Morfina

Em 2011, quando me inscrevi no curso de Estrutura Literária ministrado pelo Eduardo Spohr, nunca poderia imaginar que dali surgiria uma confraria e uma coletânea de contos. Éramos onze pessoas empolgadas (eu de bendito fruto, única mulher no grupo): tudo era possível, enfrentaríamos os mares bravios, iríamos com tudo, go go team.

A primeira tarefa a ser vencida era, claro, escrever o bendito conto.

Lembro claramente da pressão que eu mesma joguei sobre os ombros. Sobre o que iria escrever? Vou montar o esquema que aprendi no curso, organizar tudinho e seguir à risca a jornada do herói? Ou vamos esperar a Musa tocar meu rosto e me empurrar no caminho certo?

No fim das contas, eu estava com uma página em branco diante de mim. Dentro do ônibus, um calor infernal, as têmporas suando. Fim de mais um dia de trabalho. Eu ainda atravessaria a cidade para chegar em casa.

Então a Musa soprou alguma coisa nos meus ouvidos.

Daí me veio a lembrança desta música e eu comecei a escrever no caderno. A caneta escorregava entre os dedos, rápida, garranchos lindos. A mão tentava acompanhar o pensamento.

 

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Fonte: R7.com

Conheci o Morphine por volta de 1998 graças a um cd que veio junto em uma edição da revista Bizz. Nem sei se a revista ainda existe, provavelmente não. Mas ali tinha Morphine, Marianne Faithful e mais um monte de gente boa da qual não me lembro agora. Esse trio ganhou meu coração instantaneamente porque o contrabaixo domina.

 

 

E sim, a minha história acabou sendo um pouco baseada na letra desta música.

Quando desci do ônibus, a história estava praticamente terminada. Eu iria passar a limpo, revisar, inserir mais algumas cenas – mas o coração estava lá, pulsando. A minha pequena diabinha dançava ao som de Morphine, insinuante em seu vestido vermelho.

Você não sabe amar

Você não sabe amar, meu bem
Não sabe o que é o amor
Nunca viveu, nunca sofreu,
E quer saber mais que eu

O nosso amor parou aqui
E foi melhor assim
Você esperava e eu também
Que esse fosse seu fim

O nosso amor não teve ferida
As coisas boas da vida
E foi melhor para você
E foi também melhor pra mim.


Gostei da versão com o Chico Buarque por motivos óbvios, mas quis compartilhar essa da Nana Caymmi – por razões óbvias também.

Frio pequeno coração

 

Did you ever want it?
Did you want it bad?
Oh, my
It tears me apart
Did you ever fight it?
All of the pain, so much power
Running through my veins
Bleeding, I’m bleeding
My cold little heart
Oh I, I can’t stand myself

And I know
In my heart, in this cold heart
I can live or I can die
I believe if I just try
You believe in you and I
In you and I

Did you ever notice
I’ve been ashamed
All my life
I’ve been playing games
We can try and hide it
It’s all the same
I’ve been losing you
One day at a time
Bleeding, I’m bleeding
My cold little heart
Oh I, I can’t stand myself

And I know
In my heart, in this cold heart
I can live or I can die
I believe if I just try
You believe in you and I

Maybe this time I can be strong
But since I know who I am
I’m probably wrong
Maybe this time I can go far
But thinking about where I’ve been
Ain’t helping me start


Abertura de Big Little Lies, série da HBO. Música muito apropriada para este momento.

Universos paralelos

Há algumas semanas, no auge da presença de Clarisse (não é minissérie inspirada nos textos do Nelson Rodrigues, não; é como eu chamo a minha TPM), me peguei pensando como teria sido a minha vida se eu não tivesse feito as escolhas que fiz. É, eu caí nessa armadilha terrível. Terrível porque não há “a outra escolha”.

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“Espero que o Eu do universo paralelo esteja indo bem nesse momento”

Nós somos fruto daquilo que escolhemos, todos os dias. Desde que acordamos até a hora de dormir. O curioso nesse pensamento é que não me ocorreria em dias de taxa hormonal estável porque eu sei que esse outro Eu que foi para um caminho diferente não existe.

Isso é reconfortante e desesperador ao mesmo tempo, porque uma parte de mim espera que o meu outro Eu no universo paralelo esteja indo melhor.

As grandes aberturas de animes de todos os tempos (da minha memória)- parte 2

Nestes últimos dias estava ocupada fazendo manutenção do meu maravilhoso bronzeado… Demorei, mas hoje finalmente vou continuar a singela lista sobre as minhas músicas de abertura de anime favoritas. Vamos lá!

