Morfina

Em 2011, quando me inscrevi no curso de Estrutura Literária ministrado pelo Eduardo Spohr, nunca poderia imaginar que dali surgiria uma confraria e uma coletânea de contos. Éramos onze pessoas empolgadas (eu de bendito fruto, única mulher no grupo): tudo era possível, enfrentaríamos os mares bravios, iríamos com tudo, go go team.

A primeira tarefa a ser vencida era, claro, escrever o bendito conto.

Lembro claramente da pressão que eu mesma joguei sobre os ombros. Sobre o que iria escrever? Vou montar o esquema que aprendi no curso, organizar tudinho e seguir à risca a jornada do herói? Ou vamos esperar a Musa tocar meu rosto e me empurrar no caminho certo?

No fim das contas, eu estava com uma página em branco diante de mim. Dentro do ônibus, um calor infernal, as têmporas suando. Fim de mais um dia de trabalho. Eu ainda atravessaria a cidade para chegar em casa.

Então a Musa soprou alguma coisa nos meus ouvidos.

Daí me veio a lembrança desta música e eu comecei a escrever no caderno. A caneta escorregava entre os dedos, rápida, garranchos lindos. A mão tentava acompanhar o pensamento.

 

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Fonte: R7.com

Conheci o Morphine por volta de 1998 graças a um cd que veio junto em uma edição da revista Bizz. Nem sei se a revista ainda existe, provavelmente não. Mas ali tinha Morphine, Marianne Faithful e mais um monte de gente boa da qual não me lembro agora. Esse trio ganhou meu coração instantaneamente porque o contrabaixo domina.

 

 

E sim, a minha história acabou sendo um pouco baseada na letra desta música.

Quando desci do ônibus, a história estava praticamente terminada. Eu iria passar a limpo, revisar, inserir mais algumas cenas – mas o coração estava lá, pulsando. A minha pequena diabinha dançava ao som de Morphine, insinuante em seu vestido vermelho.

Casa

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This little light of mine

Eu não me apego a lugares.

Da minha primeira casa, não lembro de muita coisa. Eu era só um bebê, um ano, um ano e pouco. Tenho umas lembranças de chuva caindo depois de uma tarde quente, e o cheiro de jasmim na calçada.

Da casa onde morei por mais tempo me lembro de todos os detalhes. Inclusive, quando sonho que estou em casa, é sempre lá. O apartamento pequeno mas cheio de vida, as tardes de sábado fazendo faxina e escutando música; brigar com a irmã, fazer as pazes, fazer cócegas em mamãe até ela quase chorar. Encenar peças de teatro improvisadas para o Dia das Mães. Árvore de Natal de papel. Disputar a única televisão numa sexta-feira à noite. Ajudar minha avó a fazer bolo.

Depois, teve o meu primeiro cantinho. Era um apê tão pequeno que a geladeira ficava escondida em um vão entre o banheiro e o quarto. Eu tomava café na área, apoiando a perna no tanque enquanto via o mundo apressado lá embaixo. Tardes divertidas com amigas; o sofá-cama vermelho; a mesa redonda; a pilha de roupa suja. O fim e o recomeço.

Quando tive que abrir mão desse meu canto e voltar a morar com minha família, me senti um lixo. Derrotada, acabada. Que pessoa é essa que não consegue pagar as próprias contas aos vinte e tantos anos? Como pode isso? Eu me sentia uma estranha naquela nova casa – sim, a família também já havia se mudado. Houve mais lembranças tristes também naquela nova casa quando minha avó se foi. Era difícil não relembrar o quanto ela sofreu no fim da vida.

Então houve a mudança. Vamos todos para um apartamento maior. Um quarto imenso, para mim e minha irmã do meio. É temporário, eu disse a mim mesma. Logo, logo, eu vou ter um canto para chamar de meu novamente.

E assim foi. Eu percorri quilômetros, subi a serra, encontrei um canto meu. Um canto para dois. Um canto para dois e um gato – quem sabe, filhos? Mas o Destino não quis assim.

Depois de cinco anos neste canto, uma estranha em uma terra de estranhos, eu faço a viagem de volta ao ninho. Mais madura, muito mais consciente de mim mesma, do meu valor e da minha capacidade. Incapaz de me encolher dentro da jaula, eu voo na direção de casa feliz. Feliz por saber que terei a melhor acolhida, e por compreender que o Destino é inexorável.

