela encontra na estante do quarto um livro de capa vermelha e uma figura sinistra desenhada. O título do livro: O Babadook.

If it’s in a word, or if it’s in a book
you can’t get rid of the Babadook
If you’re a really clever one
You’ll know just what to see
And you can be friends with a special one
A friend of you and me
His name is Mister Babadook
And this is his book
A rumbling sound then 3 sharp knocks
Ba BA-ba dook, dook, DOOK

Se está numa palavra, ou se está num livro
Você não pode se livrar do Babadook
Se você for esperto
Vai saber o que ver
E você pode ser amigo de alguém especial
Um amigo meu e seu
Seu nome é Senhor Babadook
E este é o seu livro
Um som estrondoso, e depois 3 batidas fortes
Ba BA-ba dook, dook, DOOK

 

Medo, angústia, depressão pós-trauma, solidão… Tem tudo isso neste filme. O melhor de tudo é ver o uso maravilhoso de som e sugestão do terror. Ótima pedida para quem gosta do gênero. Recomendo também o vídeo do canal Entre Planos sobre o filme – mas cuidado, tem spoilers:

Feel good movies – filmes gostosinhos, parte 2

Continuando com a minha pequena lista de filmes gostosinhos, vamos nós para a segunda parte:

5. Melhor é Impossível (As Good as It Gets – 1997)

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Adoro a parte da viagem de carro hehe

Dirigido por: James L. Brooks

Quem: Jack Nicholson, Helen Hunt, Greg Kinnear (ok, descobri que sou fã desse ator)

Sinopse: Jack Nicholson é um escritor cheio de TOCs. Helen Hunt é uma garçonete super protetora com o filho. Greg Kinnear é um pintor, vizinho do Jack Nicholson. E todo mundo vai convivendo, exorcizando seus demônios, falando sobre a vida, seus prolemas, como lidar com eles e toda essa coisa tenebrosa que é a vida adulta. O forte aqui são os diálogos: está todo mundo muito confortável em seus papéis, conversando com naturalidade. É deste filme um dos melhores elogios que alguém pode fazer a outra pessoa:

James L. Brooks é um dos responsáveis pela série Os Simpsons e isso já devia lhe garantir um Emmy todo ano. Ele inclusive foi o diretor do filme. A trilha sonora composta por Hans Zimmer é bem gostosinha também. Além deste filme, ele foi responsável por obras como A Origem, Interestelar, a nova trilogia do Batman e O Último Samurai. Ah, Melhor é Impossível também ganha pontos porque tem um cachorrinho 🙂

6. Quase Famosos (Almost Famous – 2000)

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It’s all happening!

Dirigido por: Cameron Crowe

Quem: Billy Crudup, Kate Hudson, Philip Seymour Hoffman

Sinopse: Guri menor de idade que quer ser jornalista e escrever para a Rolling Stones convence o editor da tal revista a contratá-lo para cobrir a turnê da banda Stillwater. É uma jornada bem lá-e-de-volta-outra-vez, na qual acompanhamos o crescimento interno do personagem principal e dos outros a sua volta. Eu particularmente adoro a Penny Lane, personagem vivida por Kate Hudson. Já li um artigo no qual colocam-na como exemplo daquele tropo manic pixie dream girl, mas eu discordo: acho que Penny faz sua própria jornada também.

O filme tem uma trilha sonora impecável: Led Zeppelin, Lynyrd Skynyrd, Elton John, The Allman Brothers Band… O canal wisecrack fez uma boa crítica sobre o filme na sua série Earthling Cinema (infelizmente só tem em inglês).

7. Monty Python e o Cálice Sagrado (Monty Python and the Holy Grail – 1975) & A Vida de Brian (Life of Brian – 1979)

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Qual é a velocidade de voo de uma andorinha sem carga?

Dirigido por: Terry Gilliam e Terry Jones

Quem: Monty Python!

Sinopse: Em O Cálice Sagrado, acompanhamos o Rei Arthur e seus cavaleiros em busca do Cálice Sagrado. Em A Vida de Brian, acompanhamos a vida de Brian, que nasceu num estábulo próximo de onde nasceu Jesus.