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Quem canta zentradi espanta

05) The Sore Feet Song – Mushishi
Artista: Ally Kerr
Ano: 2005

Esta deliciosa música foi meu toque de celular durante uns bons dois anos. É calma e me faz lembrar muito Belle & Sebastian: meio melancólica, meio alegrinha, deliciosa para se ouvir caminhando por aí, admirando as árvores. Mushishi se passa em um passado situado antes da abertura dos portos do Japão. Acompanhamos Ginko em sua busca para ajudar pessoas que sofrem sob a influência dos mushi, que são uma espécie de criaturas sobrenaturais que têm certo poder sobre os humanos. Teve inclusive filme live action (que eu ainda não vi)…

04) Hohoemi no Bakudan – Yu Yu Hakusho
Artista: Matsuko Mawatari
Ano: 1992

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Vê se não parece foto de boyband

Meu sonho era cantar essa música no karaokê… E em 2005 eu consegui 🙂
Eu gosto muito da letra, porque faz pensar sobre nossas relações pessoais, como queremos agir e o quanto às vezes é doloroso fazer certas escolhas. Acho o “muito obrigado” no final do refrão é MUITO esquisito, mas relevo.

Yu Yu Hakusho é um dos melhores animes shonen que eu já vi. Logo no primeiro episódio o personagem principal morre! O legal de Yu Yu é que podemos ter um primeiro contato com crenças e mitos do xintoísmo, uma religião original japonesa e que é muito rica e muito diferente da nossa visão ocidental. Tem uns campeonatos aqui, uns caras doidos que querem encher um guri de 16 anos de porrada ali, mas o melhor são os personagens muito marcantes e cativantes.

03) Pegasus Fantasy – Saint Seiya
Artista: MAKE-UP
Ano: 1986

Libere seu cosmo neste delicioso clássico do cancioneiro glam-rock animezístico. Esta é uma ótima oportunidade para pegar a escova ou o controle remoto e fingir que é vocalista de alguma banda de rock dos anos 80, ou fazer air guitar – ou tocar vassoura como se fosse um baixo, sei lá. E Saint Seiya, como você sabe, é aquele anime que foi feito pra vender boneco da BANDAI 🙂

02) Blurry Eyes – DNA^2
Artista: L’Arc~en~Ciel
Ano: 1994

Segunda música do L’Arc~en~Ciel nessa listinha! Ah, quando eles ainda eram bons… Crianças, há muitos invernos atrás, não tinha essa de assistir anime na tv, no computador, no smartphone. A gente se reunia mensalmente para ver as fitas VHS que vinham a muito custo de São Paulo, que por sua vez recebia a muamba do Japão ou dos Estados Unidos. E aí a gente via um ou dois epis em um domingo e depois tinha que esperar pra ver a continuação… Imaginem que tortura!
Se você não conhece L’Arc~en~Ciel, esta é a melhor música para conhecer. Tem outras boas também, mas essa aqui mostra a banda de raiz, antes até de irem pro mainstream. É bem melódica e colorida – é uma das poucas bandas que me fazem sentir sinestésica.

01) Get Along – Slayers
Artista: Megumi Hayashibara e Masami Okui
Ano: 1995

Megumi Hayashibara é uma deusa, ponto. Essa música está no meu pódio porque além de ter Megumi-sama cantando, ainda tem a Masami Okui, que é deusa também. As duas juntas já devem ter cantado mais de mil músicas de anime. Neste caso, elas intepretam duas personagens na música de abertura – respectivamente, Lina Inverse e Naga, as melhores pessoas nessa história. Slayers é um ótimo anime se você curte RPG estilo medieval e é uma pessoa bem humorada. Vai lá ver!

As grandes aberturas de animes de todos os tempos (da minha memória)

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Shake your money maker

Ah, o ócio.
Bem, eu estou tentando produzir qualquer coisa – QUALQUER COISA – durante esse período “entre projetos” (que é um belo eufemismo para desemprego). Daí que neste último domingo chuvoso me peguei pensando em animes. Mais precisamente, nas músicas de abertura de animes que eu acho maravilhosas. Então resolvi fazer uma pequena lista. Aqui vai a primeira parte:

10) Bari Bari Saikyou No. 1 – Jigoku Sensei NUUBEE
Artista: FEEL SO BAD
Ano: 1996

Esta comédia conta a história de um professor novato que exorciza demônios com sua mão endemoniada. É pra rir, se divertir e relaxar. A abertura é fenomenal por causa da letra, que te deixa pra cima; uma verdadeira ode ao amor próprio:

A partir de hoje eu vou ser o mais forte / Aí vai o cara mais fenomenal / A partir de hoje eu sou o número 1 / Eu sou demais

09) Moonlight Densetsu – Sailor Moon
Artista: DALI
Ano: 1992

Confesso que resisti até me entregar à Sailor Moon. Sempre fui de gostar mais de shonen e todo aquele amorzinho e romance das Sailors me deixavam enjoada… Então, eu ligava a tv para dar audiência até que começassem os desenhos que eu realmente queria ver. Só que aí eu fui parar para assistir alguns episódios e acabei gostando, vejam vocês. A abertura me dá uma sensação de nostalgia muito boa, de tempos mais simples… E eu acabei memorizando a letra (em japonês e português) e até hoje vivo cantarolando por aí.

08) Duvet – Serial Experiments Lain
Artista: Bôa
Ano: 1998

Triste, meio soturna meio alegre; dor, decepção, desentendimento. E tá tudo cantadinho em inglês, uma raridade. Serial Experiments Lain é uma série com pano de fundo bastante filosófico e existencialista, abordando temas como tecnologia e comunicação e seus deméritos (isso só para dar uma pincelada, como diriam meus professores de Literatura da faculdade).
OBS: recomendo que assista à Lain apenas se estiver de MUITO bom humor. É um soco no estômago e chute nas bolas em qualquer um.

I am falling / I am fading / I am drowning / Help me to breathe
I am hurting / I have lost it all / I am losing / Help me to breathe

07) Tank! – Cowboy Bebop
Artista: The Seatbelts
Ano: 1998

Essa é a abertura de um dos meus animes favoritos. Cowboy Bebop é tipo um western espacial, com muito jazz, blues e solidão – mas sempre com aquela pitada de humor. A trilha sonora é da grande Yoko Kanno, responsável por inúmeras composições de sucesso nesse mundinho anime: Lodoss War, Macross Plus, Escaflowne, Ghost in the Shell (Stand Alone Complex), entre outros.

06) Ready, Steady, Go! – Fullmetal Alchemist
Artista: L’Arc~en~Ciel
Ano: 2004

Ah, L’Arc~en~Ciel. Meu primeiro amor musical da terra do sol nascente. Sou suspeita para falar deles porque sou fã – melhor dizer que era fã, porque só curto as coisas mais antigas – mas esta música está aqui principalmente por me trazer lembranças do Japão. Eu estava lá em 2004-2005, fui ao show da banda e assisti a alguns episódios de Fullmetal. Óbvio que iria gostar, né. Neste anime, acompanhamos dois irmãos em busca da Pedra Filosofal em um ambiente bem steampunk e retrofuturista. Ainda tenho que terminar de assistir a série, mas o início é muito bom.

Pensamento positivo

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Elvis, meu urso gigante de pelúcia, sempre pronto para pensar positivo (y)

O pensamento positivo é algo curioso.

No meu caso, funciona muito bem quando me refiro aos outros. Sempre confio que tudo vai dar certo para os meus amigos. Calma, é só uma fase, tudo vai melhorar; você é linda, não tem porquê se sentir insegura; tenha paciência e confie em si mesmo, você vai ver que vai dar tudo certo.

O problema é quando eu viro o espelho para mim. Ah, aí é que tudo vai por água abaixo. Isso se dá graças à autoestima flutuante. Há dias em que tudo é muito belo; mas há aqueles dias em que nada pode dar certo. Eu olho para a bagunça aos meus pés e não consigo ver saída, não tem como me esgueirar pela borda e sair de fininho, fingindo que tudo está bem.

Provavelmente, todo mundo se sente assim. Alguns mais do que outros. Então, nesses dias, eu faço uma lista das coisas positivas (e simples) pelas quais devo esperar:

 

Ah, eu falei de Trainspotting e deu saudades.

Blue monday

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No hemisfério norte, a terceira segunda-feira de janeiro é considerada a data mais triste do calendário. Deve ser por causa do inverno – o frio, a vontade de não sair de casa, não fazer nada, esperar o dia terminar.
Tem até nome para a data: blue monday. Em inglês, o azul é a cor da tristeza. Faz sentido, principalmente se você ouve um blues numa segunda-feira triste.

Não sei se foi a lua cheia, invisível no céu nublado; ou a melancolia de verão; ou a saudade dos dias na praia, de sentir que a água salgada me ajudava a purificar a alma. Sei que ontem a segunda-feira estava bem azul. Azul escuro, petróleo, profundo, índigo. Íntimo.