Tudo será como deve ser.


Há alguns dias, estava conversando com uma grande amiga e ela me lembrou de uma passagem de O Senhor dos Anéis muito memorável, na qual Aragorn conversa com Éowyn:

— O que teme, senhora? — perguntou ele.

— Uma gaiola — disse ela. — Ficar atrás de grades, até que o hábito e a velhice as aceitem e todas as oportunidades de realizar grandes feitos estejam além de qualquer lembrança ou desejo.

Atlas de Nuvens

Cartas escritas por um viajante percorrendo as ilhas do oceano pacífico,no meio do século XIX. O diário de um jovem músico brilhante e bon-vivant em sua estadia na Bélgica dos anos 1930. Um thriller de suspense e intrigas empresariais passado nos anos 70, tendo como cerne uma jornalista perspicaz. As peripécias de um senhor de quase setenta anos ao ser internado em um asilo na Inglaterra, por volta de 2010. A entrevista de uma clone que despertou de sua inércia em uma sociedade distópica na Coreia, em algum tempo no século XXII. Um velho conta a história de sua juventude a um grupo de jovens no que já foi a ilha do Havaí, alguns séculos adiante.

E de alguma forma sutil e verdadeira, tudo está intrinsecamente conectado.

Resultado de imagem para atlas de nuvensCloud Atlas – ou Atlas de Nuvens, na tradução para o português – é um livro de 2004 escrito por David Mitchell. Recebeu vários prêmios e foi adaptado para o cinema em 2012 contando com um elenco estelar: meu querido Tom Hanks, Hugo Weaving, Halle Berry, Hugh Grant. Foi dirigido pelas irmãs Wachowski (aquelas de Matrix). Aqui no Brasil, a adaptação recebeu o nome de A Viagem. Acho que pros noveleiros se lembrarem daquela novela que passou na Globo há uns anos e falava sobre reencarnação.

O meu primeiro contato com Cloud Atlas foi pela adaptação cinematográfica. Reconheço que faço parte do grupo de 14 pessoas que gostou da história. Não se pode sequer piscar durante o filme, se não você perde alguma informação importante, deixa de ver algo crucial para conectar todos os pontos, ou deixa de entender alguma pista. Assisti no cinema, e muitos anos depois vi novamente na televisão.

Quando descobri que não era roteiro original, saí em busca do livro. Eu precisava ler o original, porque sabia que não podia ter só aquilo que vi no cinema. Ganhei o bendito como presente de Natal ano passado e comecei a ler de imediato. Dito e feito: a experiência do livro é muito mais profunda e intensa. Foi um daqueles volumes que eu demorei a terminar quando cheguei perto do final, simplesmente porque não queria que terminasse.

A capacidade do David Mitchell em adaptar seu próprio modo de escrever a cada trecho da narrativa é impressionante. Parece que várias pessoas diferentes escreveram, mas ao mesmo tempo podemos perceber que foi uma única mente que amarrou tudo. A minha parte favorita é a que conta a história de Sonmi-451, uma clone criada para servir aos seres humanos possuidores de almas (obs: alma aqui tem outro sentido). Várias palavras foram adaptadas, criando novos significados. Eu conseguia visualizar muito bem a distopia proposta pelo autor. Uma passagem no final da entrevista de Sonmi-451 ao arquivista (ou carceceiro) explicita muito bem a linha narrativa do livro inteiro:

Você lamenta a vida que levou?

Como posso lamentar minha vida? Podemos lamentar uma ação escolhida livremente, porém errônea; mas o livre-arbítrio não desempenha nenhum papel na minha istória.

 

Vai logo alugar na locadora do Paulo Coelho!

Atlas de Nuvens é um daqueles raros casos em que eu recomendo assistir a adaptação primeiro e depois ler o livro. Acho que assim a frustração é menor. Acredito que a experiência cinematográfica ficou limitada justamente por causa do tempo de tela: no livro tem história para pelo menos uma minissérie. E eu já falei da trilha sonora?

As grandes aberturas de animes de todos os tempos (da minha memória)- parte 2

Nestes últimos dias estava ocupada fazendo manutenção do meu maravilhoso bronzeado… Demorei, mas hoje finalmente vou continuar a singela lista sobre as minhas músicas de abertura de anime favoritas. Vamos lá!