Eu adoro Monty Python e posso rever os mesmos filmes mil vezes que vou continuar rindo. Destes dois filmes que citei, o meu favorito é A Vida de Brian – acho que por me fazer pensar sobre como identificar  linha tênue entre fé saudável e fanatismo cego, o que é religião, o que consideramos sagrado… E principalmente por me fazer ver o lado bom da vida.

Esquetes dos Pythons que você precisa ver antes de ir desta pra melhor: futebol dos filósofos, papagaio morto, spam!, clínica de discussões, entrevista de emprego e Ministry of Silly Walks.

8. Trilogia O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel (The Fellowship of the Ring – 2001), As Duas Torres (The Two Towers – 2002) e O Retorno do Rei (The Return of the King – 2003)

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Vocês sabem que tá tudo errado nessa formação, né? O cara com arco tinha que estar lá atrás. Tá todo mundo ferrado nessa rodada…

Dirigido por: Peter Jackson

Quem: Ian McKellen, Cate Blanchett, Elijah Wood, Viggo Mortensen, Ian Holme, Orlando Bloom, Dominic Monaghan, Billy Boyd, Liv Tyler

Sinopse: Adaptação da obra de J. R. R. Tolkien. O poderoso Um Anel precisa ser destruído para que a Terra-Média se salve – e mesmo a menor das pessoas pode mudar o destino do futuro.

Ai, que amor!: É um belo road movie, história de lá-e-de-volta-outra-vez, descoberta da amizade, valorização de si mesmo. Os filmes estreavam sempre próximos do Natal (se bem me lembro, o Sociedade do Anel foi dia 25 de dezembro) e eu estava lá na fila para ver a primeira sessão. Também sou uma feliz proprietária da versão estendida e já perdi as contas de quantas vezes revi. Choro, rio, digo as falas junto com os atores, conheço cada falha e amo mais toda vez que revejo. Figurino, trilha sonora, edição, o trabalho de iluminação… É tudo lindo. Meu coração de jogadora de RPG sempre se emociona com essa bela história.

Feel good movies – filmes gostosinhos, parte 1

Outro dia, no meio do ócio vespertino enquanto pesquisava algumas coisas para uma história em gestação, acabei procrastinando e fazendo uma listinha de filmes que eu gosto e que me fazem sentir bem. Sabe aquele filme que a gente assiste mais de mil vezes e continua adorando, mesmo quando percebe suas falhas? Aquele filme gostosinho, pra assistir debaixo do edredon numa noite fria – ou numa tarde com os amigos, repetindo as falas do seu personagem favorito? Ou aquele filme adaptado de outra obra que resume a sua vida e formou o seu caráter? Pois então 🙂

Quis usar o termo em inglês feel good movies (filmes que te fazem sentir bem), mas estou usando a expressão aqui a meu modo. Os filmes também estão totalmente sem ordem de preferência e/ou importância.

Estejam avisados! Então lá vai a primeira parte:

1. Sabrina (Sabrina – 1995)

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Não sei como ela não se apaixona pelo Linus logo de cara.

Dirigido por: Sydney Pollack

Quem: Harrison Ford, Julia Ormond, Greg Kinnear

Sinopse: Filha do chofer de rica família é apaixonada desde cedo pelo filho mais novo, playboy e inconsequente. Depois de uma temporada na França, a guria aprende a se vestir, corta o cabelão e volta arrasando corações. E o melhor: fica com o irmão mais velho, interpretado pelo Harrison Ford.

Ai, que amor!: Regravação de um clássico de 1954 com Humphrey Bogart e Audrey Hepburn. Eu gosto dessa versão porque é o único filme que eu vejo e não tenho vontade de esganar a Julia Ormond. Em Lendas da Paixão, por exemplo, é impossível simpatizar com ela. A película ganha pontos eternos por apresentar um pouco da moda dos anos 90 e ter o Harrison Ford, meu primeiro amor das telonas.

Sydney Pollack ainda dirigiu outros filmes muito bons: Tootsie, Entre Dois Amores, A Firma.

2. Mens@gem Pra Você (You Got Mail – 1998)

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Toda uma vida apaixonada por essa livraria.

Dirigido por: Nora Ephron

Quem: Tom Hanks! Meg Ryan, Greg Kinnear (de novo?)

