Vermelho

O batom que desenha a minha boca

Unhas carmesim na ponta dos meus dedos

Bandeiras e longas noites

A porta que se quer pintar de preto

A dama

Ela sonha em cores, ela sonha em vermelho

Uma casa branca em uma praça vermelha

A foice e o martelo

A revolução

O não.

Anúncios

Clarisse, a Terrível

_ É como se eu sentisse o cheiro da tempestade vindo, sabe?

_ Sei.

_ Não, cara. Eu tô falando sério.

Clarisse me encarou com aqueles olhos embotados. Soltou a fumaça do cigarro pelas narinas – um dragão de impaciência e cinismo -, foi até a geladeira e abriu outra cerveja. As próximas palavras foram o golpe de misericórdia.

_ Não é porque não deu certo contigo que não vai dar certo com os outros.

(…)

_ É – conclui, indo eu mesma pegar uma cerveja. – É. Você tem razão.

Dores, amores

O primeiro amor foi uma facada no peito
Uma ferida aberta na água salgada
A embriaguez etérea, a ressaca
O retorno do boêmio ao bar
Inefável, infalível pedestal
E quando acabou, tu juravas que morreria
Que não haveria outro dia
– Mas o dia veio.

O segundo amor foi um estilhaço de vidro
Curando aquela ferida no peito
Um aprendizado tardio, um caminho estreito
Sobre a fina corda bamba do medo
Sobre a cabeça, um Fedora marrom
E quando acabou, tu juravas que morreria
Que não haveria outro dia
– A madrugada entrelaçada ao teu pescoço em agonia.

Que o terceiro seja o amor próprio
Pois assim, quando acabar,
É certo que tu morrerás.

Tola que sou

Fool that I am,
For falling in love with you
And a, fool that I am,
For thinking you loved me, too

You took my heart,
Then played the part of little coquette
And, all my dreams just disappeared
Like the smoke from a cigarette

Fool that I am,
For hoping you’d understand
And thinking you
Would listen, too,
And, oh, the things I had planned

But we couldn’t see eye to eye
So, darling, darling, darling,
This is goodbye
But I still care, but I still care,
And oh, fool that I am
Oh, but I still care,
Fool that I am…

Weekend warrior

Em alguns momentos, a gente olha pela janela e tenta colocar todos os acontecimentos de nossa vida em perspectiva. É como se cada fato importante passasse diante de nossos olhos e a gente fosse percebendo os motivos, as falhas, os acertos, as oportunidades aproveitadas – ou desperdiçadas.

Isso costuma acontecer comigo todo dia de manhã, no trajeto para o trabalho. Observo as pessoas a minha volta e fico imaginando quais seriam suas lutas pessoais. Todo mundo é o protagonista de sua própria história e cada um de nós possui uma luta pessoal; isso é tão clichê que sinto até vergonha de dizer. Daí eu volto o olhar para dentro e tento ver quais são as minhas próprias batalhas.

Perceba que, para uma pessoa que se mostra expansiva, sociável e inteligente para o mundo, admitir a derrota é difícil. Mas eu percebo agora que as lições mais valiosas que aprendi foram justamente quando perdi alguma batalha.

Bem, eu estou aqui juntando as armas novamente e tentando me levantar. Vejamos o que virá pela frente.

And the game begins
The adrenalin’s high
Feel the tension maybe someone
Will die

Rock nos meus ouvidos

Você, ser humaninho dotado de todos os seus cinco sentidos (alguns podem ter o sexto e o sétimo, mas vá lá), já deve ter se feito a seguinte pergunta: qual dos seus sentidos seria imprescindível para a sua vida?

Em rodas de conversa com amigos, já nos fizemos essa pergunta. A gente sempre esquece do tato – talvez por ser o sentido mais difícil de se perder, digamos; invariavelmente, a disputa fica entre visão e audição.

Pois bem: eu não vivo sem música. Acordo pensando em música. Vou dormir com alguma música tocando no radinho interno do meu cérebro. Minha vida toda tem trilha sonora, e é algo totalmente involuntário. A morte para mim é esquecer o fone de ouvido ou a bateria do mp3 player acabar.

Sim, eu ainda uso meu mp3 player velho de guerra.

metallica-interview_0
Meus hômi.

E tem aqueles artistas sem os quais eu não vivo – aqueles que eu ouço todo dia. E aproveitando a data de hoje, 13 de julho, dia mundial do Rock, compartilho aqui algumas das minhas faixas favoritas do Metallica.

Eu não teria esse fio de sanidade que me mantém se não fosse por esses caras. Só eu e o céu noturno da Tijuca sabemos…

Creeping Death

 

Senta que lá vem história em proporções bíblicas. São as pragas do Egito, lembra? O Todo Poderoso manda o Anjo da Morte para matar o primogênito do Faraó. Que coisa mais linda. Adoro cantar essa no karaokê.

The Four Horsemen

Continuando nas proporções musicais bíblicas: agora temos os Quatro Cavaleiros do Apocalipse. Adoro a parte em mais ou menos dois minutos quando eles vêm cavalgando… E o baixo dessa música é uma coisa linda. E deve ter uns três andamentos diferentes nisso.

Harvester of Sorrow

I give
You take
This life that I forsake
Been cheated of my youth
You turned this lie to truth

 

One

Eu queria ter escrito esse conto. As melhores músicas deles são aquelas que contam uma história. Essa letra, esse clipe… Não tem como não se arrepiar.

 

Broken, Beat and Scarred

Dei um salto no tempo para compartilhar essa daqui, em homenagem às minhas cicatrizes. Essa música sempre me lembra do seguinte: o que não me mata, me fortalece.

Estou aqui quebrada, abatida e ferida, mas eu não vou morrer tão fácil.

Slow like honey

20170512_114859

But my big secret
Gonna hover over your life
Gonna keep you reaching
When I’m gone like yesterday
When I’m high like heaven
When I’m strong like music
‘Cause I’m slow like honey, and
Heavy with mood


Na atual jornada de autoconhecimento, estou redescobrindo minha admiração por Fiona Apple. Umas letras tão boas que chegam a doer no coraçãozim.