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Quem canta zentradi espanta

05) The Sore Feet Song – Mushishi
Artista: Ally Kerr
Ano: 2005

Esta deliciosa música foi meu toque de celular durante uns bons dois anos. É calma e me faz lembrar muito Belle & Sebastian: meio melancólica, meio alegrinha, deliciosa para se ouvir caminhando por aí, admirando as árvores. Mushishi se passa em um passado situado antes da abertura dos portos do Japão. Acompanhamos Ginko em sua busca para ajudar pessoas que sofrem sob a influência dos mushi, que são uma espécie de criaturas sobrenaturais que têm certo poder sobre os humanos. Teve inclusive filme live action (que eu ainda não vi)…

04) Hohoemi no Bakudan – Yu Yu Hakusho
Artista: Matsuko Mawatari
Ano: 1992

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Vê se não parece foto de boyband

Meu sonho era cantar essa música no karaokê… E em 2005 eu consegui 🙂
Eu gosto muito da letra, porque faz pensar sobre nossas relações pessoais, como queremos agir e o quanto às vezes é doloroso fazer certas escolhas. Acho o “muito obrigado” no final do refrão é MUITO esquisito, mas relevo.

Yu Yu Hakusho é um dos melhores animes shonen que eu já vi. Logo no primeiro episódio o personagem principal morre! O legal de Yu Yu é que podemos ter um primeiro contato com crenças e mitos do xintoísmo, uma religião original japonesa e que é muito rica e muito diferente da nossa visão ocidental. Tem uns campeonatos aqui, uns caras doidos que querem encher um guri de 16 anos de porrada ali, mas o melhor são os personagens muito marcantes e cativantes.

03) Pegasus Fantasy – Saint Seiya
Artista: MAKE-UP
Ano: 1986

Libere seu cosmo neste delicioso clássico do cancioneiro glam-rock animezístico. Esta é uma ótima oportunidade para pegar a escova ou o controle remoto e fingir que é vocalista de alguma banda de rock dos anos 80, ou fazer air guitar – ou tocar vassoura como se fosse um baixo, sei lá. E Saint Seiya, como você sabe, é aquele anime que foi feito pra vender boneco da BANDAI 🙂

02) Blurry Eyes – DNA^2
Artista: L’Arc~en~Ciel
Ano: 1994

Segunda música do L’Arc~en~Ciel nessa listinha! Ah, quando eles ainda eram bons… Crianças, há muitos invernos atrás, não tinha essa de assistir anime na tv, no computador, no smartphone. A gente se reunia mensalmente para ver as fitas VHS que vinham a muito custo de São Paulo, que por sua vez recebia a muamba do Japão ou dos Estados Unidos. E aí a gente via um ou dois epis em um domingo e depois tinha que esperar pra ver a continuação… Imaginem que tortura!
Se você não conhece L’Arc~en~Ciel, esta é a melhor música para conhecer. Tem outras boas também, mas essa aqui mostra a banda de raiz, antes até de irem pro mainstream. É bem melódica e colorida – é uma das poucas bandas que me fazem sentir sinestésica.

01) Get Along – Slayers
Artista: Megumi Hayashibara e Masami Okui
Ano: 1995

Megumi Hayashibara é uma deusa, ponto. Essa música está no meu pódio porque além de ter Megumi-sama cantando, ainda tem a Masami Okui, que é deusa também. As duas juntas já devem ter cantado mais de mil músicas de anime. Neste caso, elas intepretam duas personagens na música de abertura – respectivamente, Lina Inverse e Naga, as melhores pessoas nessa história. Slayers é um ótimo anime se você curte RPG estilo medieval e é uma pessoa bem humorada. Vai lá ver!