Sinopse: Guerra dos Livros com café e emails, tendo Nova York como fundo. Meg Ryan é dona de uma livraria especializada em livros infantis e começa a enfrentar problemas depois que uma grande rede de livrarias abre uma loja na vizinhança – rede essa dirigida pelo Tom Hanks. Eles se odeiam IRL, mas se adoram online – sem saber quem são realmente. Filme cheio de referências a livros e outros filmes, além da propaganda da AOL. Chega dá saudades de quando a gente clicava no símbolo da AOL e ouvia aquele barulhinho quando ficava online.

Ai, que amor!: Gente, é o Tom Hanks. Eu assistiria novamente a todos os filmes da carreira deste homem. A Meg Ryan ainda tinha expressões faciais e está adorável. Os diálogos são muito bons, e falam sobre tudo: relacionamento, trabalho, valores, amizade.

Nora Ephron ainda dirigiu Sintonia de AmorJulie e Julia, além de fazer o roteiro de vários outros filmes.


3. Um Tira no Jardim de Infância
(Kindergarten Cop – 1990)

O guri à esquerda me representa nesta cena.

Dirigido por: Ivan Reitman

Quem: Arnold Schwarznegger

Sinopse: Tira disfarçado de professor apronta altas aventuras em um jardim de infância que é do barulho.

Ai, que amor!: Esta pérola dos anos 90 tem diálogos memoráveis. No meu caso, estou invariavelmente citando algo do tipo “- O que é isso? – É um furão. – O que é um furão? – ISSO é um furão”, ou aquela do “meninos têm pênis, meninas têm vagina” entre outras. A parceira do Shwarza, a detetive O’hara (interpretada pela atriz Pamela Reed), é muito engraçada também. E este é para mim um dos melhores filmes do eterno Exterminador.

Ivan Reitman também dirigiu os dois primeiros filmes d’Os Caça-Fantasmas, além de ter sido o culpado por outras duas comédias estrelando Shwarzenegger e Danny DeVito: Júnior e Irmãos Gêmeos.

4. Clube dos Cinco (The Breakfast Club – 1985)

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Nós todos somos bizarros – só que alguns de nós escondem isso melhor.

Dirigido por: O Guru, o Sábio, o Iluminado dos anos 80, John Hughes

Quem: Emilio Estevez, Anthony Michael Hall, Molly Ringwald

Sinopse: um nerd, um atleta, um caso perdido, uma princesa e um criminoso, em detenção na escola em um belo sábado de sol. Um microcosmo em colisão. Catarse adolescente derramando. Não virou um clássico por nada: cada um de nós consegue se relacionar com algum dos personagens principais – ou mais de um em algum momento.

John Hughes dirigiu Curtindo a Vida Adoidado, Gatinhas e Gatões, Mulher Nota Mil, A Malandrinha, A Garota de Rosa-Shocking, entre outros. E escreveu o roteiro de uma tonelada de outros filmes, entre eles a série Esqueceram de Mim e Férias Frustradas.

Ai, que amor!: além da trilha sonora muito boa, o que me dá a sensação de filme gostosinho é justamente o fazer pensar sobre as angústias adolescentes. Todo mundo passou, está passando ou ainda vai passar por elas: é tipo um batismo de sangue (no caso das meninas, isso ainda é literal). Você não tem certeza de nada, sente a pressão dos pais, do colégio, do mundo te cobrando o seu futuro. A nossa visão dos adultos é bem parecida com o que a Allison, interpretada por Ally Sheedy: quando você cresce, o seu coração morre. O filme nos leva a refletir, passar por essa catarse sobre a adolescência e sobreviver no final.

Boa noite, mamãe (2014)

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Crianças, cara. Aterrorizantes.

Encontrei este título em uma lista de filmes de terror que saem da mesmice dos sustinhos, tripas e sangue falso. Claro que, para assisti-los, teremos de recorrer ao Netflix ou à famosa locadora do Paulo Coelho.

Boa noite, mamãe – título original Ich seh, ich seh – é um filme austríaco que estreou no Festival de Veneza de 2014, mas foi lançado no Brasil em 2015. Ao procurar pelas informações do título, descobri que a direção foi feita por duas pessoas, algo raro.

Sinopse: irmãos gêmeos moram em casa de campo com sua mãe que acabou de passar por uma cirurgia estética profunda. Eles acham que ela não é a mãe deles de verdade.