As grandes aberturas de animes de todos os tempos (da minha memória)

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Shake your money maker

Ah, o ócio.
Bem, eu estou tentando produzir qualquer coisa – QUALQUER COISA – durante esse período “entre projetos” (que é um belo eufemismo para desemprego). Daí que neste último domingo chuvoso me peguei pensando em animes. Mais precisamente, nas músicas de abertura de animes que eu acho maravilhosas. Então resolvi fazer uma pequena lista. Aqui vai a primeira parte:

10) Bari Bari Saikyou No. 1 – Jigoku Sensei NUUBEE
Artista: FEEL SO BAD
Ano: 1996

Esta comédia conta a história de um professor novato que exorciza demônios com sua mão endemoniada. É pra rir, se divertir e relaxar. A abertura é fenomenal por causa da letra, que te deixa pra cima; uma verdadeira ode ao amor próprio:

A partir de hoje eu vou ser o mais forte / Aí vai o cara mais fenomenal / A partir de hoje eu sou o número 1 / Eu sou demais

09) Moonlight Densetsu – Sailor Moon
Artista: DALI
Ano: 1992

Confesso que resisti até me entregar à Sailor Moon. Sempre fui de gostar mais de shonen e todo aquele amorzinho e romance das Sailors me deixavam enjoada… Então, eu ligava a tv para dar audiência até que começassem os desenhos que eu realmente queria ver. Só que aí eu fui parar para assistir alguns episódios e acabei gostando, vejam vocês. A abertura me dá uma sensação de nostalgia muito boa, de tempos mais simples… E eu acabei memorizando a letra (em japonês e português) e até hoje vivo cantarolando por aí.

08) Duvet – Serial Experiments Lain
Artista: Bôa
Ano: 1998

Triste, meio soturna meio alegre; dor, decepção, desentendimento. E tá tudo cantadinho em inglês, uma raridade. Serial Experiments Lain é uma série com pano de fundo bastante filosófico e existencialista, abordando temas como tecnologia e comunicação e seus deméritos (isso só para dar uma pincelada, como diriam meus professores de Literatura da faculdade).
OBS: recomendo que assista à Lain apenas se estiver de MUITO bom humor. É um soco no estômago e chute nas bolas em qualquer um.

I am falling / I am fading / I am drowning / Help me to breathe
I am hurting / I have lost it all / I am losing / Help me to breathe

07) Tank! – Cowboy Bebop
Artista: The Seatbelts
Ano: 1998

Essa é a abertura de um dos meus animes favoritos. Cowboy Bebop é tipo um western espacial, com muito jazz, blues e solidão – mas sempre com aquela pitada de humor. A trilha sonora é da grande Yoko Kanno, responsável por inúmeras composições de sucesso nesse mundinho anime: Lodoss War, Macross Plus, Escaflowne, Ghost in the Shell (Stand Alone Complex), entre outros.

06) Ready, Steady, Go! – Fullmetal Alchemist
Artista: L’Arc~en~Ciel
Ano: 2004

Ah, L’Arc~en~Ciel. Meu primeiro amor musical da terra do sol nascente. Sou suspeita para falar deles porque sou fã – melhor dizer que era fã, porque só curto as coisas mais antigas – mas esta música está aqui principalmente por me trazer lembranças do Japão. Eu estava lá em 2004-2005, fui ao show da banda e assisti a alguns episódios de Fullmetal. Óbvio que iria gostar, né. Neste anime, acompanhamos dois irmãos em busca da Pedra Filosofal em um ambiente bem steampunk e retrofuturista. Ainda tenho que terminar de assistir a série, mas o início é muito bom.

Pensamento positivo

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Elvis, meu urso gigante de pelúcia, sempre pronto para pensar positivo (y)

O pensamento positivo é algo curioso.

No meu caso, funciona muito bem quando me refiro aos outros. Sempre confio que tudo vai dar certo para os meus amigos. Calma, é só uma fase, tudo vai melhorar; você é linda, não tem porquê se sentir insegura; tenha paciência e confie em si mesmo, você vai ver que vai dar tudo certo.

O problema é quando eu viro o espelho para mim. Ah, aí é que tudo vai por água abaixo. Isso se dá graças à autoestima flutuante. Há dias em que tudo é muito belo; mas há aqueles dias em que nada pode dar certo. Eu olho para a bagunça aos meus pés e não consigo ver saída, não tem como me esgueirar pela borda e sair de fininho, fingindo que tudo está bem.

Provavelmente, todo mundo se sente assim. Alguns mais do que outros. Então, nesses dias, eu faço uma lista das coisas positivas (e simples) pelas quais devo esperar:

 

Ah, eu falei de Trainspotting e deu saudades.

Vida

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“A vida encontra um caminho”. Jurassic Park, 1993.

Percebi que temos mais um morador neste pequeno apartamento.

Bem, primeiro de tudo, vamos contar em ordem cronológica:

Antes de me mudar para cá, parece que havia ninho de passarinhos na área de serviço. Depois da grande faxina feita pelo namorado e seus amigos, uma feliz carioca finalmente se mudou de mala e cuia. O namorado do interior visitava com frequência, mas ainda não se podia chamá-lo de morador… Mas com o passar do tempo, o namoro ficando sério e o amor mais forte, dois humanos e suas neuroses passaram a ocupar este espaço.

Aí veio o presente da mãe: um jarro de planta. Porque tem que ter planta na casa! Como assim não tem planta? Toma aqui uma mudinha de Espada de São Jorge e Comigo-ninguém-pode. É bom pra espantar más energias.

Depois, diretamente de Vulcano, adotamos o nosso gato intergaláctico, Spock. Eu queria tomar crédito pelo nome, mas ele já havia sido batizado assim – e perdoem-me os outros gatinhos da ninhada, mas ele era o mais bonito. E ainda é 😉

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Algumas espadinhas estão meio secas, seja pelo seu efeito milagroso ou pelo calor. Mas dá pra ver o brotinho ali no meio, né 🙂

Alguns anos se passaram e a carioca inventou de tentar plantar arruda. Até que a mudinha estava crescendo bem, mas acho que murchou de saudades quando eu tive que ir trabalhar fora da cidade – e acabei voltando a morar com mamãe temporariamente.

Na raspa do tacho de 2016, tomando uma cervejinha aqui em casa e ouvindo música, eu dou uma olhada no vaso de planta. Aquela planta que mamãe me deu.

Pois bem: está nascendo um brotinho sabe-se lá de que planta, e eu estou achando o máximo. Pelo menos alguma coisa boa está germinando. Só preciso arranjar logo um outro vaso para fazer o transplante. Não quero arriscar perder essa vidinha verde que surgiu de surpresa.

Feel good movies – filmes gostosinhos, parte 2

Continuando com a minha pequena lista de filmes gostosinhos, vamos nós para a segunda parte:

5. Melhor é Impossível (As Good as It Gets – 1997)

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Adoro a parte da viagem de carro hehe

Dirigido por: James L. Brooks

Quem: Jack Nicholson, Helen Hunt, Greg Kinnear (ok, descobri que sou fã desse ator)

Sinopse: Jack Nicholson é um escritor cheio de TOCs. Helen Hunt é uma garçonete super protetora com o filho. Greg Kinnear é um pintor, vizinho do Jack Nicholson. E todo mundo vai convivendo, exorcizando seus demônios, falando sobre a vida, seus prolemas, como lidar com eles e toda essa coisa tenebrosa que é a vida adulta. O forte aqui são os diálogos: está todo mundo muito confortável em seus papéis, conversando com naturalidade. É deste filme um dos melhores elogios que alguém pode fazer a outra pessoa:

James L. Brooks é um dos responsáveis pela série Os Simpsons e isso já devia lhe garantir um Emmy todo ano. Ele inclusive foi o diretor do filme. A trilha sonora composta por Hans Zimmer é bem gostosinha também. Além deste filme, ele foi responsável por obras como A Origem, Interestelar, a nova trilogia do Batman e O Último Samurai. Ah, Melhor é Impossível também ganha pontos porque tem um cachorrinho 🙂

6. Quase Famosos (Almost Famous – 2000)

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It’s all happening!

Dirigido por: Cameron Crowe

Quem: Billy Crudup, Kate Hudson, Philip Seymour Hoffman

Sinopse: Guri menor de idade que quer ser jornalista e escrever para a Rolling Stones convence o editor da tal revista a contratá-lo para cobrir a turnê da banda Stillwater. É uma jornada bem lá-e-de-volta-outra-vez, na qual acompanhamos o crescimento interno do personagem principal e dos outros a sua volta. Eu particularmente adoro a Penny Lane, personagem vivida por Kate Hudson. Já li um artigo no qual colocam-na como exemplo daquele tropo manic pixie dream girl, mas eu discordo: acho que Penny faz sua própria jornada também.

O filme tem uma trilha sonora impecável: Led Zeppelin, Lynyrd Skynyrd, Elton John, The Allman Brothers Band… O canal wisecrack fez uma boa crítica sobre o filme na sua série Earthling Cinema (infelizmente só tem em inglês).