São poucos diálogos, trilha sonora minimalista, enquadramento muito bem pensado. Logo no início dá pra perceber que há algo de muito, muito estranho acontecendo entre os personagens: é bom prestar bastante atenção à interação entre os três (e como são poucos atores, isso não é nada difícil). Adorei o filme e já quero procurar mais obras dos diretores. Recomendo a crítica do site Boca do Inferno para mais informações.

Gole Yakh – Flor de Gelo

Acabo de assistir a um filme chamado Appropriate Behavior, de 2014. Ele estava em uma lista de filmes dirigidos por mulheres, lista essa da qual selecionei alguns títulos para expandir a minha mente e ver o mundo por outros olhos.

Resumindo: garota de origem iraniana, vinte e poucos anos, sua sexualidade, suas idas e vindas no amor, sua relação com a família, seu entendimento de si no mundo. É um filme muito único: não é comédia clássica, mas te faz rir; não é drama, mas pode fazer chorar; não é romance, mas tem romance. E tem essa música linda que eu já ouvi umas cinco vezes e fui buscar a tradução, a qual encontrei aqui – e tentei passar para o português.

KPPCONT_062059A tristeza fez ninho em teus belos olhos
A noite fez casa em teus negros cabelos
Teus olhos negros são minhas noites
A escuridão dos teus olhos são o meu pesar
Quando as lágrimas correm de meus cílios, tornam-se chuva
O pesar, como uma inundação, acabou com minha casa
Quando estás comigo
O vento carrega minha solidão
Meus olhos marejados choraram toda noite
A primavera fugiu de minhas mãos
Em meu coração, brotou uma flor de gelo
Em meu quarto, me queimo de solidão
Oh! Nesta época, ela floresce
Que posso cantar? Agora que minha juventude se foi
Que minha voz já se foi
A flor de gelo brotou em meu coração…

“Indy Girls” – personagens femininas na franquia Indiana Jones

Um dos meus sonhos de infância era ser arqueóloga – e a culpa é toda do Indiana Jones. Afinal, quem não quer viver aventuras por aí, descobrir relíquias históricas inestimáveis e dar aulas de arqueologia, atendendo em seu escritório na quarta, mas não na quinta?

Neste feriado prolongado, fizemos uma meia-maratona dos filmes do Indiana Jones. Digo meia porque paramos na segunda película. Eu já perdi a conta de quantas vezes já vi cada um deles – principalmente Indiana Jones e o Templo da Perdição, meu favorito. Eu tinha um pavor danado daquela seita doida e de ter meu coração arrancado do peito em sacrifício à Kali. Mas desta vez, eu foquei em algo que nunca me chamou a atenção: as personagens femininas. Eu nunca tinha percebido que há apenas uma, UMA personagem feminina em cada filme – isso antes do mais recente O Reino da Caveira de Cristal. Então eu queria dividir aqui algumas informações colhidas pelas interwebs e elucubrações minhas sobre cada uma das Indy Girls.

Os Caçadores da Arca Perdida: Marion Ravenwood

Ano: 1981

Atriz: Karen Allen

Fonte: www.sideshowcollectors.com
Fonte: http://www.sideshowcollectors.com

Filha de um famoso arqueólogo amigo e também mentor de Indiana Jones, Marion deixa claro logo no início do filme que já teve um envolvimento romântico com o protagonista. “Eu era uma criança e você sabia que era errado”, ela diz. Isso me faz pensar que ela era inexperiente e Indy, não. No oráculo da Wikipedia diz que há época do relacionamento, Marion possivelmente tinha 16 ou 17 anos, enquanto Indy tinha 27. Nosso protagonista vai até o Nepal em busca do pai de Marion, não necessariamente dela; ele precisava de uma peça específica para seguir em busca da Arca da Aliança. Marion é usada, então, como recurso de roteiro para que a história siga em frente.

Na primeira cena, Marion está disputando quem bebe mais em seu bar no Nepal. Suas roupas, modos e falas nos mostram que ela é uma mulher independente e que consegue se virar muito bem sozinha – isso até se envolver novamente com Indiana. Depois disso, ela passa a ser a donzela em perigo, precisando ser resgatada. Marion tenta enganar o arqueólogo francês estereotipado Belloq com a arma mais clássica: a sedução. Usa o vestido que ele lhe dá e tenta embebedá-lo, mas não consegue fugir. Na cena com os piratas, é tratada como possível escrava sexual e objeto – eu vou levar o que eu quiser, diz o malvado nazista para o pirata.