7. Monty Python e o Cálice Sagrado (Monty Python and the Holy Grail – 1975) & A Vida de Brian (Life of Brian – 1979)

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Qual é a velocidade de voo de uma andorinha sem carga?

Dirigido por: Terry Gilliam e Terry Jones

Quem: Monty Python!

Sinopse: Em O Cálice Sagrado, acompanhamos o Rei Arthur e seus cavaleiros em busca do Cálice Sagrado. Em A Vida de Brian, acompanhamos a vida de Brian, que nasceu num estábulo próximo de onde nasceu Jesus.

Eu adoro Monty Python e posso rever os mesmos filmes mil vezes que vou continuar rindo. Destes dois filmes que citei, o meu favorito é A Vida de Brian – acho que por me fazer pensar sobre como identificar  linha tênue entre fé saudável e fanatismo cego, o que é religião, o que consideramos sagrado… E principalmente por me fazer ver o lado bom da vida.

Esquetes dos Pythons que você precisa ver antes de ir desta pra melhor: futebol dos filósofos, papagaio morto, spam!, clínica de discussões, entrevista de emprego e Ministry of Silly Walks.

8. Trilogia O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel (The Fellowship of the Ring – 2001), As Duas Torres (The Two Towers – 2002) e O Retorno do Rei (The Return of the King – 2003)

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Vocês sabem que tá tudo errado nessa formação, né? O cara com arco tinha que estar lá atrás. Tá todo mundo ferrado nessa rodada…

Dirigido por: Peter Jackson

Quem: Ian McKellen, Cate Blanchett, Elijah Wood, Viggo Mortensen, Ian Holme, Orlando Bloom, Dominic Monaghan, Billy Boyd, Liv Tyler

Sinopse: Adaptação da obra de J. R. R. Tolkien. O poderoso Um Anel precisa ser destruído para que a Terra-Média se salve – e mesmo a menor das pessoas pode mudar o destino do futuro.

Ai, que amor!: É um belo road movie, história de lá-e-de-volta-outra-vez, descoberta da amizade, valorização de si mesmo. Os filmes estreavam sempre próximos do Natal (se bem me lembro, o Sociedade do Anel foi dia 25 de dezembro) e eu estava lá na fila para ver a primeira sessão. Também sou uma feliz proprietária da versão estendida e já perdi as contas de quantas vezes revi. Choro, rio, digo as falas junto com os atores, conheço cada falha e amo mais toda vez que revejo. Figurino, trilha sonora, edição, o trabalho de iluminação… É tudo lindo. Meu coração de jogadora de RPG sempre se emociona com essa bela história.

Feel good movies – filmes gostosinhos, parte 1

Outro dia, no meio do ócio vespertino enquanto pesquisava algumas coisas para uma história em gestação, acabei procrastinando e fazendo uma listinha de filmes que eu gosto e que me fazem sentir bem. Sabe aquele filme que a gente assiste mais de mil vezes e continua adorando, mesmo quando percebe suas falhas? Aquele filme gostosinho, pra assistir debaixo do edredon numa noite fria – ou numa tarde com os amigos, repetindo as falas do seu personagem favorito? Ou aquele filme adaptado de outra obra que resume a sua vida e formou o seu caráter? Pois então 🙂

Quis usar o termo em inglês feel good movies (filmes que te fazem sentir bem), mas estou usando a expressão aqui a meu modo. Os filmes também estão totalmente sem ordem de preferência e/ou importância.

Estejam avisados! Então lá vai a primeira parte:

1. Sabrina (Sabrina – 1995)

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Não sei como ela não se apaixona pelo Linus logo de cara.

Dirigido por: Sydney Pollack

Quem: Harrison Ford, Julia Ormond, Greg Kinnear

Sinopse: Filha do chofer de rica família é apaixonada desde cedo pelo filho mais novo, playboy e inconsequente. Depois de uma temporada na França, a guria aprende a se vestir, corta o cabelão e volta arrasando corações. E o melhor: fica com o irmão mais velho, interpretado pelo Harrison Ford.

Ai, que amor!: Regravação de um clássico de 1954 com Humphrey Bogart e Audrey Hepburn. Eu gosto dessa versão porque é o único filme que eu vejo e não tenho vontade de esganar a Julia Ormond. Em Lendas da Paixão, por exemplo, é impossível simpatizar com ela. A película ganha pontos eternos por apresentar um pouco da moda dos anos 90 e ter o Harrison Ford, meu primeiro amor das telonas.

Sydney Pollack ainda dirigiu outros filmes muito bons: Tootsie, Entre Dois Amores, A Firma.

2. Mens@gem Pra Você (You Got Mail – 1998)

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Toda uma vida apaixonada por essa livraria.

Dirigido por: Nora Ephron

Quem: Tom Hanks! Meg Ryan, Greg Kinnear (de novo?)

Sinopse: Guerra dos Livros com café e emails, tendo Nova York como fundo. Meg Ryan é dona de uma livraria especializada em livros infantis e começa a enfrentar problemas depois que uma grande rede de livrarias abre uma loja na vizinhança – rede essa dirigida pelo Tom Hanks. Eles se odeiam IRL, mas se adoram online – sem saber quem são realmente. Filme cheio de referências a livros e outros filmes, além da propaganda da AOL. Chega dá saudades de quando a gente clicava no símbolo da AOL e ouvia aquele barulhinho quando ficava online.

Ai, que amor!: Gente, é o Tom Hanks. Eu assistiria novamente a todos os filmes da carreira deste homem. A Meg Ryan ainda tinha expressões faciais e está adorável. Os diálogos são muito bons, e falam sobre tudo: relacionamento, trabalho, valores, amizade.

Nora Ephron ainda dirigiu Sintonia de AmorJulie e Julia, além de fazer o roteiro de vários outros filmes.


3. Um Tira no Jardim de Infância
(Kindergarten Cop – 1990)

O guri à esquerda me representa nesta cena.

Dirigido por: Ivan Reitman

Quem: Arnold Schwarznegger

Sinopse: Tira disfarçado de professor apronta altas aventuras em um jardim de infância que é do barulho.

Ai, que amor!: Esta pérola dos anos 90 tem diálogos memoráveis. No meu caso, estou invariavelmente citando algo do tipo “- O que é isso? – É um furão. – O que é um furão? – ISSO é um furão”, ou aquela do “meninos têm pênis, meninas têm vagina” entre outras. A parceira do Shwarza, a detetive O’hara (interpretada pela atriz Pamela Reed), é muito engraçada também. E este é para mim um dos melhores filmes do eterno Exterminador.

Ivan Reitman também dirigiu os dois primeiros filmes d’Os Caça-Fantasmas, além de ter sido o culpado por outras duas comédias estrelando Shwarzenegger e Danny DeVito: Júnior e Irmãos Gêmeos.

4. Clube dos Cinco (The Breakfast Club – 1985)

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Nós todos somos bizarros – só que alguns de nós escondem isso melhor.

Dirigido por: O Guru, o Sábio, o Iluminado dos anos 80, John Hughes

Quem: Emilio Estevez, Anthony Michael Hall, Molly Ringwald

Sinopse: um nerd, um atleta, um caso perdido, uma princesa e um criminoso, em detenção na escola em um belo sábado de sol. Um microcosmo em colisão. Catarse adolescente derramando. Não virou um clássico por nada: cada um de nós consegue se relacionar com algum dos personagens principais – ou mais de um em algum momento.

John Hughes dirigiu Curtindo a Vida Adoidado, Gatinhas e Gatões, Mulher Nota Mil, A Malandrinha, A Garota de Rosa-Shocking, entre outros. E escreveu o roteiro de uma tonelada de outros filmes, entre eles a série Esqueceram de Mim e Férias Frustradas.

Ai, que amor!: além da trilha sonora muito boa, o que me dá a sensação de filme gostosinho é justamente o fazer pensar sobre as angústias adolescentes. Todo mundo passou, está passando ou ainda vai passar por elas: é tipo um batismo de sangue (no caso das meninas, isso ainda é literal). Você não tem certeza de nada, sente a pressão dos pais, do colégio, do mundo te cobrando o seu futuro. A nossa visão dos adultos é bem parecida com o que a Allison, interpretada por Ally Sheedy: quando você cresce, o seu coração morre. O filme nos leva a refletir, passar por essa catarse sobre a adolescência e sobreviver no final.