Eu mencionei que é a única personagem feminina no filme? Pois é.

Indiana Jones e o Templo da Perdição: Willie Scott

Ano: 1984

Atriz: Kate Capshaw

Fonte: indianajones.wikia.com
Fonte: indianajones.wikia.com

Talvez a mais irritante Indy Girl de todos os filmes, já que a principal característica de Willie é conseguir gritar. Ela é uma famosa cantora local em Xangai (e obviamente se envolvendo com as pessoas erradas) quando esbarra com Indiana. Retratada como uma mulher fútil, que odeia o ar livre e só pensa em diamantes. Era a garota de Lao Che, o gângster chinês malvadão.

O que eu consegui ver de forma positiva desta vez é que é necessária muita coragem para meter a mão naquele buraco na parede e puxar a alavanca que salva Indy e Short Round. Um zilhão de insetos nojentos e gosmentos naquela sala, pelo chão, caindo por cima dela, dentro do buraco na parede… Eu acho que não conseguiria. Duvido que muita gente conseguisse. Fora isso, Willie é o alívio cômico do filme, muito mais até que o Short Round. E por que ela teve de seguir com Indiana nessa aventura? Não sei. Acho que foi porque o roteirista disse. Não faz sentido ela fugir com Indy depois que eles saem do clube Obi Wan. Ele poderia ter pego o antídoto para o veneno que havia tomado e tchau, tchau, Willie.

Eu mencionei que é a única personagem feminina no filme? Pois é.

Indiana Jones e a Última Cruzada: Dr. Elsa Schneider

Ano: 1989

Atriz: Alison Doody

Fonte: cinema.theiapolis.com
Fonte: cinema.theiapolis.com

FINALMENTE, UMA MULHER ARQUEÓLOGA! Nossa, que alegria. Olha só, ela tem doutorado!

… Mas aí a alegria dura pouco, pois Elsa nos é descrita como ambiciosa, e no mau sentido: ela está mancomunada com os nazistas para obter o Santo Graal a qualquer custo. Além disso, temos o julgamento de valor subentendido quando descobrimos que ela já teve um caso com o Dr. Henry Jones, pai de Indy, e agora seduziu o próprio Indy. Poxa, ela é ambiciosa mesmo, né! Eu não a culpo, porque até eu queria o Sean Connery e o Harrison Ford.

No final, pela sua cega busca ao Graal, Elsa recebe a justa punição: morre. Peraí, será que é justo mesmo? Ela não poderia ter encontrado a redenção ali, e aprendido no final a valorizar sua vida? Bem, o roteirista não pensou assim.

Eu mencionei que é a única personagem feminina no filme? Pois é.

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal: Irina Spalko e Marion Ravenwood

Ano: 2008

Atrizes: Cate Blanchett e Karen Allen

Fonte: indianajones.wikia.com
Fonte: indianajones.wikia.com

Irina Spalko é uma agente russa e a principal antagonista nesta história, e sua caracterização foi inspirada em Marlene Dietrich. Exímia esgrimista e aficionada por ocultismo.

Aqui sinceramente eu vou ficar devendo mais comentários, pois só fiz uma meia-maratona dos filmes e acabei não revendo este. O que tenho na memória é que Irina foi muito estereotipada: os maneirismos, a fala, a caracterização toda. Também aqui meio que se repete a questão da mulher ambiciosa. E eu não sou russa e a dona Blanchett também não, e só posso imaginar como foi a recepção do filme lá na Mãe Rússia. Será que dá pra comparar isso com aquelas black faces de antigamente? Não sei, conjecturas.

Fonte: indianajones.wikia.com
Fonte: indianajones.wikia.com

Ah, a Marion volta porque o filho dela com o Indy aparece. Não me lembro aqui da motivação dela ser outra, acho que era só para ir atrás do filho mesmo, né? Ah, claro: de todas as Indy Girls que já haviam aparecido, Marion era a mais desenvolvida na história. Claro que Elsa não poderia voltar, porque morta; e ninguém gostou da Willie.

DUAS personagens femininas em um mesmo filme de aventura. Nossa! Que recorde!

Pesquisando sobre as Indy Girls, encontrei no blog As Little As Possible um estudo mais detalhado sobre cada uma delas: pontos positivos, negativos, representação de gênero nas personagens e afins (em inglês). Não digo que passei a desgostar da franquia ou do gênero de aventura, mas estar consciente sobre a mensagem do roteiro e as representações dos personagens me fez despertar para as minhas escolhas cinematográficas atuais. Agora, estamos muito longe de dizer Anything Goes para qualquer filme (pun intended).

Cinema: Kotoko (2011)

kotokoAssisti ao filme Kotoko (2011) esta semana. Talvez tenha sido cedo demais para fazer isso – eu andava bastante depressiva há algumas semanas – mas resolvi arriscar.

Aviso: se você tem nervoso com cortes, sangue, machucados e doenças psiquiátricas, este filme não é para você.

Sinopse: Okinawa, Japão. Kotoko é uma mãe solteira com filho pequeno que tem alucinações de visão dupla e não consegue diferenciá-las da realidade. O menino acaba sendo levado para os cuidados de sua irmã. Vemos o dia-a-dia de Kotoko e suas visões; ouvimos seus pensamentos inseguros. O único momento em que o mundo é um só é quando canto, ela diz.

O filme baseia-se em um conto escrito por Cocco, minha cantora japonesa favorita. Como eu já a conhecia e também um pouco de sua biografia, vi muito de sua própria vida no filme: ela sempre se declarou muito insegura, principalmente em apresentações de tv (raríssimas) e shows ao vivo. Suas letras mostram muito da perturbação que se passa em sua alma, suas inseguranças e pensamentos nocivos. A representação de sua Kotoko é primorosa: você acredita que ela está realmente enlouquecendo, chorando, sangrando, desesperando. O diretor Shin’ya Tsukamoto, conhecido no Japão por seus filmes de terror, também aparece no filme como um escritor stalker com quem Kotoko acaba se envolvendo – um relacionamento viciante, danoso física e psicologicamente. Os momentos dela com o filho ainda pequeno foram os mais angustiantes para mim, tanto por ela quanto pela criança.

Kotoko foi premiado no 68º Festival de Veneza com o Prêmio Orizzonti de Melhor Filme, a primeira película japonesa a conseguir esta façanha.

E essa música, cara. Essa música é linda. E nem todos os meus anos de estudo e ensino de japonês me fazem entender a letra, porque é dialeto de Okinawa – praticamente uma língua a parte. Vendo escrito até que me faz sentido, mas a pronúncia de muitas (se não todas) as sílabas é completamente diferente do falar das outras ilhas.

Tem versão ao vivo com instrumentos e tudo aqui. Recomendo fortemente.

Não precisamos de outro herói, mas sim de uma Imperatriz Furiosa

FURIOSA <3Finalmente assisti a Mad Max: Fury Road ontem. Pela primeira vez depois de um longo tempo, fui ao cinema com as expectativas na estratosfera. Não costumo fazer isso porque geralmente acabo saindo perdendo, mas depois de ter lido tantas resenhas e comentários, não pude evitar.

Que filme. Que filme! Cenas de ação de tirar o fôlego e um roteiro simples (ir do ponto A ao ponto B, basicamente), o visual, a fotografia, a música… Tudo ótimo. O clima de seita religiosa toda vez que um dos meninos nascidos para a guerra dizia “eu vivo, eu morro; eu vivo de novo”. Valhalla, a Estrada da Fúria, os nomes!

Quero me casar com Charlize Theron. Que performance!

Há quanto tempo não havia um filme de ação que elevasse a moral feminina. Um filme dirigido por um cara declaradamente feminista – não sou eu que estou dizendo, mas o próprio George Miller, criador do universo diesel punk de Mad Max.  Vale a pena ler o post sobre o filme aqui no site blogueiras feministas, que apresenta uma análise muito pertinente e mais aprofundada.

E para quem reclamou da falta de protagonismo do Max nesta película, vale lembrar: o choro é livre. Deixem de ser egoístas e deem uma olhada em quantos filmes com protagonistas machos botando pra quebrar existem por aí. Deixem a gente bater palma pra Furiosa em paz 🙂